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Coluna – A Festa de Natal

A festa de confraternização hierarquicamente é dividida em vários momentos, podemos definir os principais; primeiro o cara chega sozinho, se não tiver tomado aquela birita do “esquenta” entra pálido como se o sangue estivesse escondido nas pernas, os mais brancos ficam vermelhos como se fossem pintados a tinta. O boa noite é suave e os olhos não conseguem fixar nos decotes das colegas, tampouco nas pernas cruzadas da esposa do convidado. Senta-se na cadeira gélido como defunto, se ouve algo interessante pelas costas à timidez não é capaz de mover seu pescoço, ainda tem a entrada da mulher do chefe com aquele vestido longo, cabelos feitos cachos  de um lado preso atrás das orelhas, seios fartos  pedindo um empurrãozinho para saltar do decote, sem contar o partido no meio das pernas que a cada passo expõe as coxas grossas sob a meia calça. No segundo momento, onde todos já estão acomodados e a classe b e c estão próximas surgem os primeiros comentários, olhares alongados,  a respiração começa a se controlar. No momento seguinte que é o de numero três, o chefe faz aquele discurso populista, hipócrita com seus pleonasmos, todos estão quietos ouvindo e torcendo que aquilo não se eternize, alguns atacam a mãe do orador em pensamentos, desmoralizam com esposas e o resto mais que existir em nome do fim daquele parlatório, pois é o entrave direto para o álcool cair sobre os copos que já estão milimetricamente arrumados na mesa. Enfim a liberdade, o grito se solta e taças e mais taças se misturam a todos os teores e descem goelas abaixo, este é o momento de numero quatro o ultimo momento da primeira fase da festa de confraternização da empresa. Porque o ciclo se reinicia com o primeiro momento após algumas doses de cachaça com vinho e cerveja, vodca com refrigerante e aqueles pratinhos abarrotados de carne assada com farofa. Aquele cara que chegara tímido sem sangue nas faces ou corado de vergonha, já dispensa o garçom e vai sozinho até o freezer quando a cerveja demoram,  a colega do jurídico com seu terno ordinário não é problema para ele iniciar um ataque de olhos que se fosse o Super-homem estaria destruída. No segundo momento se levanta para cumprimentar quem não tivera coragem no inicio, aperta a mão de convidados do chefe pergunta onde trabalham  e até fala sobre a queda da bolsa de New York. Vai até a cabine do DJ e manda trocar a musica, dança sozinho para aliciar os outros e vai atender o portão para puxar o saco quando o interfone toca. Nos últimos momentos já não é nem sombra daquele sujeito tímido do inicio da festa, pelo contrário,  já e temido pelas colegas desacompanhadas e vigiado pelos parceiros daquelas que não estão sozinhas. Então o chefe pede para desligar o som por alguns minutos, abre um envelope e lê uma mensagem desejando boas festas ao seu amigo oculto, o sujeito antes tímido e agora insuportável como dizem aos cochichos, aplaude com força e abraça todo mundo, quem deu o presente e quem recebeu para ele não importa, quer participar de tudo, até chegar sua vez e ele ter a sorte de ser tirado pela mulher do chefe, ali o choro aumentou, a felicidade foi abundante, contou sua história desde quando era criança, passando por dificuldades, vendendo picolé e cheirando cola na rua, confessou que saira com um gay rico por alguns trocados e depois disto não trabalhara  mais, tivera casos até com gays casados, inclusive pediu desculpas, mas  disse que pensava que o chefe era  uma bichona. Só não falou mais abobrinhas  por percepção do DJ que ligou o som e todos voltaram para o clima. Exceto aquele tímido funcionário que no inicio da festa parecia ser mudo. O chefe pediu-lhe educadamente que acompanhasse os seguranças até um ponto de moto-taxi, chegando  lá,  que ele fosse para o meio dos infernos e nunca mais aparecesse na frente dele. O chefe detestava fofoca principalmente com a vida dele…  este era o decimo funcionário demitido por desconfiar da sua masculinidade.A festa de