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Coluna – Socorro

Em situação de perigo ou de necessidade muito grande o grito de pedido de socorro é natural e freqüente. Mas nem sempre chega a ajuda pedida e esperada. Tudo depende da situação em que a pessoa se encontra, de sua solicitação de ser ouvida, ou da boa vontade de alguém que possa vir ao encontro do pedido.
Numa espaçonave avariada os tripulantes teriam pouca chance de salvação. No meio do oceano, mesmo os passageiros de um Titanic poderiam não sobreviver. Uma pessoa que sofre um problema grave de saúde, se não chegar logo quem possa atendê-la, pode morrer. Num mundo conturbado por guerras, fome, miséria, falta de justiça, exclusões e outros males, especialmente morais e espirituais, às vezes nos habituamos com tudo e não nos solidarizamos com os que precisam de ajuda.
Muitos pedem a Deus a solução de seus problemas e parece não serem ouvidos. O próprio Jesus, do alto da cruz exclamou, como que representando a amargura humana de ter que sofrer tanta dor e injustiça: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Marcos 15,34). O sentimento de abandono mostra o sofrimento e o sentimento total de não ser querido, amado e atendido! Na humanidade isso acontece de modo terrível. Não ter o que comer, ser refugiado, não ser amado pelos de casa, não ter o necessário para nutrir as necessidades básicas e ser traído por quem deveria amar, tudo é o contrário da realização humana. É sofrimento pleno e existencial.
Na barca em que Jesus está dormindo enquanto os discípulos estavam atemorizados dentro devido à tempestade (Cf. Marcos 4,35-41), a certeza de sua presença e de seu poder de tudo acalmar levam os mesmos pescadores a confiar nele. O Divino Mestre fez haver a bonança. Isso acontece frequentemente na vida de quem tem fé. Apesar dos desafios, mesmo os maiores, sabemos que a vida tem jeito. Deus muitas vezes não age como imaginamos. Ele nos dá capacidades, talentos e oportunidades para sermos solidários e termos meios de solução dos problemas. O próprio Filho de Deus quis nos mostrar que, até nas injustiças humanas, é possível haver esperança, como Ele teve no Pai, que o ressuscitou de entre os mortos. O grito de socorro tem repercussão no coração de quem é humano e tem o amor de Deus em si. No meio de tanta desonestidade, há quem tem retidão de caráter, noção e prática da justiça para ir em ajuda de quem precisa. Usar bem da inteligência e de todo o potencial humano, faz as pessoas assim manifestarem solidariedade. Se um quarto da população terrestre está passando fome, um terço da mesma desperdiça alimento. Por isso, seguindo o que o Messias ensina, haverá mais fraternidade, boa política, solidariedade humana, para a solução dos problemas existenciais.
Deus parece dormir. Na realidade Ele está desperto nas pessoas que se abrem para escutar o grito dos oprimidos. Não fosse isso a humanidade inteira estaria no caos sem saída. Temos esperança em quem não faz da vida o querer e roubar só para si o que é de todos. O que é demasiado para alguém pertence a quem precisa e não o tem. Por isso, formar para a alteridade é essencial para a continuidade do ser humano no planeta terra. Os bons não podem se omitir em ajudar a consertar o coração e as atitudes humanas. Não bastam as leis, que também poder ser erradas. É preciso colocar no coração humano as leis divinas. Aí o socorro vem com realização de vida digna para todos!
D. José Alberto Moura, CSS
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, MG
D. José Alberto Moura
D. José Alberto Moura

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