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Coluna – Os colegas de João

Dar nome aos bois você pode. Trovão, Dengoso, Caramujo e Bufão são nomes que já tive o privilégio de ouvir e saber suas origens. Mas dar nomes aos bois quando a questão é parábola quando se deve apontar a graça do bicho homem a coisa se complica como o caso a seguir é verdadeiro vou chamá-lo de João, e peço ao João que conheço e infelizmente não nutre amores por mim que não processe, já que não tenho intenção de falar sobre ele. Se não existe apenas uma Maria no mundo, saiba que Joões estão por milhares. João era encarregado de uma turma de doze peões. Liderava com voz macia e uma discrição exemplar no trato com as meninas que vinham prestar serviços amorosos depois do expediente, tudo na mais perfeita surdina e nada de comentários posteriores. Na rua tratava a rapariga como dona sem esboçar qualquer feição de liberdade, era casado e a mulher colocava a mão no fogo, se acaso alguém dissesse o contrário seria motivos para desentendimentos, pois “João era santo” dizia sempre a esposa. E João comprava lotes e fazia casas, alugava e estava sempre com dinheiro, passeava em praias dos Estados Unidos e andava de avião como se fosse ônibus intermunicipal.  Os colegas o tinham como exemplo, ganhavam o mesmo tanto, torciam os ossos para guardar alguma sobra no final do mês, mas era impossível. Aluguel, água, luz, supermercado e duas cervejas no final de semana, era sofrido, todavia João era o sonho de perseverança, homem de família, honesto e dedicado construiu o que tem com o que ganhamos e nós nada, dizia um. O outro apostava que João era católico apostólico romano e as bênçãos de Deus caia sobre ele. Alguns cépticos e desconfiados viam aquilo estranho, mas deixavam a coisa andar. “Um dia a casa cai!”. João confessara certa vez durante reunião que seu segredo era usar as horas de sono para fazer outra atividade, que o sono estava sendo adiado para realizar os sonhos de consumo. Todos queriam saber qual era a atividade do João, homem honesto e honrado sou ainda mais fã do João, dizia um colega. Acho que João é guarda noturno, dizia outro. O céptico desconfiado ficou com a pulga ainda mais atrás da orelha, “ai tem coisa!”.  Certo dia João não foi ao trabalho nem mandou avisar o motivo da falta, no outro dia também não compareceu, mas também não justificou a ausência. Assim foram mais dias até completar uma semana sem que o exemplar servidor comparecesse no seu local de trabalho. Até que alguém chegou com a noticia de que a cara do João estava em um cartaz de procurado, o alvoroço foi grande e imediatamente vários telefonemas por pouco não congestionaram as linhas da delegacia. O responsável recebeu e tranquilamente repassou tudo que sabia sobre João, desde o seu nascimento, igreja onde fora batizado, nome da escola em que fizera os estudos iniciais, professores, colegas mais próximos, o primeiro envolvimento com o crime, a primeira detenção, a morte do motorista do taxi, a segunda detenção, a morte do carcereiro e do desafeto de cela. A transferência para o isolamento e a fuga pelo túnel construído cinematograficamente, na rua matou o primeiro guarda que encontrou pela frente roubou a arma e seqüestrou o gerente de um banco, recebeu o resgate e matou o homem, fugiu por galerias de esgoto chegando até o mar em São Paulo onde um submarino terrorista o aguardava. Daí em diante tornou-se o homem mais procurado do mundo, mas com dinheiro se compra tudo e ele comprou uma nova face construída pelo cirurgião plástico Julian Cokinet e documentos falsos na Praça Sete em Belo Horizonte, enfim depois de 20 anos de investigações descobrimos que ele ultimamente fazia parte do grupo terrorista Estado Islâmico e planejava um grande massacre no local onde se disfarçava de trabalhador.

Por Adilson Cardoso

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