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Cinema – Com discursos pró-minorias, Oscar consagra Birdman e Grande Hotel Budapeste

Cinema – Com discursos pró-minorias, Oscar consagra Birdman e Grande Hotel Budapeste

Birdman foi o grande vencedor.
Birdman foi o grande vencedor.

No ano em que se apregoa uma crise da indústria cinematográfica, o Oscar destacou os independente em sua premiação da noite deste domingo (22).Birdman foi o grande vencedor com os troféus de melhor filme e diretor para Alejandro González Iñárritu. O Grande Hotel Budapeste, Whiplash e Boyhoodtambém se destacaram e dividiram a maioria dos prêmios.

A noite também foi marcada por discursos fortes e politizados sobre direitos das minorias.

Birdman saiu com o maior prêmio da noite, melhor filme, além de levar como melhor fotografia e melhor roteiro original. Já Boyhood venceu melhor atriz para Patricia Arquette e. Outra zero surpresa foi a merecida vitória de Julianne Moore por Para Sempre Alice. Depois de vencer em todos os prêmios anteriores ao Oscar ela dedicou a vitória aos pacientes que lutam contra o mal de Alzheimer, tema do longa. “As pessoas precisam ser vistas para que possamos achar uma cura”, disse.

Entre os filmes estrangeiros Ida, da Polônia confirmou o favoritismo. Já em animação, uma surpresa: Operação Big Hero, da Pixar/Marvel bateu o favoritoComo Treinar Seu Dragão 2. Em documentário, Laura Poitras ganhou com Citizenfour, sobre os bastidores do vazamento das espionagens da NSA por Edward Snowden.

Feminismo

O feminismo deu o tom na premiação. O mais importante foi o discurso de Patricia Arquette, que venceu como melhor atriz coadjuvante por Boyhood. Ela pediu equidade de salários para as mulheres. “[Dedico] a toda mulher que já deu a luz, todo cidadão que paga impostos. Esse é a hora de ter igualdade de direitos para as mulheres”. Seu texto foi saudado com entusiasmo por Meryl Streep na plateia, o que se transformou automaticamente em meme nas redes sociais.

Arquette nunca tinha sido indicada ao Oscar e estava afastada de produções importantes. No entanto sua atuação como uma mãe dedicada em Boyhoodrendeu prêmios em toda a temporada: levou Globo de Ouro, Bafta, SAG Awards, Spirit Awards e Critic’s Choice. Ellar Coltrane, que interpretou o seu filho no longa, chorou bastante emocionado na plateia.

Outro ponto a favor de igualdade no Oscar foi a hashtag #askhermore, que protestava contra as perguntas vazias e sexistas feitas pelos entrevistadores no tapete vermelho. Atrizes e fãs pediram que fosse perguntado às atrizes coisas mais relevantes além dos vestidos e cabelo.

A emoção em Selma

Em uma série de apresentações sem muito apelo, variando do tédio (Adam Levine) ao constrangimento (Tegan and Sara), o ponto alto dos shows foi John Legend e Commom com “Glory”, trilha do filme Selma. A Academia tentou se redimir em ter indicado o longa em apenas duas categorias, “música original” e “melhor filme”.

Esse mico já nas indicações abriu uma discussão antiga da baixa representatividade étnica no Oscar. Este ano não houve nenhum ator ou atriz negro indicado em nenhuma das quatro categorias de atuação. E Selma, um longa sobre Martin Luther King Jr., um dos maiores nomes na luta por igualdade racial, foi esnobado em praticamente tudo. A hashtag “OscarSoWhite” (Oscar muito branco) entrou nos Trending Topics momentos antes da premiação.

Ao subir para receber o prêmio John Legend lembrou do racismo que ainda existe nos EUA e atentou para o fato de que o país tem mais negros presos do que escravos em 1850.

Graham fez um dos discursos mais emocionados da noite: “Stay weird”. (Reprodução/TNT).
Graham fez um dos discursos mais emocionados da noite: “Stay weird”. (Reprodução/TNT).

“Stay Weird”

O jovem roteirista Graham Moore fez um discurso emocionado ao agradecer o prêmio de melhor roteiro adaptado por O Jogo da Imitação. Ele lembrou que tentou se matar e disse que todos deveriam se manter fortes e nunca desistir. “Permaneçam ‘esquisitos’, permaneçam diferentes (“Stay weird, stay different”)”, disse.

Apresentado pelo ator Neil Patrick Harris, o Oscar teve roteiro fraco, com muitas autorreferências e piadas bem aquém do ano passado (ex: uma piada sobre escargot ao apresentar Marion Cotillard e tiradas sobre traição ao falar de Edward Snowden que ninguém achou muita graça). Sem ritmo, Harris prolongou uma esquete com suas previsões do prêmio durante todo o evento, cansando a audiência. O único ponto alto foi a abertura que contou com participação de Jack Black e Anna Kendrick e uma paródia de Birdman.

