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Coluna – O culpado sem culpa

Coluna – O culpado sem culpa

A cidade de Lonopólis tem apenas poucos habitantes, todos se conhecem e tentam viver em perfeito estado de harmonia. Claro que nos tempos de tecnologia em que  ancoramos, um filho de pobre quando começa a entender que usar um celular de ultima geração é “meio caminho” para pegar a menininha que sonha, e, ele não possuindo força nem coragem para trabalhar , assim quase sem querer vai buscar alternativas para adquirir, primeiro pede o pai, mas como eu já disse que ele é pobre, certamente se tivesse o dinheiro compraria uma bicicleta melhor e tiraria o nome do SERASA. Então o garoto que já deve estar ai perto dos seus 16 anos, vai para a segunda alternativa, pedir algum desconhecido o aparelho, na praça senta como se fosse meditar sobre a Mitologia Grega e suas influencias no mundo atual da Grécia Antiga, mas na verdade ele não está pensando nem quem foi o autor do Livro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, pois nunca lera  livro algum na  vida, aliás, o pai dele também não, já que assina o nome apertando o polegar sujo de tinta em cima da folha. O dito piçarrento sem o que fazer está cronologicamente marcando a hora de um homossexual chamado Marwin que trabalha na secretaria de recursos humanos da Prefeitura. O motivo é que o rapaz está trocando amores por notas de cem reais, e a cada encontro o filho do pobre dono da assinatura com o polegar apertado na folha, junta  o dinheiro para comprar o celular. Mas naquele dia Marwin não passou, ele vinha sempre entre onze horas e meio dia. Treze horas aquele garoto rebelde sem forças nem coragem para trabalhar levantou-se violentamente daquele banco, pessoas acostumadas a ver os dois juntos desconfiavam daquilo que era verdade, mas ele negava veementemente, dizia que era espada, dizia que qualquer gay que lhe faltasse com o respeito, comeria  terra em baixo de sete palmos no cemitério.  Saiu furioso, só faltavam cem reais para comprar o celular de ultima geração, queria fazer vídeos em baixo das saias das meninas na entrada do baile funk e colecionar aqueles que costumava  ver nos celulares dos amigos, Estado Islâmico decapitando e as rebeliões sangrentas do Estado do Maranhão, queria fazer fotos nuas de alguma amiga que deixasse e entrar no facebook para colocar fotos sem camisa, selfies arrojadas para ser o cara. Andou alguns quarteirões chutando gatos e cachorros que passavam por ele, cuspiu na parede da farmácia e fez xixi no chão da própria casa, Marwin havia feito tudo que não podia fazer, trato era trato e agora como faria para cumprir com a palavra, já que combinara uma reserva com um vendedor da loja de celulares que morava a poucos metros da sua casa, cozinhava os nervos da cabeça. Abriu todas as gavetas dos quartos,  mas não achou arma nem de brinquedo, foi até um amigo que furtava pequenas coisas em lojinhas de 1,99, mas também não conseguiu nada, pediu o açougueiro uma faca emprestada, também não foi feliz, já que o homem poderia emprestar na condição de ser ajudado a  desossar um boi, porém ele não tinha forças em coragem para trabalhar. Mataria mesmo assim aquele filho do capeta, assim saiu pensando, chamaria para uma conversa a sós dizendo que perdoaria o episódio e lhe ceifaria a vida com um golpe “mata-leão” conforme vira um crime no Jornal. Rua das maricas numero 24, era o endereço de Marwin, morava sozinho e tinha hábitos solitários, altamente inteligente, Graduado e pós graduado, com mestrado a concluir e muitas aprovações em concursos por todo o Brasil, inclusive para o cargo que atualmente exercia numa concorrência de quase três mil, fora o numero um. Mas esta hora estaria no trabalho e de um telefone de rua, o garoto ligou para a sala dele, sendo informado que Marwin estava de atestado se repousando em casa. Partiu então aquele coração amargurado para o endereço anotado no bolso, a rua era silenciosa e limpa e o portão estava trancado, após muitos toques na campainha, escalou uma amendoeira próxima ao muro e entrou facilmente já que Marwin não tinha cachorros, o gato branco saltou sem miados para cima do telhado e desapareceu em algum esconderijo, mas o coração dele já estava sereno, havia justificativa para o desencontro, compraria o celular com certeza, daria o carinho que era a barganha do negocio, antes admirou tudo ali, piscina de água límpida e grandes painéis de arte abstrata na parede da área de churrasco que ele não sabia o que era, na cozinha talheres espalhado pelo chão e uma garrafa de vinho quebrada no chão como poças de vermelho feito sangue, que se formou numa trinca da cerâmica. Dentro do quarto Marwin estava semi nu, morto com os olhos abertos e a língua fora da boca demonstrando que fora  asfixiado, notas de cem reais estavam espalhadas em sua volta, como aquelas que estavam no bolso do garoto a espera  apenas de uma para realizar seu sonho, aterrorizado com a cena, mas bestificado com tanto dinheiro, custou a decidir o que faria. Infelizmente neste intervalo a policia bateu no portão com força, o real motivo da não ida de Marwin para o trabalho fora ligações de ameaças. O serviço de inteligência que atendeu o telefone direcionado ao morto pelo ingênuo garoto que queria comprar seu celular, Marwin fora isca para prender seu algoz, mas infelizmente o matador chegaria antes de todos. Ao ouvir o grito lá de fora o garoto tentou correr pelos fundos, mas o cerco bloqueio estava montado e no seu bolso estavam  notas de cem reais, notas como aquelas espalhadas ao lado do morto.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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