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Montes Claros – 300 moradores em situação de rua são atendidos em Montes Claros‏

O Consultório na Rua é um programa do Governo Federal, instituído pela Política Nacional de Atenção Básica. Ele integra o componente Atenção Básica da Rede de Atenção Psicossocial. O objetivo do programa é servir como uma ponte entre o morador em situação de rua e os serviços de saúde e de reinserção social. “O nosso objetivo maior é que esse sujeito seja atendido no serviço de saúde sem a nossa intervenção. Nós fazemos esse papel facilitador”, explica a coordenadora do Consultório na Rua em Montes Claros, Maria Clerismar Pereira dos Santos, que é enfermeira, especialista em Saúde da Família e possui experiência de aproximadamente 18 anos na área de saúde mental.

O Consultório na Rua é um programa do Governo Federal, instituído pela Política Nacional de Atenção Básica.
O Consultório na Rua é um programa do Governo Federal, instituído pela Política Nacional de Atenção Básica.

Ela informa que há em Montes Claros, aproximadamente, 300 pessoas em situação de rua.  “Não tiramos ninguém da rua. Oferecemos cuidados de saúde. Por exemplo, se há uma gestante que nunca fez uma consulta, a equipe encaminha a moradora para realizar as consultas e os exames necessários de um pré-natal”, exemplifica a coordenadora, que ainda informa que o Consultório na Rua trabalha integrado com o Centro Pop, CRAS e CREAS. “O serviço pode ser feito na rua mesmo ou em uma unidade de saúde mais próxima, ou mesmo em algum hospital, se for necessário”, complementa Maria Clerismar.

Os moradores em situação de rua cadastrados em Montes Claros são atendidos por uma equipe multidisciplinar, composta por um médico, um enfermeiro, uma psicóloga, uma assistente social, dois agentes comunitários de saúde, um técnico de enfermagem e um motorista. L.G.S, 26 anos, é um dos atendidos pela equipe do Consultório na Rua. Após sair da casa dos pais, morou na rua e hoje está em uma casa abandonada. Ele justifica: “Eu gosto de viver isolado. Minha família é a que vocês estão vendo aqui”, disse L.G.S à equipe de reportagem.

DESAFIOS – A agente e oficineira Renata Souza Durães está na equipe há apenas quatro meses, mas já se adaptou aos desafios do trabalho. “Eu estou gostando muito, pois trabalhamos com os invisíveis, com pessoas que a gente não olhava antes. Você aprende a respeitar a individualidade do outro. Desenvolvemos um serviço para cuidar da saúde da população, não só em situação de rua, mas para toda a população também”, defende a agente.

Segundo a coordenadora, Renata está certa, pois entre os moradores há casos de doenças sexualmente transmissíveis, como HIV/AIDS e sífilis, casos de tuberculose, entre outras patologias. “Trabalhamos com a ideia de redução de danos, ou seja, não disseminar doenças. Se eu trato do morador em situação de rua, ele não vai transmitir doenças para outras pessoas”, esclarece Maria Clerismar. Além das patologias, estes moradores também costumam apresentar problemas com drogas. “O perfil é assim: ou ele é usuário de drogas e vai morar nas ruas, ou mora nas ruas e começa a usar drogas”, afirma a coordenadora.

Desenvolver esse trabalho não é fácil, afirma a enfermeira. “É desafiador. Quando a pessoa está na rua, ela já rompeu com todo o resto. Essa pessoa nem se reconhece mais como pessoa. Nós temos que lidar também com a hipocrisia da sociedade, que questiona o trabalho da equipe. E o morador em situação de rua tem o direito de estar nas ruas. Ninguém é igual a ninguém. Quem padroniza a conduta é a sociedade”, esclarece Clerismar.

Apesar das dificuldades, ela não desanima e destaca que atua tendo como base a equidade, ou seja, tratar as pessoas como iguais. Por isso, a coordenadora defende que a equipe do Consultório na Rua conduz os trabalhos a partir da seguinte ideia: “Levamos para quem tem menos um pouco mais”.

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