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Coluna – Rotinas do bar da esquina

Da janela escancarada do segundo andar ele olhava a rua melancólica, o bar da esquina com sua rotina trivial tocando uma musica antiga enquanto o celular vibrava sobre a cama, seus olhos ligeiros reconheceram o numero e fingiram não ter visto. Após alguns segundos o aparelho voltou a tocar, insistentemente o ruído disparava com urgência de ser ouvido. Com certo desdém depois de varias intervenções do aparelho atendeu com a mentira de que acabara de entrar no quarto, abriu um leve sorriso e balançou positivamente a cabeça, levantou-se e foi até a janela, descontraído  olhando um bêbado que se equilibrava nas ultimas forças que as pernas detinham numa cansativa jornada exorbitante. Um cão com jeito de conhecido andava ao seu lado tomando precauções para não ser atingido se acaso fosse ao chão, a voz no telefone parecia pedir a realização de um desejo, mas a mão direita dele fazia sinais de não com o indicador zigue zagueando no ar. Continuava escutando, andou da janela até a porta e olhou pelo “olho mágico”  com o telefone preso as mãos, uma sombra alongada se dissipava no longo corredor, alguém gritou lá embaixo, ele voltou à janela e viu o bêbado estirado no chão e algumas pessoas em sua volta, um carro estava parado e o motorista demonstrava preocupação com a mão na cabeça, atropelara o bêbado e o cachorro latia como se pedisse agilidade no socorro ao dono, o bêbado não se mexia, mais pessoas se aglomeravam e outro cachorro apareceu para ver o que acontecia, mas o cão nervoso pela fatalidade com seu dono exigiu em rosnados que limpasse a área, o chegante também rosnou e se posicionaram para o duelo, enquanto alguém desesperado tentava fazer com que o bêbado não dormisse os dois animais se mordiam e se unhavam, uma senhora que vinha com a bíblia na mão e um monte de curiosidades para olhar a cena, levou uma trombada dos cães e correu sem olhar para trás, o SAMU demorava, o dono do carro era interrogado por todos os curiosos que chegavam, dizia a mesma coisa desde o primeiro a perguntar, virara a rua dando seta como manda o código de transito, velocidade compatível a via, mas o homem que não se segurava em pé, entrara de repente na sua frente, mesmo freando houvera a colisão, por pouco não atropela também o cachorro que o guiava. Concluía o motorista que estava com a sua Permissão Para Dirigir em vias de ser definitiva. No quarto a televisão havia sido ligada e passava o desenho de Scooby Dôo, um espantalho de cara sinistra tentava a todo custo impedir que os garotos detetives se aproximassem  de uma velha casa de fazenda, onde segundo a lenda havia um tesouro do Capitão Barone enterrado sob o moinho. Ele assistia e sorria da falta de coragem de Salsicha, mas de repente a voz voltou a lhe fazer pedidos o que seu dedo indicador voltou a zigue zaguear dizendo que não, sua boca respondia, enquanto seus olhos fitavam a televisão, parece que solucionaram mais um mistério, diante de policiais e o grupo de garotos detetives, a mascara do espantalho foi retirada e para surpresa de todos era o Xerife Paul, mas Fred começou a contar a desconfiança deles a partir do momento em que ele o xerife disse que aquilo de espantalho era coisa de pessoas sem ocupação e que o melhor que eles tinham a fazer era deixar aquela propriedade em paz, ali jazia os grandes bem feitores da região. Porém em pesquisa realizada na biblioteca central, descobriram um livro escrito por um biografo do Capitão Barone contando em detalhes entrevista dele dando veracidade a lenda do tesouro. Com isso após anos  da morte do capitão e nenhum reclamante da herança ter aparecido à velha fazenda transformara-se em local de turismo tombado pelo patrimônio histórico, mas havia vários meses que nenhum turista aparecia por medo do espantalho.  O barulho da sirene do SAMU, fez com que ele voltasse à janela, o bêbado foi embrulhado em um papel com aparência de alumínio e a musica antiga voltou a tocar.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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