Veja a lista de vencedores (em negrito):

Melhor filme
“Sniper Americano”
“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
“Boyhood – Da Infância à Juventude”
“O Grande Hotel Budapeste”
“O Jogo da Imitação”
“Selma”
“A Teoria de Tudo”
“Whiplash – Em Busca da Perfeição”

Melhor direção
Alejandro G. Iñárritu – “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
Richard Linklater – “Boyhood – Da Infância à Juventude”
Bennett Miller – “Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”
Wes Anderson – “O Grande Hotel Budapeste”
Morten Tyldum – “O Jogo da Imitação”

Melhor atriz
Marion Cotillard (“Dois Dias, uma Noite”)
Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”)
Julianne Moore (“Para Sempre Alice”)
Reese Witherspoon (“Livre”)
Rosamund Pike (“Garota Exemplar”)

Melhor ator
Steve Carell (“Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”)
Benedict Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”)
Michael Keaton (“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”)
Bradley Cooper (“Sniper Americano”)

Melhor atriz coadjuvante
Patricia Arquette, “Boyhood – Da Infância à Juventude”

Keira Knightley, “O Jogo da Imitação”
Emma Stone, “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
Meryl Streep, “Caminhos da Floresta”
Laura Dern, “Livre”

Melhor ator coadjuvante
J.K. Simmons (“Whiplash: Em Busca da Perfeição”)
Edward Norton (“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”)
Ethan Hawke (“Boyhood – Da Infância à Juventude”)
Mark Ruffalo (“Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”)
Robert Duvall (“O Juiz”)

Melhor roteiro original
Wes Anderson, “O Grande Hotel Budapeste”
Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo
Alejandro González Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo, “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
Richard Linklater, “Boyhood – Da Infância à Juventude”
Dan Gilroy, “O Abutre”

Melhor roteiro adaptado
“Sniper Americano”
“O Jogo da Imitação”
“Vício Inerente”
“A Teoria de Tudo”
“Whiplash: Em Busca da Perfeição”

Melhor canção original
“Everything Is Awesome”, Shawn Patterson (“Uma Aventura Lego”)
“Glory”, by John Stephens e Lonnie Lynn (“Selma”)
“Grateful”, Diane Warren (“Além das Luzes”)
“I’m Not Gonna Miss You”, Glen Campbell e Julian Raymond (“Glen Campbell… I’ll Be Me”)
“Lost Stars”, Gregg Alexander e Danielle Brisebois (“Mesmo Se Nada Der Certo”)

Melhor fotografia
Emmanuel Lubezki – “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
Robert Yeoman – “O Grande Hotel Budapeste”
Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski – “Ida”
Dick Pope – “Sr. Turner”
Roger Deakins – “Invencível”

Melhor longa de animação
“Operação Big Hero” – Don Hall, Chris Williams e Roy Conli

“Os Boxtrolls” – Anthony Stacchi, Graham Annable e Travis Knight
“Como Treinar o Seu Dragão 2? – Dean DeBlois e Bonnie Arnold
“Song of the Sea” – Tomm Moore e Paul Young
“O Conto da Princesa Kaguya” Isao Takahata e Yoshiaki Nishimura

Melhor filme estrangeiro
“Relatos Selvagens” (Argentina”)
“Ida” (Polônia)
“Leviatã” (Rússia)
“Tangerines” (Estônia)
“Timbuktu” (França/Mauritania)

Melhor documentário
“O Sal da Terra”
“Citizenfour”
“A Fotografia Oculta de Vivian Maier”
“Last Days in Vietnam”
“Virunga”

Melhor edição
“Sniper Americano” – Joel Cox e Gary D. Roach
“Boyhood” – Sandra Adair
“O Grande Hotel Budapeste” – Barney Pilling
“O Jogo da Imitação” – William Goldenberg
“Whiplash” – Tom Cross

Melhor trilha sonora original
“O Grande Hotel Budapeste” – Alexandre Desplat
“O Jogo da Imitação” – Alexandre Desplat
“Interestelar” – Hans Zimmer
“Sr. Turner” – Gary Yershon
“A Teoria de Tudo” – Jóhann Jóhannsson

Melhor figurino
“O grande Hotel Budapeste” – Milena Canonero

“Vício Inerente” – Mark Bridges
“Caminhso da Floresta” – Colleen Atwood
“Malévola” – Anna B. Sheppard e Jane Clive
“Sr. Turner” – Jacqueline Durran

Melhor cabelo e maquiagem
“Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”
“O Grande Hotel Budapeste”
“Guardiões da Galáxia”

Melhor desenho de produção
“O Grande Hotel Budapeste” – Adam Stockhausen e Anna Pinnock

“O Jogo da Imitação” – Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald
“Interestelar” – Nathan Crowley e Gary Fettis
“Caminhos da Floresta” – Dennis Gassner e Anna Pinnock
“Sr. Turner” – Suzie Davies e Charlotte Watts

Melhor edição de som
“Sniper Americano”

“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
“O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos”
“Interestelar”
“Invencível”

Melhor mixagem de som
“Sniper Americano”
“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
“Interestelar”
“Invencível”
“Whiplash: Em Busca da Perfeição”

Melhores efeitos visuais
“Capitão América 2: O Soldado Invernal”
“Planeta dos Macacos: O Confronto”
“Guardiões da Galáxia”
“Interestelar”
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Melhor documentário curta-metragem
“Crisis Hotline: Veterans Press 1? – Ellen Goosenberg Kent e Dana Perry
“Joanna” – Aneta Kopacz
“Our Curse” – Tomasz Sliwinski e Maciej Slesicki
“The Reaper (La Parka)” – Gabriel Serra Arguello
“White Earth” – J. Christian Jensen

Melhor curta de animação
“The Bigger Picture” – Daisy Jacobs e Christopher Hees
“The Dam Keeper” – Robert Kondo e Dice Tsutsumi
“O Banquete” – Patrick Osborne e Kristina Reed
“Me and My Moulton” – Torill Kove
“A Single Life” – Joris Oprins

Melhor curta de ficção
“Aya” – Oded Binnun e Mihal Brezis
“Boogaloo and Graham” – Michael Lennox e Ronan Blaney
“Butter Lamp (La Lampe Au Beurre De Yak)” – Hu Wei e Julien Féret
“Parvaneh” – Talkhon Hamzavi e Stefan Eichenberger
“The Phone Call” – Mat Kirkby e James Lucas

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