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Coluna – A verdade, a mentira e o elefante

A escritora Rosiska Darcy de Oliveira afirma que a mentira tem uma lógica implacável. Só é possível mantê-la graças a mais mentiras. Essas mentiras a mais vão exigir, para que não sejam descobertas, uma cadeia de novas mentiras. A mentira é um poço sem fundo. Com o tempo, ela invade tudo e passa a alimentar-se a si mesma. Devemos, assim, lutar pela formação de pessoas vocacionadas à busca da verdade, em quaisquer de suas formas.

Há milhares de anos, como se estivesse conformado com o fato de que viver sem contar pequenas mentiras fosse tão impossível como viver sem respirar, o filósofo chinês Confúcio (551-479 a. C.) recomendava que se apelasse à reprovável prática somente quando a verdade pudesse prejudicar uma família ou à nação. Confúcio acabou por gerar uma grande confusão em terras tupiniquins, já que mentiras deslavadas têm sido reiteradamente contadas sob o pretexto de preservar o nosso país. Talvez dos salteadores do erário. Quem sabe?

Mentir, em linhas gerais, é falar ou dizer algo contrário à verdade. É o engano em seus diferentes aspectos. Nocivo ao ser humano e à espiritualidade das pessoas. A juventude, por exemplo, está sendo arrastada à perdição pelo prazer transitório da inclinação às drogas, ao sexo precoce, aos desvios, à mais completa falta de educação e instrução. Tudo enganoso, anormal, mentiroso, trazendo prejuízos físicos, morais e psíquicos ao nosso povo varonil.

Uma das características do ser humano é (ou pelo menos deveria ser) a eterna busca pela verdade. É o mais profundo desiderato de comprovar a veracidade dos fatos e de distinguir o verdadeiro do falso. A busca pela verdade surge logo na infância. Ao longo da vida estamos sempre questionando as verdades estabelecidas pela sociedade. A filosofia, por seu turno, tem na investigação da verdade o seu maior valor. Ocorre que, em nosso país, estamos fomentando um grave problema: estamos cultivando gerações inaptas à busca de verdades mais comezinhas. O nosso povo, é bíblico, não está conseguindo enxergar um palmo além da testa. É aí que surge a política de rapina. Oportunista, que finca suas bases na falta de educação, na pobreza e na fraqueza institucional. “As Instituições estão carcomidas em suas bases, por um poder a elas estranho. Já não se autodeterminam. Na busca de favores não cumprem mais os seus misteres e não servem mais a sociedade, se perdem em si e faz perder a nação”. E ai de quem fizer o contrário! Quanta tristeza! Lamento profundamente!

Nietzsche dizia que “verdadeiro não significa em geral senão o que é apto à conservação da humanidade. O que me deixa sem vida quando acredito nele não é a verdade para mim, é uma relação arbitrária e ilegítima do meu ser com as coisas externas”. De fato, a verdade é fruto de percepções. Devemos, assim, buscar percepções que reflitam um mínimo de coerência com a realidade fática.

Há bem mais de um século, um poeta americano transformou em versos uma antiga parábola: Os Homens Cegos e o Elefante, aqui retratadas livremente, a fim de exprimir a ideia central do texto. A primeira estrofe do poema diz que:

“Seis homens do Hindustão,

Muito ávidos por aprender

Quiseram conhecer o Elefante

Embora, cegos, não o pudessem ver

Pelo que observaram,

Suas mentes procuraram satisfazer”.

No poema, cada um dos seis viajantes pegou uma parte do elefante e descreveu para os outros o que havia descoberto.

Um dos homens encontrou as patas do elefante e o descreveu como sendo redondo e áspero como uma árvore. Outro sentiu as presas e descreveu o elefante como uma lança. Um terceiro agarrou a cauda e insistiu que o elefante se parecia com uma corda. Um quarto descobriu a tromba e afirmou que o elefante era como uma grande cobra. Cada um deles descrevia a verdade. E como sua verdade se baseava em uma experiência pessoal, cada qual insistia que tinha conhecimento do que sabia.

O poema conclui, dizendo:

“Então aqueles homens do Hindustão

Por muito tempo ficaram a debater,

cada qual com sua própria opinião a defender

Sem querer ceder,

Embora cada um deles estivesse certo, em parte,

Todos estavam errados em seu parecer”.

Parece soar contraditório, mas a luz tem sido obscura em nossa república. Governos, eleitos para representar o povo, mentem de maneira deslavada. Chega doer! Vemos, assim, apenas parte das verdades ocultas. A natureza ilusória da verdade foi tema favorito dos grandes poetas e contadores de história do passado. Shakespeare parecia estar particularmente fascinado por ela, uma vez que suas tramas se baseiam na incompreensão de verdades importantes. Existem em nossa nação verdades relevantes a serem descortinadas. Isso não é papel dos órgãos de controle somente. A verdade a que aqui me refiro é aquela capaz de mudar cenários. Erigida, em tempos atuais, na mais lídima consciência de que um país melhor depende da atitude de cada um de nós! Chega de bravatas!

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

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