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Coluna – O poder das palavras

O livro do Gênesis é o primeiro tanto na Bíblia Hebraica como na Bíblia Cristã, antecedendo, pois, o livro do Êxodo. A tradição judaico-cristã atribui a autoria do texto a Moisés, enquanto a crítica literária contemporânea prefere descrevê-lo como “um compilado de textos de diversas mãos”.

Já em seu primeiro livro, a Bíblia Cristã nos apresenta um ensinamento singular sobre o poder das palavras: “E disse Deus: Haja… E houve… E viu Deus que era bom…”. O universo e todas as criaturas teriam sido criados, assim, pelo poder das palavras de Deus.

E hoje? Estamos atribuindo às palavras o valor que elas realmente merecem? As palavras representam os reflexos de nossos pensamentos e sentimentos. Possuem um incontornável poder, tanto para construir quanto para destruir. Por não medirmos, em grande parte das vezes, o impacto de nossas palavras, os resultados têm se apresentados como avassaladores.

Externamos coisas sem a reflexão necessária. Não nos damos conta sobre o que dizemos e muito menos sobre as consequências geradas a partir de uma palavra ou expressão negativa. Com as palavras, podemos ferir e ofender os nossos semelhantes, afetando, assim, o que poderia ser uma convivência harmoniosa, pacífica e duradoura. É por isso que da sabedoria dos adágios se extrai que “a morte e a vida estão no poder da língua” (Pr, 18-21).

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A história, de igual maneira, mostra-nos diversos exemplos da palavra sendo usada em favor do mal. O arquiteto da imagem messiânica de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, direcionou todo o seu talento para a política expansionista e antissemita, arrebanhando o apoio da população para patrocinar os objetivos patológicos dos nazistas. É de Goebbels a célebre frase que, embora dita em plena segunda grande guerra, repercute solenemente em tempos atuais: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Devemos, assim, cuidar melhor de nossas palavras. Elas guardam o poder de construir! Lado outro, nutrem a força necessária para destruir um enorme “templo” em menos de “três dias”. Todos sabemos que discussões nas quais os interlocutores estão alterados costumam irradiar momentos em que se dizem as mais infelizes palavras.

Sintetizando a ideia central proposta, não é desarrazoado concluir com a parábola dos pregos, aqui reescrita livremente, a fim de maximizar o alcance pretendido: Era uma vez um jovem rapaz de temperamento muito explosivo. Certo dia, recebeu do velho pai um saco cheio de pregos e uma placa de madeira. O pai lhe disse para martelar um prego na tábua toda vez que perdesse a paciência com alguma pessoa.

No primeiro dia o rapaz colocou 37 pregos na tábua. Nos dias que se seguiram, enquanto ele ia aprendendo a controlar sua raiva, o número de pregos martelados foram diminuindo gradativamente. Ele descobriu, desse modo, que dava menos trabalho controlar sua raiva do que ter que ir todos os dias pregar diversos pregos na placa de madeira.

Finalmente, chegou o dia em que o rapaz não perdeu a paciência em hora alguma de seu dia. Feliz com o sucesso, ele falou ao seu pai sobre como estava se sentindo melhor em não explodir com os outros, usando palavras ou expressões ofensivas.

O pai, então, sugeriu ao jovem que retirasse todos os pregos da tábua e que a trouxesse para ele. O garoto então trouxe a placa de madeira, já sem os pregos, e a entregou a seu pai, que disse: – Você está de parabéns, meu filho! Entretanto, dê uma olhada nos buracos que os pregos deixaram na tábua. Ela nunca mais será como antes. Quando você diz coisas estando com raiva, suas palavras deixam marcas como essas. Você pode enfiar uma faca em alguém e depois retirá-la. Não importa quantas vezes você peça perdão, a cicatriz ainda continuará lá.

Quando a ira se sobrepor à razão, que possamos compreender o infinito valor do silêncio para nos ensinar sobre a responsabilidade do que temos a dizer ao nosso semelhante.

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

Dr. Marcelo Freitas
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