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Coluna – Leilão dos cargos públicos

O Brasil, lamentavelmente, é um país irremediável no combate ao nepotismo, toma lá dá cá, balcão de negócios e outras barganhas indecorosas. A indecência não é culpa só deste governo, mas um  traço de indignidade derivado desde os primórdios da República. Por isso, por exemplo, quando os políticos do PSDB criticam o comportamento do PT, PMDB etc., se esquecem de que não são diferentes, ou seja, são farinha do mesmo saco.

Se não fosse por interesses velados e facilmente percebidos, poucos abraçariam o exercício político por muito tempo. Há parlamentares abonados, que estão no Parlamento apenas para mediar os seus negócios particulares e de amigos, que nem deveriam receber salários. Há outros, não abonados, que fazem do Parlamento cabide de emprego. Apenas alguns estão preocupados, realmente, em servir a nação.

Com efeito, ser político no Brasil é um grande negócio, pois as vantagens auferidas são muitas. E é por isso que as dinastias políticas se multiplicam no país. Parece até que o cidadão dessa linhagem já nasce com o DNA político, de tão manifesto é o seu interesse solerte pelo exercício político.

Pois bem, quando se assiste ao governo leiloar cargos públicos com os políticos da base de apoio para aprovar as medidas de ajuste fiscal, que o povo não deu causa, tem-se a exata dimensão do quadro de nossa corrupção política. Este país viciado deveria se espelhar  nas boas práticas de países civilizados e de respeito com a coisa pública, como Nova Zelândia, Dinamarca etc.

Enquanto aqui, a raiz da corrupção está alicerçada na distribuição de “cargos de confiança”, que podem ser ocupados sem mérito e concurso, na Nova Zelândia os serviços públicos não são preenchidos por indicação política, o que garante serviços públicos eficientes, sem nepotismo ou favorecimento político.

Vejam a estatística do escândalo

Nos dez órgãos federais cujos cargos de confiança apresentam os menores porcentuais de filiados, os escândalos de corrupção são raros: Marinha (4,8%)-zero; Relações Exteriores (5%)-3; Aeronáutica (5,5%)-zero; Escola Nacional de Administração pública (6,3%)-zero; Exército (7,3%)-zero; Fundação Oswaldo Cruz (8%)-zero; Superintendência de Seguros Privados (8,3%)-zero; Defesa (8,6%)-1; Inmetro (8,6%)-zero; Comissão de Valores Mobiliários (8,8%)-1.

Nos cinco órgãos federais que concentram o maior número de escândalos de corrupção (262 ao todo) é alto o percentual de filiados em cargos de confiança: Transporte (11%)-38; Saúde (14%)-95; Trabalho (19%)-36; Incra (22%)-45; Sudam (22%)-48.

O ninho petista. O Ministério de Desenvolvimento Agrário com 1 009 cargos de confiança, sendo 161 do PT, 59 de oito partidos aliados e 22 de três partidos de oposição.

Confira a distribuição partidária nos cerca de 2 400 cargos de confiança em 24 ministérios: PSD-20, PPS-72, PR-92, PCdoB-99, PSB-111, PTB-120, Democratas-137, Partido Progressista-150, PDT-211, PSDB-219, PMDB-330, PT-816.

Como se vê, os partidos mais representativos são todos farinha do mesmo saco, componentes do mesmo bolo da corrupção e não têm moral para censurar ninguém. Nós, brasileiros, que pagamos a conta de todos esses corruptos temos de reagir. O sistema político atual só favorece a corrupção. O voto distrital puro seria boa alternativa, mas os políticos indecorosos não querem.  O recorrente comportamento indigno de nossos políticos poderá ensejar, quem sabe, uma nova intervenção para moralização do país.

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado

Balneário Camboriú-SC

Júlio César Cardoso
Júlio César Cardoso

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