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Norte de Minas – Como o esporte abriu portas para a vida de 6 jovens atletas de Grão Mogol

Norte de Minas – Como o esporte abriu portas  para a vida de 6  jovens atletas de Grão Mogol

Norte de Minas - Como o esporte abriu portas  para a vida de 6  jovens atletas de Grão Mogol
Norte de Minas – Como o esporte abriu portas para a vida de 6 jovens atletas de Grão Mogol

Eles são seis adolescentes – três rapazes e três moças –, com idade média de 15 anos, cada um tecendo agora o fio da meada da vida. Cada um com sua história incipiente, porém coincidente em um ponto: os seis foram descobertos e são acompanhados por Gabriela Santos Bomfim, acadêmica do curso de Educação Física da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) desde os 7/8 anos de idade, por meio do “Projeto Amo Vôlei”, fruto do seu voluntariado. E é por meio do vôlei, esporte ao alcance de milhares de jovens, que a vida desses seis atletas começa a ser bem traçada.

O escritor italiano Luigi Pirandello escreveu uma peça teatral intitulada “Seis personagens à procura de um autor”. No caso de alguém escrever a história desses jovens, parafraseando Pirandello, o título poderia ser “Seis atletas de vôlei à procura de um diretor”, diretor de um colégio onde pudessem estudar. E eles encontraram o diretor do Colégio Padrão de Montes Claros e foram convidados a defender o time de vôlei e estudar no colégio a partir deste ano de 2015, com “bolsa de estudos”.

CHANCE BOA

Para os jovens, para as suas respectivas famílias, para os amigos e para eles próprios, que se destacam no esporte desde crianças e têm agora a chance de iniciar bem o futuro no presente porque irão estudar e terão que prestar contas à direção do colégio sobre o rendimento em sala de aula e fora dela, pra eles a mudança de Grão Mogol para Montes Claros com esse intuito é considerada maná caído dos céus.

Mas os alunos (agora atletas de vôlei da equipe do Colégio Padrão) terão de “estudar muito para obter boas notas”. Não podem perder aula nem os treinos já iniciados três vezes por semana, as segundas, quartas e sextas-feiras. Isto, em outras palavras, significa para cada um deles “grande oportunidade”. “Disciplina” e a prática do senso comum de cidadania desde cedo. Isso comprova a importância do vôlei como um dos esportes capazes de influir na boa formação da juventude (brasileira) de Grão Mogol. Gabriela Bomfim que o diga por meio dos troféus que exibe sobre um móvel.

ENCONTRO MARCADO

O encontro com os seis jovens foi marcado para as 16h de terça-feira, 17, na casa de Gabriela Bomfim, esposa do advogado Claunidio Bomfim, “o assistente técnico dela”. Como eu tenho o incorrigível “defeito” de nunca chegar na hora certa aos compromissos assumidos, porque meu costume é chegar sempre um pouco antes, tive a grata satisfação de encontrar os seis jovens sentados em sofás na sala da casa. Pelo jeito, eles comungam comigo no quesito pontualidade. Lá estavam dez minutos antes do horário combinado. De cara, eles ganharam pontos comigo, porque se algum atrasasse, eu me sentiria no direito de falar com ele sobre a importância da pontualidade.

ÁLVARO

Estrategicamente, escolhi conversar com todos juntos e em particular, a fim de saber um pouco da história de vida de cada um. Primeiro veio Álvaro Emanuel Ferreira Fontoura, 14 anos, com 1,86 m de altura, certo de que ainda tem estrutura para chegar aos 2 m, estatura boa para tornar-se jogador de vôlei profissional. Evidentemente, como ele disse o vôlei não o impedirá de se tornar fisioterapeuta, profissão que calha bem com o esporte de modo geral. No caso de Álvaro, a bolsa de estudos em Montes Claros veio-lhe como um saque nas estrelas, pois os pais, feirantes em Grão Mogol, não teriam condições financeiras para mantê-lo em escola particular e noutra cidade.

Ele se foi e depois dele veio, pela ordem estabelecida lá dentro, na cozinha, de acordo com o grau de timidez de cada um, como se ali naquela sala corressem o risco de ser submetidos ao teste final. Relaxem. Esta foi a contraordem. E se possível contem-me cada um, separadamente, pouco da sua história.

