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Coluna – Casa da Imprensa de MOC compra a linotipo histórica

Só falta a Unimontes fazer a parte dela recebendo a máquina no Museu Regional.

A linotipo que corria risco de virar ferro velho está salva. A Casa da Imprensa de Montes Claros, por intermédio da presidente Felicidade Tupinambá, percebeu o perigo de se perder para sempre uma máquina histórica que durante anos foi manuseada pelo linotipista Andrezzo, Anselmo e outros no O Jornal de Montes Claros, e gravou um sem número de notícias no chumbo.

É possível que a linotipo fique no Museu Regional de Montes Claros, da Unimontes, porque “não adianta comprar para colocar em qualquer lugar”, entende Felicidade Tupinambá. Ela tem toda razão. Assim que a Unimontes aceitar receber a linotipo, ela terá um tratamento muito mais digno. A máquina ainda funciona. O próprio Anselmo que a operou no passado estará encarregado de dar um trato nela.

Convidado por Felicidade, Anselmo aceitou a empreitada. “Ele até emocionou com o convite”, disse ela. Com toda a simpatia que lhe é peculiar, Felicidade disse que está esperando concluir os contatos com a Unimontes para dar a notícia “por inteiro”. Como recentemente ouvi o pedido de “socorrooo” da linotipo, e me senti como escrevinhador da crônica cuja repercussão foi enorme – “Uma linotipo histórica pede socorro para não ser vendida ao ferro velho” – me senti no direito de “dar o furo”, para usar expressão cunhada a chumbo na época em que a máquina reinava nas oficinas de todos os jornais impressos até a década de 70.

Um dos que confirmaram o fato de a linotipo ser a mesma utilizada por Andrezzo foi Arnaldo Antônio de Jesus, de Taiobeiras (MG), ex-funcionário do O Jornal de Montes Claros. Ele leu o pedido de socorro da linotipo, pedido feito por intermédio de Viviane Marques Terence, que com toda razão não via o menor nexo deixar desaparecer uma máquina desta importância, com todo valor histórico nela contido, com todos os furos de reportagens que ela gravou no chumbo durante décadas.

“Que saudade dos grandes furos e de ter que refazer toda a primeira página acompanhado do sr. Waldir Senna para ser o primeiro a dar aquela notícia de manchete: “Reunião da Sudene com todos os governadores do Nordeste em MOC”, lembrou ele. E em seguida, Arnaldo convocou “os srs. Garcia, Paulo Braga, Said, Pedro Ricardo, Luiz Ribeiro, Girleno, João Babão, Avilmar “Negritinho”, Falcão, Graça, Genny e demais daquele grande time dos anos 80 e 90 do O Jornal De Montes Claros, onde ficamos até o fim”.

Em mensagem enviada, Arnaldo ressaltou: “… Não sou seu contemporâneo, mais participei ativamente na gráfica do “Mais Lido”, no final dos anos 70 e 80, até o seu fechamento, e esta é sim a máquina do Andrezzo, Milton Ruas e que o Tião Camurça e Zé Branco alimentavam de chumbo e com ela o Garcia “Nezinho” sonhava ser um dia um grande linotipista.

“Que máquina, heim, alimentava de chumbo derretido a 600 graus e cuspia grandes noticias”, ele recordou. Foi num tempo, lembrou, em que “Lazinho Pimenta ficava preocupado com as fotos das suas ninfetas”. E completou: “Passei por está respeitada faculdade onde me formei e aprendi a respeitar e amar, por isso, e muito mais, eu quero participar do resgate da historia do “Mais Lido” e nós vamos salvar está linotipo”, disse enfático.

Como foi noticiado acima, “em primeira mão” – para citar outra expressão daquela época em que as notícias pareciam ter cheiro e peso de chumbo – a linotipo está salva e podemos todos dormir tranquilos. Aproveito a oportunidade para me desculpar com Felicidade Tupinambá por ter dado a notícia antes da conclusão dos contatos com a Unimontes, que, particularmente, aplaudo.

Mas é porque o repórter que insiste em predominar em mim estava o tempo todo me perguntando: “No que deu o caso da linotipo”. Vai que, hoje cedo, mandei uma mensagem para Viviane Marques perguntando. E ela me deu a notícia de que a Casa da Imprensa de Montes Claros havia comprado, por intermédio de Felicidade Tupinambá. Vai daí que o repórter que há em mim quis logo publicar o fato, mesmo ela tendo pedido para deixar para o final. Mas ela não sabia que eu não tenho poder nenhum sobre o repórter que há em mim. Se o repórter que há em mim tem a notícia e eu quiser impedi-lo de publicar, aí a coisa fica feia.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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