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Coluna – Grão Mogol; Da distância se enxerga melhor

Muitas das vezes é necessário distanciar das coisas para visualizar e entendê-las melhor. Isto vale para uma porção de atribuições no dia a dia. Particularmente, adoto isso no caso de escrever um texto. Não dou por concluído sem antes ler e reler o que faço. Tiro ou acrescento alguma coisa. Dou uma saída e volto ao texto até achar que está no ponto.

Coluna - Grão Mogol; Da distância se enxerga melhor
Coluna – Grão Mogol; Da distância se enxerga melhor

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Em se tratando do Brasil e das suas mazelas, quando a gente tem a oportunidade de distanciar do País por meio de uma viagem ao exterior, entende melhor a terra onde nós brasileiros nascemos. Apesar de tudo, dos maus políticos, da corrupção, das desigualdades que insistem em imperar, não há lugar melhor pra gente viver que no Brasil.

Como estou fora de Montes Claros, minha terra natal, há mais de 40 anos, embora esteja sempre retornando à querida urbe, posso dizer com toda sinceridade como a vejo e com mais propriedade se estivesse morando o tempo todo com os conterrâneos.

Antes de prosseguir convém fazer algumas ressalvas. O intuito não é culpar ninguém nem criticar nenhuma das administrações públicas do passado nem a atual. Mas o crescimento desordenado de Montes Claros, sem um plano diretor, torna a cidade feia. Por mais que a queiramos bonita, não posso deixar de fazer essas considerações, sem a paixão que sempre alimentei e alimento pela terra natal.

Hoje, retornei a Montes Claros naquela base do “bate e volta” a fim de participar do lançamento do II Festival de Inverno de Grão Mogol – Circuito Lago de Irapé, na sede da Unimontes, que se iniciava quando saí fui morar em Belo Horizonte. Funcionava no sobrado antigo da Escola Normal Professor Plínio Ribeiro. Pra mim foi uma surpresa adentrar ao campus da Unimomentes.

Mas a gente nota que Montes Claros com o seu porte de capital do Norte de Minas, não perdeu o verniz amarelo avermelhado que sempre impregnou as suas estreitas ruas. Não perdeu e a gente nota que o verniz aumentou de intensidade, nem o pó de asfalto o escondeu. Parece que as ruas estão empoeiradas como eram no tempo aí vivido.

Outra coisa que deixa devera contristado é o trânsito de veículos. Montes Claros não nasceu para comportar trânsito de veículos tão intenso. As ruas estreitas foram feitas para charrete, carroça, originariamente. Tomadas de carros, motos e bicicletas – e muita gente – palmilhar as ruas ficou difícil.

Além disso, no ‘centrão’, ali pelas bandas da Praça Doutor Carlos até a Praça de Esportes, a poluição visual proporcionada pelas placas do comércio em geral, é de causar má impressão a todo ser visitante. E decepciona quem ouviu falar, viu na TV ou ouviu pelo rádio as maravilhas de Montes Claros cidade cantada em verso e prosa.

Vendo tudo isso e principalmente o trânsito de veículos, tem-se uma visão estapafúrdia de Montes Claros em futuro próximo. A continuar esse trânsito insuportável de veículos, logo chegará a hora em que os montesclarinos ficarão parados nas ruas dentro dos carros.

É incrível pensar que o carro feito para dar conforto e velocidade aos acontecimentos humanos se vai tornando um inimigo supermortal. O carro pode matar de várias maneiras, e por último está matando os montesclarinos de estresse, tensão, irritação e mau humor. As pessoas irão o tempo todo desejar que os carros venham adaptados com hélice para sair dos congestionamentos.

Outra coisa que é motivo de tristeza: ao chegar a Montes Claros pela Rua Justino Câmara foi constatado casas em estilo colonial em processo de desabamento. Casas que podiam ser recuperadas e servir de amostras da cidade quando o modus vivendi era outro, bem diferente, pacato, lento, pachorrento.

Os jovens das gerações de hoje não terão nem ideia de como Montes Claros era. Vão achar que sempre foi assim, congestionada, poluída visualmente, perigosa desde que ganhou a BR 251, que o tempo provou ser, como diria sr. Nilo, açougueiro lá da Rua São Francisco, do tempo nem tão longínquo assim, quando se era criança, “isto é faca de dois gumes”. Trouxe o progresso a qualquer preço. E é mesmo.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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