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Coluna – Amargas Lembranças

Posso estar enganado, mas alguma coisa aqui dentro me diz que aquele médico está mentindo! – Como assim Coronel, a troco do quê faria isso? – Não sei, só sei que dentro de mim desacreditou em tudo que ele falou!  Estas foram as ultimas palavras que Juliana recorda do capitulo da novela era o ano de 1978 e também de Djalma um colega de sala que a comparava a Elizabeth Savalla, par romântico de Toni Ramos que fazia o filho rebelde de um rico empresário. Pediu para sentar-se e uma senhora de faces rosadas bumbum avantajado prontificou-se a ajudar, uma outra mais velha e de óculos marcantes chorava baixinho com um chalé de tricô sobre as costas. “Obrigada” agradecia Juliana por cada gentileza daquela estranha. “Aquela senhora parece chorar!” disse ela, sendo logo dissuadida por aquela que a ajudava. “Onde esta minha mãe?” Gostaria de ver minha irmã Julieta!”Naquele momento a senhora que acompanhava de longe com semblante tristonho chegou bem próximo ao leito e a beijou na testa, na companhia da outra a abraçaram com longos olhares indicando que precisavam muito conversar. Juliana ao saber que se tratava da Mãe e da irmã tentou levantar-se, mas percebeu que não tinha forças suficientes para o intento. Antes que pudessem prosseguir a conversa outras pessoas admiradas adentraram o espaço com risos e choros de alegria, em destaque um senhor de bigode fino e grisalho com um chapéu de nylon na cabeça limpou os olhos que estavam úmidos, era o pai que vinha com uma lembrança ruim, algo que surgira do espelho do banheiro e ela enxergava a porta se abrir lentamente, e as mãos do pai tocar seu corpo que tremia de pavor, junto com as caricias mostrava-lhe a faca enorme que matara o tio por ciúmes da mãe, com o dedo em sinal de silencio tirava-lhe qualquer chance de pedir socorro. Era o dia do seu aniversário de 14 anos, mas há mais de 02 era usada como prostituta pelo próprio pai, o cheiro dele e as palavras torpes não lhe sairiam jamais da cabeça, aquela casa tinha cor de cinza, a mesma cor que fazia a enorme cortina diante dos seus olhos. Ouvira dizer que homens não se casariam com mulheres defloradas, aquelas na condição dela estariam condenadas a solidão ou aos namoricos sem futuros, a ser amantes e a perambular na solidão da noite até que a morte lhe tirasse a luz do dia. Djalma havia lhe dado um bombom com a mensagem “gosto muito de você” e confessara para a irmã que era amiga em comum que estava apaixonado, queria crescer logo e trabalhar na oficina de bicicletas do pai para comprar a casa própria. Aquele deveria ser o mais feliz dos dias, mas fora o mais triste, suas lágrimas pareciam inundar as ruas por onde passava, Djalma a queria, Djalma a amava. Ela amava o colega e queria partilhar daquele sentimento, ser tocada nos seios pela primeira vez pela mão daquele escolhido, beijar sentindo ânsia de ser possuída por ele, ficar nua, ver o fogo dos seus olhos queimá-la e deitar-se como uma presa para que ele a devorasse. Mas este sonho não se realizaria, estava eternamente condenada a ser aquela vil pecadora, aquela que carrega em si o pecado do incesto, aquela que deveria ser apedrejada na rua por consentir ser penetrada pelo pai que havia lhe dado colo e ensinado a fugir das coisas ruins do mundo. E a mãe, não sabia como dizer à mãe que vivia sob as agressões daquele homem que ditava as regras e julgava as filhas sentenciando com brutalidade, certa vez a irmã chorava nua deitada em posição fetal sobre a cama dos pais, apenas ele estava em casa saindo do quarto ao notar o barulho da porta. Ninguém disse nada, já que certas coisas não há como dizer nem perguntar. E naquele dia que vinha da escola com o rio de lágrimas jorrando pelos poros subira no viaduto com uma carta de despedida na mão, mas por pena da minha mãe, decidira eliminar a própria vida, mas a carta também… Desgraçado, Assassino, desgraçado! Saia já daqui! Saia!

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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