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Coluna – Apenas um homem (Parte II)

Coluna – Apenas um homem (Parte II)

Damiano literalmente beliscara-se tentando sentir a realidade, o golpe provocara dor local e riso no Gênio que aguardava o pedido com os braços cruzados. Ao se dar conta de que não era apenas figurante de filme árabe, posicionara-se com a vontade única de ser sozinho no mundo e em ângulo de “contra-plonget” relatara  quase que sussurrando o que desejava. Queria ser o único homem existente em toda a face da terra, não se importava  com  pai nem com irmãos, tios, tampouco o padrinho que tinha vacas leiteiras e jamais lhe oferecera um litro de leite. “Que seja assim!” disse o Gênio que evaporara-se instantâneamente. Damiano estava só, trancado em casa com sua ressaca e  o dilema da esfinge (decifra-me ou te devoro), estaria sozinho realmente, ou  fora envolvido no golpe da lâmpada?  Tomara  um banho frio   deixando depois  que o perfume  derramasse pelo corpo, vira-se no espelho, abrindo  a porta lentamente, a rua estava calma e uma senhora varria a calçada em frente com olhar pacato e gestos pacientes, olhara em volta e nada de anormal, mas a senhora ao vê-lo sorrira com olhos redondos e brilhantes ameaçando uma palavra contida pelo pudor. Seus sentidos ficaram confusos, já que tinha pressa em  sair dali, ver mais outros lugares, saber se havia realizado o sonho, andara  mais um pouco, tivera vontade de retornar e buscar o fusca amigo das pescarias, mas seria bom andar numa manhã bonita com boca amarga pela ressaca. De repente uma motocicleta viera  na sua direção,  acelerador colado e motor roncando alto, quem pilotava esquecera-se de colocar os sutiens na blusa decotada e os seios grandes pulavam sobre a direção, na garupa outra mulher de mini saia empinava a bunda e lhe mandava beijos, sem que percebesse as casas iam abrindo suas janelas e portas,  mulheres de todas as cores surgiam feito anjos com suas luzes naturais, belezas para todos os gostos. “Meu sonho se realizou!” disse ele baixinho, sorrindo e acenando para elas, era um astro e disputava os olhares de todas, a duas quadras dali um edifício inteiro, dez, vinte andares, mulheres dependuradas nas sacadas assoviavam insanas, jogavam roupas intimas e faziam sinais de pare, ele olhava e a pele se arrepiava, seguia seu caminho pisando leve e sentindo seu cheiro enfeitiçar em volta. Avistara algumas outras de pernas grossas corpos malhados, algumas corriam fazendo exercícios, outras paravam para observá-lo, uma morena de voz derretida tocara-lhe os braços e beijara-lhe a face, depois a boca, o beijo forte mexia com a sua libido e ela percebendo tocou-lhe o sexo, arrancara loucamente a roupa, deixando ser  possuída  sem pudor no meio da rua, “macho Alfa” pensou ele olhando as outras se tocarem no queimor  daquela cena, e o calor aumentava com a subida repentina do sol no céu e dentro daqueles corpos.  Foram mais que uma,  mais que duas, mais que dez. A fila perdia de vistas e ele se sentia o maior de todos, os gemidos ecoavam longe e os afagos lhe empurravam para mais longe ainda, orgasmos eram comemorados com gritos de vitória e ele se segurava, não olhava para os rostos que mudavam na fila, seguia seu gesto coreografado, aumentava o ritmo e agradecia ao velho pelo presente, desviara o pensamento, mas se mantinha aceso com membro hirto de frenética doação. Ouvia portas das casas baterem, carros estacionarem, vozes sedentas pediam mais, alguém parecia fazer o controle das participantes,  diziam nomes, posições preferidas, idade e condição social, Em uma das vezes que olhara para aquelas que aguardavam, avistara a dona que varria o chão da calçada, vieram alguns incômodos por pensar na própria  mãe, mas os flashes foram destruídos pelo prazer que seguia determinado. De repente um cheiro, ele conhecia aquele cheiro, rosas silvestres, creme de pele usado pela esposa do dono da pousada em que ficara na semana santa, “Rosana” o coração saltitara e  as forças superaram o desgaste até ali. Estava no seu mundo, agradecia silenciosamente olhando para um céu brilhante que banhava aquela imensidão de mulheres nuas.

(Continua na Terça-feira)

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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