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Coluna – Grão Mogol: John of Dolla

John of Dolla
John of Dolla

Veio do interior do estabelecimento comercial de “cereais, armarinhos e bebidas” cheiro delicioso de arroz quando o aroma de alho semitorrado exala por todos os quadrantes.

O lugar é meio sombrio devido ao teto baixo e o emaranhado de produtos em oferta. Pilhas de caixotes ajudam ainda mais a escurecer o ambiente.

João Gomes Alves, de 59 anos, lá no fundo, atrás do balcão, refogava o arroz no fogão preparando o próprio almoço de logo mais. Ele é um tipo factótum, ali no estabelecimento comercial, um faz tudo.

Com ele não tem essa conversa de “tempo para descansar”. Conhecido em Grão Mogol como “João de Dola”, ele correu os olhos pelo recinto e disse: “Isto aqui, pra mim, é um descanso permanente”.

O cheiro de arroz se misturou aos demais cheiros do interior do estabelecimento comercial. É lá onde João de Dola trabalha diuturnamente há 20 anos, na Avenida Domingos Arruda, 43 – bairro Bom Gosto.

A esta altura é de bom alvitre perguntar: mas o que tem João de Dola nessa narrativa que se vai criando a cada palavra? “Tem tudo” é a resposta. A começar do nome do estabelecimento comercial: “Bar e Mercearia John of Dolla”.

As pessoas passam na porta e ao lerem o letreiro do bar, quem não conhece a história que há por trás, fica com a pulga atrás da orelha querendo saber o porquê do nome.

Em plena cidade de Grão Mogol, terra por onde transitaram bandeirantes errantes em busca de esmeraldas e só encontraram turmalinas; e garimpeiros de várias partes do mundo em busca de diamantes, faz sentido encontrar um estabelecimento comercial com nome tão peculiar.

As pessoas podem muito bem especular a respeito do sugestivo nome do estabelecimento – “Bar e Mercearia John of Dolla”. Podem pensar que talvez o proprietário tenha descendência inglesa ou norte-americana, senão é originário de algum outro país onde se fala o inglês.

Não. Não é nada disso. Quem conta a história do nome do bar é o próprio João de Dola, nascido e criado em Grão Mogol, homem simples, com jeito de quem está de bem com a vida. Casado, separado, pai de três filhos, vestido com camisa de um clube esportivo chamado “Fly Emirates”, ele conta enquanto a panela de arroz arde no fogão.

Tudo começou a partir do apelido do pai, Teodolino Gomes Soares, conhecido por Dola. Aliás, aqui, em Grão Mogol, quase ninguém é conhecido pelo nome de batismo. Até na lista telefônica da cidade constam os apelidos dos assinantes.

João chamado, logo passou a ser conhecido como João de Dola. Foi João de Dola pra cá, João de Dola pra lá, até que um amigo frequentador do bar, e, infelizmente já falecido, chamado Gê de Oto, então funcionário do Banco do Brasil, recebeu a luz do novo nome e tornou o apelido do amigo compreensível internacionalmente.

Gê de Oto, num belo dia chamou o amigo a um canto e pediu pra raciocinar com ele, dizendo: “O seu nome é João, filho de Dola, João de Dola chamado. Então, nós vamos passar o seu apelido – João de Dola para o inglês”. Claro que João não estava entendendo patavina sobre aonde o amigo queria chegar.

Foi quando Gê de Oto disse, num tom professoral: “Deixa comigo”. E deu o passo seguinte: “Daqui por diante você será chamado por todos em Grão Mogol – e quicá no mundo inteiro – por John of Dolla”.

E desse dia em diante, John of Dolla foi chamado o envaidecido João de Dola, satisfeito com o novo apelido.

Ele pode até não ganhar fama internacional porque, afinal, vive no interior. Se ele vivesse na capital, a essa altura o nome Bar e Mercearia John of Dolla talvez estivesse correndo de boca em boca pelo mundo inteiro.

Mas pelo menos é possível ser lido em qualquer lugar do globo porque o inglês é a língua internacional, e numa eventualidade, pode ser que o estabelecimento comercial dele se sobressaia em alguma coisa, no ramo de “cereais, armarinhos e bebidas”, e vença o mundo.

João de Dola é hoje bem diferente porque não há quem não entre no estabelecimento comercial dele só para saber o porquê do nome estampado na parede. Quem chega à cidade dá de cara com o letreiro em tinta preta: Bar e Mercearia John of Dolla.

Quem entra no estabelecimento dele não sai de mãos abanando nem de estômago vazio, porque tem sempre um algo mais para servir. Esse é o John of Dolla, ao seu dispor.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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