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Coluna – Dois casos

– Olá tudo bem garota? – Ei palhaço, tá cantando minha namorada? – Não senhor, estou apenas cumprimentando a minha amiga do Facebook! – Que Facebook é esse Cristiane, você me disse que não tinha? – Sei não meu bem, esse cara deve estar me confundindo com outra pessoa, não tenho! – Tô não, “Cris Fogosa” é o seu perfil, e você colocou lá em relacionamento aberto! – Cristiane me explica essa porra agora! Ou eu te quebro na porrada e jogo estas alianças na casa do caralho! – Moço (chorosa) eu já te falei que não sou eu esta pessoa, saia já daqui, por favor?!- Como assim, sair daqui, você não disse que queria me ver? O namorado se levanta e tira os óculos escuros, cruza os braços mordendo intermitentemente os lábios e não diz nada. Seus olhos não piscam, revezam entre ela e ele. Um garoto vestido a camisa numero dez do Flamengo passa empurrando um carrinho de picolés. Outro garoto vestindo uma calça azul de malha passa quicando uma bola no chão, a bola tinha uma marca que estava quase invisível, o garoto do picolé observou longamente aquele bate da bola no chão sua vista saiu daquele lugar, seu corpo ficou imóvel, sozinho ali naquele chão, seu pensamento viajou por outros mundos, dentro do sonho que tinha guardado apenas para si, um campo de futebol na Espanha, lotação máxima. Todos gritando pelo seu nome, garotas lindas com sua foto estampadas nas camisetas, outras choravam querendo tocá-lo, o imenso campo de futebol e nenhum outro jogador apenas bolas quicando ao seu lado jogadas de todos os lados, um homem com um microfone na mão saudava o novo reforço do Barcelona, outro de terno e gravata aplaudia suas “embaixadinhas” dezenas de repórteres de todas as línguas buscavam clicar seus melhores ângulos.  A camisa numero dez era sua, chegava para ser titular a era Lionel Messi chegava ao fim. De repente seu novo companheiro de ataque aparece não se sabe de onde para quebrar o protocolo, pegou o microfone e falou em português, a torcida delirava, todos se levantando, era o Neymar, o melhor jogador do mundo seria seu apoiador, fora o responsável direto pela sua contratação, o hino do Barcelona não é mais bonito que o Nacional do Brasil, mas as pessoas colocam a mão no peito, ele também já queria partir dali até o final do contrato, pois ouviria em todos os jogos, seriam cinco longos anos, lágrimas caiam compulsivamente sua mão tremia no peito e seus pés seguiam fazendo embaixadinhas e chutando bolas para a torcida. Seu choro era uma retrospectiva dolorosa, o pai com o salário mínimo, a mãe morta e os outros irmãos saindo com o sol escondido ainda, teriam que fazer dinheiro, o aluguel era caro, o barraco era pequeno a comida era pouca, o pai ainda bebia parte do ganhava, dizia que era por desgostos, saudades da mãe. Ele vendia Picolé… ”PICOLÉ MENINO!” – Tá sonso é? Parece petrificado porra! – Não moço, tava sonhando aqui! O senhor quer de quê?.- Tudo bem CRIS FOGOSA, vá você e seu Facebook para a puta que pariu! As alianças de ouro desceram rodando até chocar-se com o pneu do carrinho de picolé, a moça desesperada chorava baixinho enquanto seu amigo do Facebook abria a bolsa e procurava insistentemente alguma coisa, poucos minutos depois levantou um par de alianças de ouro e com a mão espalmada falou seriamente: – Então, quer mais uma chance de reatar o noivado?

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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