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Coluna – Sobrou para o Guarda

Já dizia o ditado que os justos pagam pelos pecadores. Exatamente isso que se detectou numa destas instituições que pouco se preocupa com o direito do usuário. Enquanto todo o grande escalão de importantes burocratas fugia da responsabilidade do dano que causaram, um nada e desimportante serviçal recebia toda a descarga dos dejetos não engolidos. Porém, um dia a modéstia chegou ao seu limite e explodiu como um vulcão eclodindo em palavrões mandando todos tomarem onde bem mereciam. Vamos. Nesta dita instituição que não é preciso nem dizer o nome, pois a primeira letra dela todos estão fartos de saber, chegou uma senhora de boa aparência, olhos verdes ampliados pelas lentes dos óculos, uma bolsa preta de botões dourados do lado esquerdo, fala suave, 50 anos aproximadamente de docilidade visível nos gestos. Queria saber da balconista como falar com o gerente para fazer uma reclamação. Mesmo com um harmônico bom dia, quase sussurrado e com um hálito de manhã de primavera, unidos aos tenros olhos verdes extravasando doçura, a moça continuou olhando seu caderno de notas, o silêncio perdurou e a senhora respirou fundo, abriu um sorriso sem muita inspiração, mas a atendente continuou absorta no seu mundo. A cliente então repetiu os mesmos gestos amáveis da chegada e aguardou uma resposta, mas a moça continuava ausente daquele corpo que calculava febrilmente seus lucros. Somente na terceira vez que a senhora já perdia parte da compostura deixando uma cólera negra tingir a cor dos olhos e a pele clara ser invadida por um rubor repentino foi que a balconista levantou a cabeça com desdém e apontou para uma mesa ao lado de um quadro de aviso. Ao livrar-se daquele vilipêndio em pessoa, ela salvou-se da ira e fez o exercício da tolerância, contou até dez dirigindo-se conforme orientada. Ao chegar até o local indicado repetiu o mesmo ritual de educação, a mesma gentileza com as mesmas perguntas. Por infeliz coincidência o desdém foi igual, esta atendente falava descontraída ao celular comentando o show de Paula Fernandes na exposição, falou sobre um carinha que conheceu e já saíram duas vezes, ainda pediu segredo, pois se o marido descobrir cobra o chifre na faca. Só para usufruir um pouco mais dos bônus fez uma breve descrição do educativo programa do Gugu. Aquela senhora que no inicio do caso tinha os olhos tenros e voz suave, bateu a bolsa sobre a mesa com suas maçãs do rosto avermelhadas como brasa de fogueira e soltou um berro como se fosse à versão feminina do vocalista do Sepultura, dizendo que queria falar com o gerente. A atendente se achou no direito de vitima e fitou-a com cara de quem é bruscamente violentada no seu direito de falar ao celular e pediu a quem falava que aguardasse um momento. Informou então para a cliente que seguisse reto e virasse a esquerda do corredor. A cliente que além da paciência já havia perdido quase uma hora da sua vida, andou como se estivesse na marcha do cisne, cuspindo marimbondos como dizem no popular e eliminando coisas que nem o espaço da leitura sem censura pode publicar. No lugar indicado estava uma vaidosa figura com um espelho de retrovisor de motocicleta se maquiando delicadamente. Desta vez a cliente preferiu o silêncio para comprovar se estava realmente invisível como parecia, posicionou-se em frente aquela e não disse nada, o seu intestino provocava ondas severas de peristaltismos, sentiu uma taquicardia repicar o coração, mas a atendente nem se dava ao trabalho de perguntar o que desejava. Após cinco minutos desta guerra civil intestinal e de total invisibilidade, A ex-pacata senhora começou com um palavrão que só se escuta de torcida de futebol quando o juiz não dá um pênalti no final do jogo contra seu time. Veio outro berro daquele anterior de cantor de Heavy Metal e simultaneamente um soco em cima da mesa. Todavia, pessoas altamente treinadas para escarniar o cliente não se tocam com tais fúrias. Friamente a vaidosa atendente desviou o olho do espelho e apontou para um vigia que estava feito guarda Inglês, ao lado de uma porta dupla de vidro escuro, dizendo que a senha para o gerente era com ele. Agora era uma violenta mulher que voltava a marcha do cisne, mas com o veneno da Cascavel chocalhando nas artérias, quem sabe a força da sucuri mesclado à fome da Onça Pintada após tempos sem caça. O engessado vigia estava entre os seus 60 e poucos anos com cara de responsável e amigável, esboçando um sorriso antecipou um bom dia a cliente, que com os olhos vermelhos e a boca escumando respondeu: “Bom dia um c… seu f.d.p, vá tomar no seu piiiiii…. Eu quero falar com o gerente agora seu corno velho safado!! O atônito vigia de cabeça baixa disse apenas que ela pudesse entrar que o Gerente iria atendê-la. Após a informação saiu de cabeça baixa e pediu demissão.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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