Inicio » Colunistas » Adilson Cardoso » Coluna – Patologia a Pesquisar

Coluna – Patologia a Pesquisar

Ando muito preocupado comigo, estou pensando em voltar a fumar e usar drogas, beber além do socialmente que alcunho meus porres e procurar um Psicanalista. Descobri que sou ladrão, não é brincadeira, sou ladrão. Não daqueles que pegam armas e forçam as pessoas a entregar tudo que tem, mas um ladrão ardiloso e altamente sagaz. Se estiver difícil entender, como se pode ser perigoso sem revolver na mão vou tentar explicar. Mas é interessante que se entenda a maneira de como tudo começou. Sempre fui um cidadão considerado honesto, as vezes que levei “baculejo dos home” foi por causa de uma tatuagem que tenho no antebraço e um brinco que carrego na orelha acompanhado de um cabelo que não consigo identificar qual é o estilo, só consigo lembrar que a ultima vez que ele foi penteado eu tinha 13 anos e fui ser o protagonista de um batismo meu na Igreja Católica. Então com a honestidade presente, sempre devolvi o troco do dinheiro que me passavam errado nas compras que fazia, já achei carteiras com notas verdes e mesmo com o bolso rasgado pela ausência de um vintém devolvi sem remorsos. Então eis que chego agora na idade adulta me preparando para receber os fios brancos dos meus cabelos emaranhados e acordo certo dia com uma vergonha danada de saber que na Europa meu Brasil está sem credito. Vou ver televisão e o repórter engravatado mostra conversas de políticos dividindo o dinheiro roubado da merenda escolar, quando vou me informar sobre a verdade dentro da escola me dizem que a Diretora está envolvida. Sento para tomar uma cerveja e o garçom cobra a mais na minha mesa, a justificativa é que ele precisa se sustentar. Saio contrariado e o meu carro avisa que o tanque está vazio, no Posto de Combustíveis o frentista mostra a nova tabela de preços, pago quase o dobro da ultima semana, ainda mais zangado viro a esquina sem acionar a seta, o guarda me para, infração passível de multa, mas se eu tiver “um agrado” para o café ele finge que não viu. A indignação parece escorrer no suor, quero gritar, mas tenho medo de ir para o CAPS (Centro de Atenção Psico-Social) e voltar com as veias inundadas de Haloperidol. Volto para casa e despenco meu corpo inflamado em frente à televisão, o ladrão assaltou a padaria e fugiu numa moto, trocaram tiro com a Policia e  morreu, viro o canal e outro bandido assalta um motorista que estava no semáforo esperando o vermelho enverdecer, imediatamente vem outra matéria de uma senhora com cara de vovó boazinha escondendo celulares em baixo da saia. Mudo novamente o canal e o escândalo da Petrobrás é contado minuciosamente pela milésima vez, cada um que é chamado para depor tem mais culpa que o outro, a Presidente da Estatal ficou feia na foto, ela e o terrível “Olho despencado” Nestor Cerveró. Na internet a cantiga é a mesma, as notas não saem do ridículo termo de apropriação indevida. O estado do Maranhão se divide entre a Família Sarney com suas vidas de marajás contrastando com pessoas paupérrimas, passando fome, meninas de 11 anos se entregando em troca de pacotes de bolachas. Então me levantei e fui ao teatro, a peça era sobre a vida afortunada de um corrupto de Brasília, ex- militante da esquerda que foi para a direita e depois para o inferno, roubou tanto que o cérebro sofreu um derrame.  Na entrada mostrei minha carteirinha de estudante vencida há quase uma década e paguei meia entrada. Na fila da pipoca muitas mãos entregavam a fichinha ao mesmo tempo, a Dona desorganizada perguntou-me se eu havia pagado eu disse sim e com o dinheiro que seria da pipoca comprei um guaraná, seria um, mas quando estava para pegar pedi que me entregasse outro, que a seguir passaria no caixa para completar, na confiança o balconista não observou que eu fui direto para minha poltrona. Com duas latas na mão ofereci para um casal dizendo que recebera de troco, vendi por cinqüenta centavos a mais uma coisa que não paguei nada. Por ultimo entrei na fila dos deficientes com uma cadeira de rodas emprestada, o banco estava cheio e ainda ganhei umas moedas como esmolas. Assim está minha vida, o pior é que agora estou sentindo uma incontrolável vontade de me candidatar.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso
------------------------------------------------------------------------

Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o site do Jornal Montes Claros


------------------------------------------------------------------------

------------------------------------------------------------------------

Leia Também

O responsável pela cirurgia o neurocirurgião César Felipe Gusmão Santiago

Montes Claros – Santa Casa de Montes Claros realiza cirurgia inédita para retirada de tumor cerebral

Compartilhar no WhatsApp* Por: Jornal Montes Claros - 9 de dezembro de 2016.Montes Claros – …


Aviso: nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto, e esperamos que as conversas nos comentários sejam respeituosas e construtivas. O espaço abaixo é destinado para discussões, para debatermos o tema e criticar ideias, não as pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão, de maneira nenhuma, tolerados, e nos damos o direito de excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, calunioso, preconceituoso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem um nome completo e email válido).