Inicio » Colunistas » Coluna – O animal predador

Coluna – O animal predador

Recentes estudos divulgados pela revista nature revelam que o mundo está à beira de uma sexta extinção em massa das espécies. Os cientistas concluíram que a atual taxa de extinção da biodiversidade está mil vezes maior do que seria o normal. Segundo a pesquisa, o rápido desaparecimento de animais seria um fenômeno provocado pela ação do homem: a poluição, o desmatamento desenfreado, as mudanças climáticas, entre outras tantas ações predatórias.

Em todo o mundo, 13% dos pássaros, 26% dos mamíferos e 41% dos anfíbios estão ameaçados de aniquilação. As taxas de extermínio das espécies podem chegar a 0,7% ao ano, um percentual 100 vezes maior que a registrada antes da era moderna.

Sabemos que a interferência humana levou à obliteração milhares de espécies na última centena de anos. A escala da redução de populações de espécies é generalizada e muito grande, chegando a atingir cerca de vinte milhões de animais selvagens mortos por ano, apenas em regiões como a África Central. Nas palavras do pesquisador português Henrique Miguel Pereira, considerada uma das maiores autoridades, em todo o mundo, sobre o assunto: “Podemos agir para mudar essa história”. De fato, as taxas de extinções atuais são comparáveis ou maiores que aquelas observadas nos outros cinco eventos catastróficos.

Como se não fosse suficiente o que fazemos com os demais animais terrestres, temos também exterminado, há tempos, os próprios seres humanos. Isso mesmo. Matamos irracionalmente uns aos outros! Temos provocado o extermínio direto de nossa própria espécie! A história nos relegas diversos episódios para reflexão. Deixo aqui alguns deles, entre outros: o terror no Timor Leste, ocasião em que 150 mil timorenses foram vitimados (1975-1999); a terrível crueldade na Bósnia, entre os anos de 1992 e 1995, em que 200 mil cidadãos bósnios foram mortos pelas milícias e exército sérvio e outros 2 milhões foram refugiados; o massacre em Ruanda, ocorrido em abril de 1994, ocasião em que 700 mil Tutsis foram mortos e outros 200 mil refugiados, em razão da ação das milícias Hútus; a morte em massa na Armênia, entre os anos de 1915 e 1917, em que 1,5 milhão de armênios foram mortos pelos Turcos otomanos e outros 500 mil deportados; o massacre no Camboja, entre os anos de 1975 e 1979, provocado pelo Khmer Vermelho, vitimando 1,7 milhão de pessoas; o genocídio ucraniano, ocorrido entre 1932 e 1933, oportunidade em que 3 milhões de ucranianos foram mortos em razão de ação da extinta União Soviética; o holocausto judeu, ocorrido durante a segunda grande guerra (1939-1945), onde 6 milhões de judeus foram covardemente exterminados pelos nazistas.

Na história atual, da mesma maneira, o mundo sofre com a ação predatória e insensata de almas infelizes. Refiro-me aqui ao terrorismo internacional. O atentado em Peshawar, uma cidade de 3 milhões de habitantes, realizado pelo braço paquistanês do Talibã, foi um deles. O terrível ataque ceifou a vida de 145 pessoas, sendo 132 crianças ou adolescentes, com idade entre 5 e 17 anos, buscadas debaixo dos bancos escolares pelos terroristas. O desespero de mães enterrando, em prantos, suas crianças foi, uma vez mais, assustador! Como não se emocionar?

Precisamos fazer algo para por fim ao massacre de inocentes, tantas vezes repetido na história. De igual maneira, temos que controlar o avanço da extinção indiscriminada de espécies. O mundo deve se unir para tanto. Nós também podemos fazer bem mais. Conhecer o que se passa em nosso planeta já é um início. Nas palavras de Madre Teresa de Calcutá, “dê ao mundo o melhor de você. Mas isso pode não ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo. Veja você que, no final das contas, é tudo entre você e Deus. Nunca foi entre você e os outros”. Se ainda assim ficar triste, lembre-se do poema encontrado na parede de um dormitório de crianças no campo de extermínio nazista de Auschwitz:

“Amanhã fico triste,

Amanhã.

Hoje não.

Hoje fico alegre.

E todos os dias,

por mais amargos que sejam,

Eu digo:

Amanhã fico triste,

Hoje não.

Para Hoje e todos os outros dias!”

Por Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacionalde Polícia

Dr. Marcelo Freitas
Dr. Marcelo Freitas

------------------------------------------------------------------------

Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o site do Jornal Montes Claros


------------------------------------------------------------------------

------------------------------------------------------------------------

Leia Também

Montes Claros - PM procura por autores de roubo a posto de saúde no bairro Morada do Sol

Montes Claros – PM procura por autores de roubo a posto de saúde no bairro Morada do Sol

Compartilhar no WhatsApp* Por: Jornal Montes Claros - 9 de dezembro de 2016.Montes Claros – …


Aviso: nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto, e esperamos que as conversas nos comentários sejam respeituosas e construtivas. O espaço abaixo é destinado para discussões, para debatermos o tema e criticar ideias, não as pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão, de maneira nenhuma, tolerados, e nos damos o direito de excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, calunioso, preconceituoso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem um nome completo e email válido).