Inicio » Colunistas » Alberto Sena » Coluna – Que os grãomogolenses não percam a audiência do Ibama sobre a SAM

Coluna – Que os grãomogolenses não percam a audiência do Ibama sobre a SAM

É de suma importância a participação de todo grãomogolense a esta audiência pública anunciada pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (Ibama), dia 5 de fevereiro, no Ginásio Quita Benquerer. É possível que muita gente ainda não tenha ideia da dimensão do que significará a chegada a Grão Mogol da SAM – Sul Americana de Metais, controlada por chineses.

Não se deve ser contra a mineração, considerando que muitos dos objetos de uso corriqueiro são originariamente subprodutos do minério de ferro. Mas também não se deve ficar de boca aberta achando que a empresa será “a salvação da lavoura”. Faça o que fizer no município de Grão Mogol, a SAM levará daqui muito, mas muito mais mesmo do que poderá deixar quando a exploração do minério terminar.

BURACO?!

E quando a exploração do minério terminar as adjacências do distrito Vale das Cancelas ficará com um buraco – se é que se poderá chamar apenas de buraco – de cerca de 400 metros de profundidade. Além de uma série de problemas, se antes de tudo começar os grãomogolenses unidos não exigirem um plano justo e de leitura simples a respeito do que a empresa tem que apresentar antes de começar a pôr as suas máquinas gigantes pra trabalhar.

Os grãomogolenses não devem se conformar somente com o pagamento dos royalties que toda empresa do tipo tem que pagar por lei. No caso da SAM, não se deve conformar só com o pagamento royalties e as duas barragens que a empresa diz que fará – são para uso dela, principalmente – e deixará depois que a exploração terminar.

Tudo bem. Mas os grãomogolenses devem exigir da empresa o estudo das carências e das necessidades da população e faça um plano de atendimento dessas carências e necessidades. E que ninguém se iluda com a promessa de criação de 9 mil empregos. A SAM promete os empregos, mas isto não acontecerá duma vez, já no primeiro momento. Isso poderá ocorrer ao longo do tempo, digamos, 30 anos, tempo que a empresa calcula que ficará na região.

MOTIVO DO ALERTA

Faço esse alerta aos grãomogolenses porque gosto de Grão Mogol e não quero ver o município ser explorado, como se fosse uma laranja chupada e ao final sobrar só a bucha. Como jornalista que iniciou a cobertura de Meio Ambiente na mídia mineira, já vi esse filme várias vezes em locais diferentes.

Mas a ação mais gritante foi da empresa Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), do tempo da ditadura militar, na década de 70. A empresa tinha modos autoritários, arrogantes, queria destruir o principal cartão postal de Belo Horizonte, a Serra do Curral. Havia, à época, um estudo da Fundação João Pinheiro que informava: Em 15 anos estaria aberto um buraco na Serra do Curral com profundidade comparada ao nível da Praça Rui Barbosa, a praça da estação.

Denunciamos essa impropriedade em uma série de reportagens editadas por Roberto Drummond. As reportagens repercutiram. O poeta Carlos Drummond de Andrade tomou conhecimento e publicou o poema “Triste Horizonte”, reforçando as reportagens publicadas no jornal Estado de Minas.

Resultado: a MBR teve que mandar os seus técnicos à Europa em busca de tecnologia e encontrou a exploração por bancadas como a saída para não destruir o frontispício do cartão postal de BH. Com o tempo, vigiada de perto, a MBR foi mudando de mão e ao final tornou-se um exemplo de mineradora que cumpria todos os requisitos ambientais.

PARTICIPAÇÃO

Participei de duas das quatro reuniões da SAM feitas em dezembro de 2014, em Grão Mogol. Confesso que fiquei preocupado: a primeira delas, na Casa da Cultura, apenas seis pessoas participaram, sendo três de fora. Na reunião realizada na Câmara Municipal, apenas quatro dos 11 vereadores participaram e nenhum cidadão mais de Grão Mogol. E olhe que a SAM fez as reuniões para apresentar o Projeto Rio Pardo, este mesmo projeto que o Ibama chama para a audiência de 5 de fevereiro.

É possível que o município de Grão Mogol sofra uma intervenção senão igual a do garimpo de diamantes, por meio do qual surgiu a cidade, em meados do século 18, maior, bem maior, com a chegada da SAM – Sul Americana de Metais. A empresa só depende de três licenças do Ibama para iniciar os trabalhos de extração de minério de ferro: Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO). A concessão da primeira licença sinaliza a liberação das outras duas.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
Alberto Sena
------------------------------------------------------------------------

Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o site do Jornal Montes Claros


------------------------------------------------------------------------

------------------------------------------------------------------------

Leia Também

VLI abre vagas para programa Jovem Aprendiz em Montes Claros

VLI abre vagas para programa Jovem Aprendiz em Montes Claros

Compartilhar no WhatsApp* Por: Jornal Montes Claros - 8 de dezembro de 2016.VLI abre vagas …


Aviso: nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto, e esperamos que as conversas nos comentários sejam respeituosas e construtivas. O espaço abaixo é destinado para discussões, para debatermos o tema e criticar ideias, não as pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão, de maneira nenhuma, tolerados, e nos damos o direito de excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, calunioso, preconceituoso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem um nome completo e email válido).