confraternização hierarquicamente é dividida em vários momentos, podemos definir os principais; primeiro o cara chega sozinho, se não tiver tomado aquela birita do “esquenta” entra pálido como se o sangue estivesse escondido nas pernas, os mais brancos ficam vermelhos como se fossem pintados a tinta. O boa noite é suave e os olhos não conseguem fixar nos decotes das colegas, tampouco nas pernas cruzadas da esposa do convidado. Senta-se na cadeira gélido como defunto, se ouve algo interessante pelas costas à timidez não é capaz de mover seu pescoço, ainda tem a entrada da mulher do chefe com aquele vestido longo, cabelos feitos cachos  de um lado preso atrás das orelhas, seios fartos  pedindo um empurrãozinho para saltar do decote, sem contar o partido no meio das pernas que a cada passo expõe as coxas grossas sob a meia calça. No segundo momento, onde todos já estão acomodados e a classe b e c estão próximas surgem os primeiros comentários, olhares alongados,  a respiração começa a se controlar. No momento seguinte que é o de numero três, o chefe faz aquele discurso populista, hipócrita com seus pleonasmos, todos estão quietos ouvindo e torcendo que aquilo não se eternize, alguns atacam a mãe do orador em pensamentos, desmoralizam com esposas e o resto mais que existir em nome do fim daquele parlatório, pois é o entrave direto para o álcool cair sobre os copos que já estão milimetricamente arrumados na mesa. Enfim a liberdade, o grito se solta e taças e mais taças se misturam a todos os teores e descem goelas abaixo, este é o momento de numero quatro o ultimo momento da primeira fase da festa de confraternização da empresa. Porque o ciclo se reinicia com o primeiro momento após algumas doses de cachaça com vinho e cerveja, vodca com refrigerante e aqueles pratinhos abarrotados de carne assada com farofa. Aquele cara que chegara tímido sem sangue nas faces ou corado de vergonha, já dispensa o garçom e vai sozinho até o freezer quando a cerveja demoram,  a colega do jurídico com seu terno ordinário não é problema para ele iniciar um ataque de olhos que se fosse o Super-homem estaria destruída. No segundo momento se levanta para cumprimentar quem não tivera coragem no inicio, aperta a mão de convidados do chefe pergunta onde trabalham  e até fala sobre a queda da bolsa de New York. Vai até a cabine do DJ e manda trocar a musica, dança sozinho para aliciar os outros e vai atender o portão para puxar o saco quando o interfone toca. Nos últimos momentos já não é nem sombra daquele sujeito tímido do inicio da festa, pelo contrário,  já e temido pelas colegas desacompanhadas e vigiado pelos parceiros daquelas que não estão sozinhas. Então o chefe pede para desligar o som por alguns minutos, abre um envelope e lê uma mensagem desejando boas festas ao seu amigo oculto, o sujeito antes tímido e agora insuportável como dizem aos cochichos, aplaude com força e abraça todo mundo, quem deu o presente e quem recebeu para ele não importa, quer participar de tudo, até chegar sua vez e ele ter a sorte de ser tirado pela mulher do chefe, ali o choro aumentou, a felicidade foi abundante, contou sua história desde quando era criança, passando por dificuldades, vendendo picolé e cheirando cola na rua, confessou que saira com um gay rico por alguns trocados e depois disto não trabalhara  mais, tivera casos até com gays casados, inclusive pediu desculpas, mas  disse que pensava que o chefe era  uma bichona. Só não falou mais abobrinhas  por percepção do DJ que ligou o som e todos voltaram para o clima. Exceto aquele tímido funcionário que no inicio da festa parecia ser mudo. O chefe pediu-lhe educadamente que acompanhasse os seguranças até um ponto de moto-taxi, chegando  lá,  que ele fosse para o meio dos infernos e nunca mais aparecesse na frente dele. O chefe detestava fofoca principalmente com a vida dele…  este era o decimo funcionário demitido por desconfiar da sua masculinidade.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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