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Coluna – Haroldo Lívio: Grãomogolense de coração e de olhos azuis

A casa do amigo Haroldo Lívio de Oliveira, na Rua Luís Gonçalves, 74, no Centro Histórico de Grão Mogol estava fechada, ontem. Pelo menos era o que parecia. Um dia após o sepultamento dele, em Montes Claros, o silêncio reinante ali dentro combinava com a canícula do meio dia, dando a impressão de que Macondo era aqui, em Grão Mogol. Macondo é lugar imaginado pelo escritor colombiano Gabriel Garcia Marques, Prêmio Nobel de Literatura, no livro Cem Anos de Solidão.

A casa do amigo Haroldo Lívio de Oliveira
A casa do amigo Haroldo Lívio de Oliveira

Furtivamente espiei a casa por fora e por dentro do jardim e do pomar onde as mangueiras – mangas espada, comum e ubá –, regurgitam frutos sob o calor da canícula de 35º, com impressão térmica de 40º. Não havia viv’alma na rua. Mas da casa em frente, vinha da janela aberta uma voz de mulher ao celular. Primeiro ouvi a voz. E enquanto ouvia, tratava de sacar algumas fotos da casa de Haroldo.

A voz que saiu da janela da casa em frente era de dona Zazá – menos conhecida por Maria do Rosário. Ela falava ao telefone e percebi num átimo que poderia ser uma boa fonte de informações sobre o amigo Haroldo Lívio, que adquiriu aquela casa faz “uns 20 anos”, segundo ela.

Dona Zazá disse não ter tido o privilégio de conviver com Haroldo Lívio, mas o conhecia e com ele batia papos superficiais o suficiente para perceber que “era meio fechado”. Não era bem assim, dona Zazá. Era o jeitão dele. Haroldo era um camarada que gostava de conversar. Os amigos frequentadores do Café Galo, de Montes Claros, que o digam.

Mas ali diante do portão da casa de Haroldo Lívio, espiando o interior do jardim, pude sentir o quanto o lugar é aprazível. Imaginei que por ali beija-flores habitassem em profusão. E quando as mangas vão se amadurecendo, os passarinhos fazem a festa. As maitacas estão aí pra isso mesmo, se fartarem com as mangas e as demais frutas da época.

Particularmente, acho que o amigo Haroldo Lívio fez uma bela aquisição ao comprar a casa em Grão Mogol, por todos os motivos, e principalmente porque esta cidade é “sui-generis” e ele teve olhar e alma para perceber o que percebo com a maior clareza.

Só numa coisa creio eu, Haroldo Lívio pecou: não largou mão de tudo para se mudar definitivamente pra Grão Mogol. Dona Zazá me disse que ele ficara um longo tempo aqui, quando as filhas eram pequenas. Mas depois que elas cresceram teve de fixar mais em Montes Claros porque as crianças já não eram tão crianças assim e tinham de estudar.

Frequentemente, ao longo desses 20 anos, Haroldo estava sempre em Grão Mogol onde fez amigos como Geraldo Frois e Lúcio Bemquerer. Entretanto, ele não vinha à cidade já fazia sete meses, quando há um mês veio com uma das filhas a fim de descansar e se preparar para uma bem sucedida cirurgia de bexiga.

Mas o que o levou de nós foi alguma complicação com diabetes e segundo dizem, ele teria ficado muito sentido com a morte do irmão, Fernando, há cerca de dez meses.

O importante em meio a tudo isso é que Haroldo Lívio cumpriu a missão e partiu como partiremos todos, cada um ao seu tempo. Deixou-nos um legado de crônicas, publicou Nelson o Personagem e iluminou Montes Claros com a sua cultura e a verve literária.

De hoje em diante, os grãomogolenses que passarem pela porta de casa de número 74 da Rua Luís Gonçalves irão olhar lá pra dentro e dizer: “Esta é a casa de Haroldo Lívio, grãomogolense de coração e de olhos azuis”.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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