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Coluna – Para ser entendido sem entendimento algum

Coluna – Para ser entendido sem entendimento algum

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E assim formaram-se os pares das abelhas reprodutoras de acido ribonucléico, o dia estava vermelho chinês e as arvores traziam um Tom meio Jobim quase tocantes nas suas sombras azuis, e as placas de pare que se escondiam atrás daquelas que indicam “siga em frente” não tinham pseudônimos pichados nos fundos dos caminhões que batiam com dizeres no para choque, do tipo “Vou rezar para arranjar um ½ de te levar para ¼”. Assim termina a introdução deste Dadaísmo que espero ser bem recebido por todas aquelas pessoas que estão cansadas de se despirem diante do espelho e reclamar da pelugem sobre a genitália, também desejo ardentemente que aqueles que por necessidade levam os jornais para o banheiro que leiam este emaranhado de palavras e no final tentem ao menos entender da maneira que ninguém entenderá. Bem, um assunto que sempre me incomoda é aquele que se instala no interior do subconsciente sem mostrar realmente qual é a sua função, você está debatendo em uma determinada contenda buscando mecanismos legítimos de resolução para a inquietude, quando vem o tal assunto, mas sem explicar em notas ou em números, em rimas ou versos brancos embargando todas as possibilidades de reação.  No momento passa pela cabeça cenas de filmes estranhos, nuvens de gafanhotos devorando o milharal, corvos perseguindo os gafanhotos, mas espantalhos medonhos parecem sorrir de braços abertos aterrorizando os corvos que fogem em algazarra enquanto o vento sopra a palha que bate na parede da casa. Filmes poderiam ser como os livros em sua intensa continuidade sem cortes longos, sem passagens provocativas das linhas de tempo. Lembro-me que quando li o Frei Beto “Batismo de Sangue” pouco depois me chegara às mãos o filme, ainda sentia aquele grito de Fleury na minha modesta sentimentalidade contrastando com as ultimas e aterrorizadas palavras do Frei Tito “É melhor morrer do que perder a vida” aconteceu poucas coisas numa frivolidade sequiosa e midiática. Confesso que tenho medo de gafanhotos, a origem é bem nítida na minha memória e o culpado chamava-se Clovis, meu tio maluco, morreu fazem algumas centenas de semanas. Eu estudava a primeira série e ele era uma espécie de Professor de reforço para minhas dificuldades, principalmente Matemática. Um dia teria que fazer uma pesquisa de ciências sobre Gafanhotos, não sei por que cargas d’água a professora dera o tema, só me lembro de pedir ao dito cujo que me ajudasse. Sentamos e fui orientado como deveria, o problema foi quando ele disparou a língua para os lados fantasiosos das pragas do Egito e complementando que de acordo com a bíblia os gafanhotos acabariam com o mundo, já que não existiam armas suficientes para acabar com os bichos que foram criados na época de Moises, assim passei dias atormentado com a premonição de que a qualquer minuto uma nuvem de gafanhotos desceria sobre o mundo e aniquilaria com tudo. Cheguei a ter tanto medo que o menor grilinho verde que enxergasse já entraria em estado de alerta. Certo dia assistia o Jornal ao lado do meu pai e mostraram na reportagem Gafanhotos acabando com plantações em áreas vastíssimas, então ciente de que pouco depois os bichos poderiam vir para onde eu estava, doei minha bola, meu jogo de botão do Cruzeiro e um ioiô que havia ganhado em um álbum de figurinhas, quando minha mão soubera daquela atitude socialista pegou um cinto e só não deixou suas marcas pelo meu corpo franzino, por que eu confessei tudo, desde a origem do medo até a matéria da televisão. Resumindo quando o assunto faísca, mas não acende é melhor buscar outro recurso para falar sem sofreguidão e já que a proposta é falar das abelhas produtoras de ácidos ribonucléicos, vamos pesquisar sobre a ação do Iodeto de sódio na salada, já que especialistas alertam para o perigo dos raios-ultravioletas do sol após as dez horas da manhã.

Por Adilson Cardoso

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