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Coluna – A nossa tragédia educacional

É uma das maiores vergonhas nossas, porque existem outras, mas muitos brasileiros, em vez de irem às ruas ou irem à Brasília e cobrar pessoalmente do Planalto e do Congresso uma atitude que não seja hipócrita, para a Educação brasileira, costuma fazer piada sobre a mediocridade do ensino público brasileiro. A considerar isso piada, é a maior do gênero mau-gosto.

professoras2 (jornalmontesclaros)Como disse o senador Cristóvão Buarque, em um artigo publicado sob o título “A tragédia sem fingimento”, o resultado desta vez “foi tão gritante, que além de substituir o vestibular o Brasil está percebendo os resultados negativos que o ENEM mostrou para a situação do ensino médio no Brasil”.

É preciso encontrar o porquê de tamanha indiferença em relação à Educação no Brasil, essa falta de atitude do governo federal, que só sabe prometer em discursos demagógicos, mas efetivamente deixa o barco navegar tocado apenas pelos ventos, sem um rumo.

Aliás, essa indiferença não é de hoje. Estamos vivendo, ainda, as consequências nefastas da ditadura militar que amordaçou o Brasil, enquanto países muito menores que o nosso, como a Coreia do Sul, nos dá um banho em matéria de Educação.

A explicação mais plausível para tentar explicar esse atraso dilacerante é a necessidade de os governos conservarem os cidadãos ignorantes para assim poder perpetuar no poder. Um povo ignorante é muito mais fácil de dominar do que gente letrada, estudiosa e bem informada a respeito de tudo e principalmente dos desmandos cometidos com o dinheiro público.

Dona Alba (jornalmontesclaros)Os bons exemplos em matéria de como tornar a Educação prioridade estão em várias partes do mundo. Se não se tem criatividade para inventar uma maneira mais eficiente e objetiva de educar os cidadãos, basta então copiar o que a Coreia do Sul faz e o Japão fez e continua fazendo. Que o Brasil envie filhos para fora do País com o compromisso de buscar conhecimentos, tecnologias e o que mais for para dar uma sacudida nesta Nação.

Não há remédio mais eficaz para o Brasil que a Educação. Mas é importante salientar que a Educação não resolverá os problemas do País, mas melhorará os brasileiros e os brasileiros irão transformar o Brasil. Nós não podemos continuar nessa inércia esperando por alguma coisa, que não irá acontecer, aconteça. Temos que provocar uma reação, porque sabemos ser a pressão sobre os governantes uma atitude democrática. Ou estamos todos satisfeitos com as águas da mediocridade que afogam o País.

Nem somos mais os melhores no futebol, que em detrimento dos que poderiam vencer na vida usando a cabeça e as mãos, são muitas vezes mais reconhecidos e bem pagos os que usam os pés e às vezes só têm uma bola na cabeça. Nada mais.

Na Coreia do Sul os melhores salários são dos professores. Agora, imaginem a qualidade da infraestrutura oferecida aos estudantes. Lá, como aqui, antigamente, os professores são considerados mestres, enquanto no Brasil eles são ofendidos, agredidos e recebem salários miseráveis.

Foi-se o tempo em que a profissão de professor era considerada “sacerdócio”. Professor tem necessidades semelhantes às de todos nós. Precisam pagar contas e investir em livros e estudos para bem se reciclar e aprimorar a fim de formar valores que possam retribuir de alguma forma positiva o investimento feito.

Em meio aos 6 milhões “de nossos melhores alunos do ensino médio, os que fizeram o ENEM, 500 mil tiraram nota zero na redação, apenas 200 tiraram a nota máxima”, como escreveu Buarque. Uma vergonha nacional. E a propósito, qual seria a nota do leitor, a essa altura, ao ensino público brasileiro? Façamos reflexão sobre isto.

Os alunos não são estimulados convenientemente a ler livros. Preferem os artigos eletrônicos. A moçada de hoje tem preguiça de ler. E quem não lê não possui mente aberta e olhos para enxergar os problemas nacionais e as suas benesses também.

A situação atual pode ser resumida nisto: o governo faz de conta que paga os professores, muitos deles amedrontados, ameaçados e agredidos e por isso estes fazem de conta que ensinam e os alunos fazem de conta que aprendem. Muitos deles saem do ensino médio sem saber fazer um ó com o fundo duma garrafa PET de refrigerante que polui o nosso ambiente. Mas isto é outra vergonha nacional.

Fotos: minha turma do terceira ano do então primário e professoras nossas do Grupo Escolar Gonçalves Chaves (créditos: Eduardo Alkimim e arquivo de Dona Dorzinha – Maria das Dores Guimarães Gomes)

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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