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Coluna – Previsão nefasta

Geralmente a sexta-feira disponibiliza uma infinidade de coisas para se curtir a noite, barzinhos, cinemas, motéis, mateis e a praça para quem gosta de ficar olhando outras pessoas andarem de um lado para outro. Mas a sexta-feira quando é 13 aumenta os leques e o calor da liberdade se amplia na mesma magnitude. As mulheres para quem não sabe são altamente complexas e mais altamente ainda complexadas, quem me disse nem foi a minha esposa que é parte da estatística, mas sim um amigo de um amigo que é cabeleireiro ao mesmo tempo. Elas se envolvem muito rápido na trama da superstição e aquilo que passa pelas suas idéias torna-se lei e pode ser a desgraça do mundo.  Uma destas apareceu em um barzinho próximo à lagoa da Pampulha justamente numa sexta-feira 13 quando um Policial disfarçado de bêbado fazia investigação sobre trafico de drogas. O cara se aproveitando da ocasião pediu um Bacardi com limão e gelo e ligou para a amante que não era ficção. Dava um gole e observava o movimento sussurrando palavras picantes, enquanto também era observado, a mulher tinha vestes pretas e segurava um incenso que espalhava um delicioso perfume, mas o policial que já estava com a amante na linha preferiu ignorar aquela figura, voltando a observar o movimento. A mulher sem o menor convite sentou-se ao seu lado, seus olhos carregados de maquiagem pareciam verdes e seu incenso de perto cheirava a alecrim. O telefone foi desligado e o policial sem conseguir disfarçar o choque pediu licença à mulher dizendo que esperava alguém, ela sem o uso de pausas disse diretamente, que ele espera sim, mas era a morte. Temendo ter sido descoberto suspirou e quis saber do que ela estava falando, mas apenas a varinha do incenso soprava sua fumaça leve dissolvendo-se com o vento, a resposta não vinha da mulher, mas acontecia no interior do policial que repetiu a pergunta. Ela então com o recurso da sexta-feira 13 disse que seu numero na linha da vida era 31 e no verso esotérico do cambará se lia 13. De louca passou a temida, já que no mesmo instante a amante lhe enviou o numero da casa onde se encontraria logo mais que era o 31, para justificar se demorasse um pouco estaria levando seu filho Pablo na aula de Judô, quando ele enviou mensagem perguntando o porquê do rapaz não ir sozinho, ouviu que era novo para isto tinha apenas 13 anos. Neste momento o policial viu a lua mergulhando na água e uma bruxa passar voando na sombra, um gato preto atravessou a rua e o poste que iluminava a mesa parecia uma escada. Na mesa ao lado um casal acendeu um cigarro de maconha e pouco a frente uma senhora entregava uma nota de dez reais ao motoqueiro de viseira escura. Na esquina um garoto negro de pé no chão gritou que estava morrendo de overdose, o garçom pediu ajuda dizendo que ele só tinha 13 anos e o carro do SAMU tinha a placa 3113. A mulher com seu incenso olhava para o policial que havia tomado em um só gole outra dose de Bacardi, desta vez puro. A Sirene do carro de Bombeiros alarmava próximo, mas não aparecia e um homem de terno branco andava com a bíblia na mão e um baseado na boca, a esquerda uma moça de roupas brancas empurrava um senhor caquético em uma cadeira de rodas também fumando maconha e soprando no rosto dele que pulava de feliz. O policial declarou-se com um tiro para o ar, apontando o revolver na direção de todos que passavam, todos que estavam sentados e até dos garçons que serviam, a mulher escondeu-se atrás de uma árvore e o policial gritou que não morreria antes de matar pelo menos dez. Apontava para um e apontava para o outro repetindo que estava próximo da morte, a sirene já estava junto à multidão, mas não era Bombeiro, era um ônibus com policiais de Elite para negociar a entrega do atirador maluco que se dizia policial, ele disse que só negociaria se viesse outra dose de Bacardi, aliás, queria o litro e aquela mulher que lhe impusera o complexo de morte. A mulher de vestes pretas e seu incenso de alecrim já havia desaparecido, o policial após a negativa de qualquer negociação sem a presença dela atirou contra a bruxa que vinha voando e como resposta foi alvejado por muitos outros tiros.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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