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Brasil – Pelo menos 2 mortos e mais de 20 feridos no Complexo Prisional do Curado em Recife

O clima segue tenso no Complexo Prisional do Curado, antigo Aníbal Bruno, no bairro do Curado, Zona Oeste do Recife. Pelo menos duas pessoas foram mortas – entre elas um sargento da Polícia Militar – e 29 ficaram feridas durante uma rebelião iniciada na tarde desta segunda-feira (19). Um dos mortos é o policial Carlos Silveira do Carmo, de 44 anos, e o outro é o detento Edivaldo Barros da Silva Filho, 34.

Carlos Silveira trabalhava na corporação há 24 anos e foi morto com um tiro na cabeça. Ele ainda chegou a ser atendido no Hospital Otávio de Freitas, mas não resistiu aos ferimentos. Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco lamentou a morte do sargento e decretou luto oficial de três dias.

De acordo com a assessoria da Secretaria de Ressocialização, os detentos das três unidades prisionais do complexo iniciaram um movimento que reivindica uma maior celeridade no julgamento dos processos.

Na unidade prisional Juiz Antônio Luiz de Lins e Barros, alguns detentos chegaram a ser detidos pela Polícia Militar, mas arrombaram as celas e voltaram a fazer tumulto. Já na unidade Agente Marcelo Francisco de Araújo é onde se concentra o maior número de confusões ocasionadas pelos detentos.

Eles exigem a presença do promotor de Execuções Penais Marcellus Ugiette. No entanto, legalmente Ugiette não responde pelo Complexo do Curado, já que atua na 2ª vara. Os detentos das unidades prisionais do complexo são atendidos pela 1ª vara. Marcellus atuou durante oito anos no Estado, atendendo a todas as unidades prisionais. Os presos também solicitam a presença do antigo juiz de execuções penais Adeíldo Nunes, substituído por Luiz Rocha. Os presos avisam que só vão parar a rebelião quando conseguirem falar com Ugiette e Adeíldo Nunes. As informações foram passadas por familiares que conseguem falar com os presos por celular.

A reportagem entrou em contato com o procurador geral do Estado, Carlos Guerra, para saber o que será feito, no entanto ele informou que esse não é o momento de o Ministério Público entrar no presídio. “Quem tem que controlar é a polícia, os agentes penitenciários”, afirmou. Alguns presos prometem por telefone fazer uma nova rebelião caso não sejam atendidos até a manhã desta terça-feira (20). Os familiares estão apreensivos.

O CASO – Ainda pela manhã, o Batalhão de Choque da Polícia Militar foi acionado para conter um tumulto em um dos pavilhões do Complexo Prisional do Curado. Durante o dia, vários presos foram flagrados portando facas e facões (Ver imagens). Os detentos atearam fogo em colchões e o Corpo de Bombeiros também foi acionado.

COMPLEXO DO CURADO – É formado por três unidades: o Presídio ASP Marcelo Francisco de Araújo, o Presídio Frei Damião de Bozzano e o Presídio Juiz Antônio Luiz de Lins Barros. Atualmente, há pouco mais de 6 mil presos espremidos num espaço com capacidade para 1,3 mil detentos.

Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco disse que o delegado João Paulo Andrade, da 4ª Delegacia de Homicídios, foi designado para apurar a morte do sargento da Polícia Militar de Pernambuco, ocorrida no Complexo Prisional do Curado.

Leia a nota da Polícia Militar na íntegra:

A PM-PE Manifesta profundo pesar pelo falecimento do 1º sargento Carlos Vieira do Carmo, 4, casado, 3 filhos, 24 anos de corporação, lotado há seis meses no Batalhão de Guardas.

Atualmente exercia atividades no Complexo Prisional do Curado, quando na tarde de hoje (19), no pleno exercício de sua missão, foi atingido por um projétil de arma de fogo, durante inspeção na guarita central que liga as três unidades daquele complexo prisional, onde ocorreu um tumulto generalizado em duas unidades durante o dia de hoje.

O Comando Geral da corporação lamenta profundamente o ocorrido, declara luto oficial na corporação por três dias e presta o apoio necessário aos familiares através do Centro de Assistência Social da corporação e do batalhão ao qual pertencia o sargento.

SISTEMA EM CRISE – Nos primeiros dias de janeiro, o novo governador de Pernambuco, Paulo Câmara, enfrentou a primeira crise no caótico sistema prisional do Estado. Em apenas quatro meses e uma semana como secretário de ressocialização, Humberto Inojosa renunciou ao cargo. Em seu lugar, assumiu o coronel da PM Eden Vespaziano. Na ocasião, o  secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, anunciou também um pacote de medidas. A promessa mais ousada foi acabar com a circulação de armas brancas e celulares nas unidades prisionais, feita três dias depois da Rede Globo divulgar flagrantes registrados no Complexo do Curado.  O sistema prisional do Estado é proporcionalmente o mais superlotado do Brasil, com déficit de agentes penitenciários e policiais militares para a segurança e monitoramento. Hoje, existem cerca de 31 mil detentos onde caberiam 10 mil deles.

No Complexo do Curado, uma rebelião foi deflagrada na véspera de Natal e por pouco detentos não conseguiram fugir por um túnel. A Globo divulgou imagens de presos circulando com facões e celulares, sem serem importunados, no complexo, a maior unidade do Estado. No último dia 7, o Batalhão de Choque foi ao local e fez uma varredura, encontrando cerca de 40 armas e celulares.

Galeria de Imagens:

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