HENRIQUE

Henrique Santos Bomfim, de 14 anos, disse que já alimentava perspectiva de ir morar em Montes Claros, onde nascera a fim de estudar. Ele juntou a necessidade com a vontade de estudar e sem pensar no que poderia vir depois deparou com a oportunidade de fazer um teste no time do Colégio Padrão e com tudo encima – ele é filho de Gabriela e Claunidio – altura boa para bater na bola e um mundo de sonhos na cabeça, lá se foi ele estudar de segunda a sexta-feira de 7h às 11h40 e treinar terça, quinta e sábado, com o compromisso de jogar pelo Colégio Padrão. Tudo dentro de uma disciplina, e um “modus operandi” novo.

GUSTAVO

O nome do terceiro rapaz do grupo é Gustavo Henrique Dias Oliveira, 15 anos. Ele veio da cozinha onde se encontravam os demais como quem estava em um baile funk, demonstrando mobilidade corporal como convém ao vôlei. Gustavo pensa em estudar para um dia se formar em Educação Física, o que casa direitinho com o esporte praticado por ele com tanto entusiasmo e que lhe abre nessa oportunidade uma porta para um futuro promissor. Na casa dele vivem ele, um irmão e o pai. Gustavo contou com a colaboração da Prefeitura de Grão Mogol para dar conta do uniforme e do material pedido pelo colégio, não incluído nas bolsas de estudos.

LAVÍNIA

Lavínia Marcelly Alves Arruda foi a primeira das três moças a ter comigo uma conversa particular. Com 1,65m de altura, ela tem estatura para se sair bem no vôlei, pois está em fase crescimento, e dar conta de estudar, muito. Ela sabe que a direção da escola está de olho nela e nos demais colegas do grupo. Vê-se na menina dos olhos dela que ela vai vencer. Assim como os demais também haverão de vencer. Neste Carnaval todos vieram a Grão Mogol e a vinda deles foi uma oportunidade para reunir o grupo e com cada um conversar um pouco a fim de que os grãomogolenses pudessem conhecer quem eles são e valorizar/observar atentamente o exemplo deles. Como se diz na roça, oportunidade é como um cavalo arreado, a gente precisa estar de prontidão a fim de montar o cavalo quando ele passar.

ANA CAROLINA

Ana Carolina Santos Frões sorri quase o tempo todo, certamente para demonstrar o grau da felicidade por ter dado um belo saque já aos 14 anos. Desde os 7 anos, ela começou a ganhar intimidade com a bola de vôlei, e hoje, do alto da estatura de 1,70m, ela confessa que pretende estudar muito para ao final prestar vestibular de Direito. Sobrinha de Geraldo Fróis, responsável pelo Horto da Prefeitura de Grão Mogol, ela revela o gosto pela leitura e vai morar na casa da avó, em Montes Claros. Pelo menos por enquanto, a vida dela e das outras colegas se resume em estudar, treinar e estudar.

ANA CECÍLIA

Se Ana Cecília Melo Lopes, de 16 anos não tivesse revelado que é “ponteira” no vôlei, poder-se-ia dizer que ela ocupa a posição nos treinos de vôlei porque essa responsabilidade parece estar escrita na testa dela. Ela só não teve tempo de explicar como é que faz para deixar os cabelos lindos encaracolados, mas tratou de esclarecer que poderá vir a ser uma jogadora profissional e ao mesmo tempo se formar em Medicina, na especialidade de Dermatologia. Pelo modo com ela parece encarar a vida, mais dia menos dia ela concretizará o sonho.

Enfim, depois desse encontro harmonioso em plena terça-feira de Carnaval, os seis atletas que encontraram o diretor de escola, diferentemente dos personagens do escritor Pirandello, seguem céleres, no presente, rumo ao futuro. Que outros casos semelhantes com iniciação para a vida por meio dos esportes surjam e levem outros jovens a ganharem bolsas de estudos para de fato vencerem na vida de modo saudável e o mais eficientemente possível.

Por Alberto Sena

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