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Coluna – Olho por Olho Dente por Dente

Nada se comentava mais naquelas ultimas horas. Parece que não havia mais como negar, ninguém sabia ainda se foram todos, ou apenas uma parte deles, a questão é que aconteceu como o velho Joaquim comentava. Segundo imagens de um cinegrafista amador a intenção era incendiar todo o quarteirão, provocar uma desgraça, vingar-se da maneira mais cruel sem a menor chance de sobreviventes. Curiosos na rua andavam inquietos de lado para outro como formigas em correição, celulares ligados falando com outros curiosos que não tiveram a oportunidade de estarem ali, alguns apareceram com idéias funesta de fazer selfie. Pouco depois estava na rede social, dizem que estas oportunidades não podem passar em branco, uma das curiosas chorou após ver que seu telefone não tinha mais bateria, mortos são apenas mortos. E um pombo sem o menor escrúpulo sobrevoou as cabeças e como era de esperar soltou sua rajada anal lá de cima, ninguém estava preocupado com bosta de pombo, poderia cair um míssil ou um Boeing de quinhentos passageiros que não desviaria atenção de ninguém. Uma senhora tinha esquecido que dava peito ao filho e saiu para ver o que acontecia com o menino dependurado na teta branca, um tempo depois de se inteirar do que não era da conta dela a criança estava em outros braços e ela com um topless gratuito trombando na multidão. Seu Joaquim saia de vez em quando na porta da mercearia, torcia o bigode e mudava o pano branco do ombro esquerdo para o direito, acendia um cigarro de fumo de corda e relatava a cada freguês que chegasse sobre o que prevera, se jogasse na loteria teria ganhado um prêmio, assim se gabava diante daquele infortúnio, um cão que sempre andava por ali espiando o frango assado girar na maquina, entrou sem que o velho percebesse e saltou numa tira de Maria-rosa, correndo sem ser incomodado, seu Joaquim continuava na porta se gabando por ter previsto a tragédia. A única viatura da policia estava sem gasolina e o Cabo gordo com cara de pinguço chegou bocejando ao lado de um Soldado baixote que recebia ordens para fazer as anotações devidas. “Quem quer comprar chupa-chupa?” “Olha a coxinha de galinha!” “Olha o picolé!” O comércio ambulante começava se aquecer, vendo aquela multidão de inquietos os vendedores mirins e até adultos se aproveitavam para lucrar. Algumas quadras a baixo, um sanfoneiro saia do puteiro acompanhado de zabumbeiro e um trianguleiro. Com o fogo da cachaça queimando na pele resolveram encostar-se àquela gente e tocar Luiz Gonzaga, uma, duas, na terceira musica um casal resolveu se mexer, os músicos que não sabiam do acontecido aumentaram o volume enquanto outras pessoas entraram na dança. O Cabo que mandava o soldado fazer as anotações ordenou que ele ordenasse ao trio que acabasse com aquela musica em ocasião tão indiscreta, mas o sanfoneiro era pai de uma pretendente do soldado e mandar o pretenso futuro sogro acabar com sua alegria não soaria bem, então o soldado desobedeceu e recebeu voz de prisão por insubordinação, mas sem ter quem mandar prender o soldado resolveu deixar quieto e sair daquele tumulto em direção a mercearia do Joaquim que contava detalhadamente o que sonhara.  Às dezesseis horas o sol havia esfriado por conta do fim do verão, nuvens escuras pareciam avisar que a chuva cairia a qualquer momento, a filha do sanfoneiro pretendente do soldado havia feito uma tatuagem na panturrilha, um coração alado com uma frase em chinês, o soldado sentiu um calor de ciúmes, mas preferiu fingir que era durão e moderno, mesmo sem entender nada de chinês. E um jornal da Capital no outro dia estampou em primeira página tudo aquilo que aconteceu, com o titulo “Olho por olho dente por dente”

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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