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Coluna – Apenas um homem (Final)

Embrulhado sob tecidos odorantes fora medicado com agulha na veia do braço esquerdo adormecendo em seguida, não conseguira sonhar nem organizar as coisas que se passavam naquele psicológico em desalinho, horas depois estava em um quarto de janelas grandes e abertas, sentia o frescor do dia e um barulho de ondas penetrarem seus ouvidos, estava em frente ao mar, não estava sonhando, sentia-se feliz e realizado, contava nos dedos às mulheres que havia passado por ele naquele curto espaço de tempo, tinha um gosto adocicado no paladar e uma energia insaciável no corpo. A exemplo das outras vezes as mulheres vinham de todos os cantos, nuas sem pudores, línguas limpando os lábios e pingando saliva. Gordas, magras, olhos negros, azuis, castanhos e verdes. Disparara o coração quando uma voz que guardava de uma novela recente da televisão chamou pelo seu nome, Bruna Marquezine, a menina dos olhos do Brasil ali tão perto tão sua, não existia Neymar tampouco atores beijoqueiros, ela estava ali, toda sua, podia tocar, devia tocar, sentir o seu hálito morno gemendo de prazer, Xuxa também queria, mulatas que vira passar pela Sapucaí sem ao menos saber o nome, mas o que importava era o prazer da relação, um grande televisor mostrava na tela outras mulheres revoltadas em países distantes declarando guerra ao Brasil, guerra de recaptura, ele era o bem mais valioso, não se importava, sorria e batia no pênis em código que apenas os homens sabem o que significa.  Após àquelas horas de quase intermináveis gozos, notara que estava em poder do governo brasileiro, governo popular que queria dar um pouco de felicidade as mulheres eleitoras, a política da troca e uma fila de todas as idades formara-se na porta do quarto, Damiano não recuara, era curto e grosso, objetivo, prolixo. Mas rostos conhecidos foram aparecendo, Tias, primas, ex-cunhadas e infelizmente sua mãe. Nua com pentelhos despenteados, com aqueles peitos caídos de bicos apontados para o chão, os ditos que na época de criança mamava para matar a fome, era sua mãe que não tinha alternativa, os homens se foram e ela andava em crise pela falta de sexo, não poderia fazer aquilo, pensava enquanto despachava a madrinha de crisma. Faltava pouco, a mãe penteava com as mãos os pêlos pubianos e certificava-se do lugar na fila, uma senhora com mais de 70 anos pedira prioridade, mas como ela também era idosa continuara no mesmo lugar… chegara então aquela mulher, e daquele lugar em que será deveria entrar com seu membro único em todos os cantos da terra,pedira a benção da mãe que não via há alguns meses e como sempre fazia beijara-lhe a testa, ela recebia como outra mãe faria, mas seus olhos fitavam-lhe o pênis, aquele que era o único em toda a terra que deveria saciar as mulheres como se os homens ainda existissem, e sua mão era mulher, estava em idade avançada, mas tinha fogo e queria sentir tesão,  e viera a culpa, não conseguiria comer a própria mãe, o incesto é pecado sua cabeça não conseguiria vencer, a mãe parecia não importar-se e olhava ainda mais para o seu pênis que escondera-se atrás do pudor, murchara no interior do couro e nada mais conseguiria realizar, mas a mãe queria, a mãe pedia e não se importava com incesto algum, a culpa era dele, a culpa caira sobre ele e uma sensação de crime lhe fizera mergulhar numa depressão momentânea e chorosa, queria o gênio de volta, mas onde estaria a lâmpada, não estava com ela desde o instante em que se declarara feliz Como o único homem da terra. Um grito que feliz tornara-se tristeza e suas pernas lhe puxaram para correr, pisava sobre as mulheres como se fossem folhas secas em baixo de árvores, mas não conseguia livrar-se do espectro da mãe, pelada com aqueles seios que alimentara e aquela vagina descabelada, até que trombara em um muro de pedras caindo sentado nu sobre uma cama desarrumada, o nariz sangrava pelo choque contra a parede, no chão estava uma lamparina artesanal de vasilhame de óleo de cozinha, presente do velho no rio. A ressaca doía na cabeça, la fora o dia estava bonito e homens e mulheres andavam tranquilamente, sentiu-se feliz por saber que não era o único homem do mundo.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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