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Coluna – Da Relação entre as coisas

Ando cheio do jeito que as coisas são. Quero ser Dadaísta por um dia. Por dois dias e algumas semanas, quem sabe construo uma nave espacial com uma roda de bicicleta e saio por ai, fico o resto da vida pedalando no ar e vendo as coisas não acontecerem como vem sucedendo as catástrofes racionais. Penso que da forma que os guardas gesticulam nas ruas, os loucos não devem nada aos seus movimentos irregulares que lhes alcunham de surto psicótico, os apitos também não deveriam atuar da maneira que se postam, para quem possui um pingo de dor nos ouvidos aquilo é uma tragédia nas “trompas de eustaquio” e para os cães que se assustam com um pequeno “estalo de salão” é melhor não dirigir, se acaso vier algum bastardo surrealista os colocando na pintura, não deveremos levar a sério. Salvador Dali destruiu  alguns muitos relógios para fazer a “persistência da memória” porém continuou com seu bigode esguio e sua inimizade com Luiz Buñuel. Desta vez não posso me dispersar, se é trágico para a Art. Naif, o problema é dos tons suaves, eu quero reafirmar que o Dadaísmo anda cortejando meus sentidos e a rua em que  moro se chama ouro. Fantasio antes de sair e depois que chego em casa  deito no escuro com uma perna em cima da cama e a outra dependurada para sentir o frio do cimento. Digo sorridente, “Tomei banho com o sabonete mais barato que achei na prateleira do mercadinho e usei um desodorante que tem mais álcool que a cerveja  que tomo de pé no balcão, mas pisei em ouro. Ao abrir o portão sempre no  horário, meus olhos se tornam anictéricos, cintilantes refletindo o chão da minha rua, passo   no mesmo lugar, onde pequenas pedras de ouro deslizam bueiros a baixo, creio que os ratos moradores destes submundos andam  na mais pura  riqueza, mas não entendo porque os flagro de vez em quando em cima da pia da minha cozinha. Deixo quieto, não tenho que  enveredar pelas razões ratisticas do não gasto do ouro que é deles por direitos, uma vez que as pedras que rolam caem sobre suas mobílias asquerosas e até nas  suas cabeças. Sigo em frente, calço um sapato de salto barulhento para sentir o ruído do ouro até o final onde a esquina dobra e não posso mais chamar de ouro. Minha avó antes de morrer adquirira certa liberdade da vida e ficou doida, como dizem às pessoas que não experimentaram a loucura, numa das suas internações no Manicômio municipal, dissera que eu fui ungido pelo Planeta Marte quando ainda não estava na barriga da minha mãe, que tivesse cuidado com os poderes que tenho para não destruir a terra. Ainda que nesta época já houvesse lido o “Elogio da Loucura” de Erasmo Desiderio, por conveniência quis acreditar na minha Vó, e me sentia realmente com algo estranho por dentro, o pior é que a vontade de experimentar o poder crescia a cada perigo que rondasse no mundo físico espiritual ou psicológico. Mas a merda viria antes que eu desse conta,  quando a Challanger se espatifou no ar após alguns segundo de decolagem,não sei por que “cargas d’agua’ fui até a policia e me entreguei como co-autor do desastre, o delegado calmamente ouviu meu relato durante duas horas, depois chamou outro delegado que pediu para dizer a mesma coisa. Eu disse durante mais duas horas, no terceiro delegado eu já estava me sentindo babaca, ungido pelo Planeta dos ETs, cheio de super poderes e tomando chá de cadeiras de delegadinhos mortais, não poderia aceitar pacificamente aquilo, então coloquei as mãos nas frontes e mentalizei para desaparecer dali e voltar imediatamente para minha casa. Resumo da história quando tirei as mãos do lugar estava no mesmo Manicômio em que estivera minha Avó.  Por via das duvidas depois do efeito dos remédios resolvi esquecer a história da unção. Já que minha Vó também negara o que havia dito. Acabei não sendo um Dadaísta como deveria. Para dizer a verdade, esta dona não era minha avó, também não sei o motivo que me levou a fazer  confusão, nunca tive avó sou filho o primeiro bebê de proveta que a televisão não mostrou.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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