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Coluna – Discurso Convincente

Coluna – Discurso Convincente

Hoje não é raro  encontrar políticos despreparados intelectualmente, alguns  pouco consegue ler de maneira clara o próprio discurso, outros assassinam  a gramática todas as vezes que abrem  a boca. Dizem que são representantes do povo. A verdade é que  infelizmente ainda não aprendemos  analisar  o candidato em toda a sua  intensidade e acabamos elegendo cada sujeito,  que se não segurar direito o arreio ele come capim. Porém antes era bem pior. Um fato altamente cômico aconteceu nos anos 90 numa cidade do interior de Minas Gerais. Um vereador de nome Zé Pamonha caminhava perrengando para a reeleição, sua vontade de ter novamente um mandato nas mãos mexia com as pretensões financeiras da família, era preciso fazer o que fosse possível para chegar a vitória o impossível deixava nas cagundas do santo Expedito das causas impossíveis. Eis que chega a festa de boiadeiro do município que lhe rendera alguns votos na ultima campanha, festa famosa e de bom publico, mas por lá tinha um tal de Teodoro Bigodeira que prometeu candidatar-se e tirar os votos de qualquer sujeito candidato que tentasse por lá. Zé Pamonha então se preparou como devia, até o terno encomendara de São Paulo. Na chegada observou que carros com placas de outras localidades já estavam lá para prestigiar o evento e é lógico ver o seu discurso e também o que tinha Teodoro Bigodeira a prometer como candidato. Os dois subiram no palco e as autoridades da cidade os apresentaram, pedindo ao povo que ouvissem com atenção as palavras que seriam ditas por ambos. Por já ser vereador Pamonha cedeu a vez ao opositor  e ficou de lado para ouvir. No parlatore Teodoro abriu o discurso bem redigido e deu inicio ao seu direito de exposição. O vereador por pouco não sofre um ataque cardio-respiratório, sabia que estava esquecendo alguma coisa, maldito assessor e agora, pensava Zé Pamonha. Quanto mais ele temia o fiasco o tempo passava mais rapido se aproximando a sua vez, até que em um canto reservado chamou o assessor e descarregou toda a raiva e incompetência, declarou  pejorativamente sua mãe era a pior espécie  suína, eqüina e algo mais, por fim mandou que ele se virasse para providenciar-lhe um discurso ou então voltaria a entregar gás  na bicicleta cargueira, tudo menos isto, voltar para a miséria de antes era crueldade demais, pensou o assessor temeroso. Discurso, discurso, discurso, era só o que faiscava na cabeça que tinha pouco menos de dez minutos para se arranjar. Mas quanto mais andava mais longe ficavam as idéias, nenhuma luz aparecia, lembrou-se de que todas as poucas idéias que tivera na vida surgiram dentro do banheiro, o vaso poderia ser uma saída. Apegou-se na ultima esperança e  continuou seguindo, olhando para todos os lados até que viu uma Boate Gay com luzes coloridas cintilando, entrou rápido e viu que tinha uma taxa para usar, pagou e sentou-se apavorado, olhava para as paredes rosas e nada de inspiração, sentia o cheiro de incenso e a cabeça doía, o pior é que nem as tripas colaboravam com ele, mantendo-se travadas sem a menor consideração. Mas antes de se levantar para declarar o fracasso, viu que tinha um envelope em um cantinho do vaso, abriu imediatamente e  notou que  era uma carta de uma lauda, letra bonita e bem desenhada, fácil de ler. Sem ao mesmo saber qual era o teor , vestiu-se e em poucos instantes entregava o patrão que já estava suando de preocupação e raiva. Ganhou um aperto de mão um sorriso de “você é o cara”.  Ao findar  o seu tempo Teodoro recebeu os aplausos apertou a mão do  concorrente e ficou ao lado torcendo para dar merda. Zé Pamonha, ajeitou a gravata, tirou o pigarro da garganta acenou para as pessoas que conhecia e falou ,

 “ Estou aqui hoje para o tudo ou nada, aliás estou para tudo, tudo que você quiser comigo. Cansei de ser aquele homem quietinho de casa fingindo que sou casado, por causa de uma posição social, eu quero viver o que não vivi, sentir o que não senti, mas somente com você Betão…

Absorto, vagando sem direção Zé Pamonha se enfeitiçou pelo que os pensamentos indicavam e não ouvia o que diziam as palavras, até que a mulher deu-lhe um safanão nas orelhas jogando-lhe sobre o concorrente. O assessor na segunda linha do discurso, quando viu que Hiroshima e Nagasaki estavam arrasadas,  já estava embrenhado no matagal rezando para ser devorado por uma Onça, assim morreria como mártir.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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