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Coluna – Ensaio do Caos

Doutor ando meio esquisito, não sei o que fazer com o meu corpo, minhas partes não se entendem, começo a ter medo. Outro dia abri a boca para morder um biscoito e um olho se fechou, minha mão direita retirou violentamente e a esquerda puxou meu nariz. Então levei a boca de encontro ao biscoito, mas a mão esquerda que apertava no nariz não deixou que a mão direita chegasse até a boca. Do nada as pernas começaram a correr, correram muito, sem a menor vontade de parar, o biscoito havia caído e eu estava com fome, também viera à sede e gritei por socorro, quando um senhor de boas intenções parou a minha frente oferecendo ajuda, minhas pernas passaram por ele carregando meu corpo mole e minhas mãos estranhas que se batiam, uma delas deu de soco na cabeça dele que fugiu desesperado também pedindo socorro, o pior é que eu gritava por socorro em disparada atrás do homem. O olho direito ardeu com algum cisco soprado ali por acaso, lacrimejei, contudo o ardor continuava e eu tentando fazer com que o braço direito ajudasse o olho que nem se abria mais, porém mãos e braços estavam travados numa luta de socos e beliscões, o olho ardido não poderia ser aberto, restou-me o outro que olhava para a direção em que ele precisava olhar e também cuidava da direção onde o outro não olhava, parecia uma lanterna inconstante focando sem objetivo em todos os cantos, para cima e para baixo, para um lado e para o outro. Até o momento em que um dos pés quis entrar para esquerda, mas o outro estava decidido em seguir a linha reta, resultado desta falta de entendimento foi o tropeção que me arremessou alguns metros à frente, rolei feito bola, havia uma pequena depressão no caminho que para a situação pareceu avalanche. Naquele momento o caos tomara proporções indesejáveis, os pés se chutavam e a mão se batia fervorosamente, até o instante em que mãos e braços, pés e pernas decidiram se unir, Meus Deus, o pior é que não foram lados afins, mão e braço direito aliara-se pé e perna esquerda e a coisa foi literalmente se tornando insustentável, já que os membros superiores cruzavam sobre meu abdômen para atingir os membros inferiores que naquela máxima de o ataque ser a melhor defesa girava no ar com golpes impressionantes de Capoeira, estes que jamais soubera possuir tais agilidades. O olho esquerdo que era o meu guia decidira se fechar por precaução já que as unhas passavam feito laminas raspando a testa, um soco pegou no meu nariz e um pum estrondou na retaguarda, algumas gotas de sangue pingaram quente da narina esquerda, mas em questão de segundos um golpe vingativo atingiria a direita, cai novamente com os olhos fechados e narinas sangrando sobre pernas e braços no duelo mortal, atrás havia evoluído os estrondos e os puns se diluíram pernas a baixo!”

“Sim, ótimo, mas esta parte eu já tinha visto e o restante?” “Ai professor ainda não consegui sair desta cena, Mas evolui um pouco, já consegui colocar o titulo!” “Então por hoje estão dispensados, amanhã quero que traga o texto pronto para o ensaio”!

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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