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Pesquisa da UFMG sugere novos estudos sobre o efeito estufa

O estudo está sendo feito no reservatório da hidrelétrica de Volta Grande, na bacia do Rio Grande, divisa de Minas Gerais com São Paulo, e mostrou que a emissão foi menor que o esperado.

Pesquisa da UFMG sugere novos estudos sobre o efeito estufa
Pesquisa da UFMG sugere novos estudos sobre o efeito estufa

Estudos recentes indicam que reservatórios de hidrelétricas localizados em áreas tropicais têm maior potencial de emissão de gases de efeito estufa (GEE) do que aqueles que operam em regiões de clima temperado. No entanto, levantamento preliminar desenvolvido pela UFMG contrapõe-se à literatura convencional e ainda sugere a necessidade de trabalhos sazonais capazes de retratar com maior precisão o comportamento desses reservatórios em relação à mudança climática.

Realizada no reservatório da hidrelétrica de Volta Grande, na bacia do Rio Grande, divisa de Minas Gerais com São Paulo, a pesquisa é resultado da dissertação de mestrado de Guilherme Andrade, defendida neste ano no Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG. Financiado pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o estudo integra o programa UFMG/Aneel-Cemig GT 207 – Desenvolvimento de Metodologias para a Quantificação de Gases de Efeito Estufa em Reservatórios Hidrelétricos, coordenado pelo professor Gilberto Caldeira Bandeira de Melo, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG.

Volta Grande foi escolhida por ser uma usina de pequeno porte e por, até então, não ter sido alvo de estudos sobre emissões de GEE. Lá foram encontrados, no ano passado, durante o período da seca, 840,15 miligramas por metro quadrado de dióxido de carbono e 3,6 miligramas por metro quadrado de metano, por dia. Na comparação com outros 16 reservatórios tropicais (sete em áreas de cerrado, um no semiárido, quatro na Floresta Atlântica e quatro na Amazônia), Volta Grande gerou um volume de gases bem menor do que o esperado, com índice próximo ao encontrado em reservatórios temperados e subtropicais.

Os valores apurados em Volta Grande, reservatório do tipo fio d’água, considera apenas a via difusiva. Para determinar a concentração de gases no reservatório, foram amostrados 18 pontos, tanto no eixo central quanto nas margens. O pesquisador optou pelo uso de equações semiempíricas, método que lhe permitiu estimar a emissão de gases, naqueles pontos, em miligramas por metro quadrado, por dia.

Sazonalidade

O autor do trabalho enfatiza a necessidade de estudos que considerem a sazonalidade e outros fatores para mapear as emissões do reservatório ao longo de todo o ano. ”O tipo e a idade do reservatório, as características do clima e da bacia hidrográfica que o abastece, além das características físico-químicas da água, influenciadas pela existência ou não de aglomerados urbanos na vizinhança e pelo aporte de esgoto e matéria orgânica lançados, são muito importantes”, explica Guilherme Andrade.

De acordo com o autor da pesquisa, as regiões tropicais e temperadas têm uma gama de ambientes muito diversificados, como cerrado, mata atlântica, floresta amazônica, tundra, floresta temperada e taiga. Isso resulta em taxas de emissões igualmente diversificadas, que deveriam ser avaliadas durante um ciclo climático completo. ”Uma amostragem única não revela toda essa variação”, argumenta.

Na visão de Andrade, a literatura técnica da área, principalmente no caso do Brasil, ainda é incipiente. Entre os cerca de 200 reservatórios de usinas hidrelétricas no Brasil, menos de 10% já foram estudados, aspecto que provoca distorções. “A maioria está localizada nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, formadas por biomas diferentes, o que dificulta a compreensão do impacto dos reservatórios tropicais sobre as mudanças climáticas”, afirma o autor. Ele lembra, também, que as emissões de GEE pelos reservatórios ainda não é discriminada em inventários oficiais. O Ministério de Minas e Energia considera apenas as emissões provenientes dos setores industrial, agropecuário, serviços, além das chamadas emissões fugidias.

A falta de investimentos em pesquisa também limita a abrangência dos estudos. “Muitos empreendimentos de menor porte, como as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), não são estudados”, observa o autor.

Com assessoria de imprensa da UFMG 

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