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Coluna – Educação e os desafios da escrita

A escrita é uma prática social que caracteriza com muitíssima propriedade a sociedade letrada em que vivemos e cujo exercício tem representado historicamente grandes desafios enfrentados e trabalhados por profissionais e pesquisadores da educação. Fato constatado e justificado por uma demanda recorrente que aponta, nos movimentos e vivacidade naturais da língua, dificuldades encontradas em concatenar idéias com domínio dos aspectos linguisticos essenciais a clareza e melhor compreensão de textos, exigências básicas da escrita considerada correta do ponto de vista da “norma culta” da qual todos têm o direito de se apropriar.

        Ressalta-se que estas dificuldades são oriundas, em grande parcela, das especificidades peculiares a nossa belíssima língua portuguesa e são, ao contrário do que tende a induzir o senso comum, absolutamente passíveis de serem  compreendidas, analisadas e incorporadas com mais naturalidade para que possam ser paulatinamente superadas. Isso, observando-se critérios que definem as mais diferenciadas situações e contextos de uso da escrita o que sugere  o fato inconteste de que não existem escritas melhores ou piores, mas escritas que comunicam conforme exigências do contexto e respondem por objetivos específicos. Dessa forma, pode-se distinguir a escrita técnica de uma correspondência oficial dirigida a autoridades que sinaliza para a previsibilidade do uso considerado mais adequado dos aspectos linguísticos exigidos para a mesma, de um texto literário em prosa ou verso que dá asas a imaginação e é mais permissível no que concerne ao emprego de variações linguísticas, conforme  criatividade e opção de quem o produz.

       Uma das questões que justifica as dificuldades do ato de escrever refere-se ao fato de a língua falada sugerir uma espontaneidade de comunicação que leva, muitas vezes, a uma compreensível transposição para a escrita. Fato que compromete, dependendo do objetivo da escrita, a essência e beleza que lhe confere aspectos linguísticos que a reveste de toda singularidade e que justifica todos os cuidados necessários e imprescindíveis  ao delicioso, amoroso e sofrido ato de escrever.

      Considerando-se todas as dificuldades em torno da escrita faz-se necessário em primeiro lugar o reconhecimento desse déficit da educação brasileira que é histórico e traz excelentes possibilidades para o redimensionamento e a ressignificação de práticas no sentido da necessidade premente de os Projetos Políticos Pedagógicos priorizarem sempre, a perspectiva da transformação. E, concomitantemente a esta postura parece oportuno sublinhar a importância da valorização maior da escrita como instrumento político de maior participação na vida em sociedade tal qual se nos apresenta a referida prática social que sinaliza universos e vertentes fantásticos do conhecimento. O que sugere um trabalho incisivo de motivação sobretudo nas séries iniciais para que se garanta o protagonismo no processo de construção do conhecimento com bases sólidas alicerçadas pelos prazeres e pelas dores que podem advir do desafiante ato de escrever.

Jeny Canela Perosso [email protected]

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