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Coluna – Conexão Pequi

(Inspirado em O ROUBO DO PEQUI ATÔMICO de Augusto Vieira Bala Doce)

O livro é amarelo como o caroço do pequi, dentro dele a coisa vai se arranjando do A ao Z numa velocidade surreal, “trem” de cabeça catrumana alimentada com cachaça e carne de sol. Termina a história na página de numero 65, mas o caboclo viajado, principalmente aquele que costumava descer de “segunda classe” passando por Toledo, Canacy, Uratinga e quebrando para baixo vendo passarinho cantar e mato passar correndo, se farta mais um tiquinho das coisas pequenas que se misturam ao grande acontecer. Eu confesso que quando levaram o Pequizeiro naquela operação cinematográfica duas terríveis situações achei que fosse ocorrer primeiro uma incontrolável onda patriótica de homens comuns, sertanejos de bocas banguelas e braços fortes cheios de veias e calos nas mãos, se apossando de espingardas e facões para recuperarem o produto mor do nosso devastado cerrado. E essa minha temerância era nítida com imagens em HD sem chuviscos ou interferências no áudio. E tinha nome o líder da contenda, chamava-se “Cido de Sá Minininha” um homem que desde criança já era velho, explicando melhor, suas ideias eram obsoletas e sua vontade era formar uma “Gang na roça” e retomar o direito de ser cangaceiro. Cido morava em um pequeno rancho ribeirinho nas bordas do “Velho Chico” próximo a Pirapora, pai de quinze filhos em quatorze anos de casado. Comia pequi durante toda a safra, quando o fruto se esvaia apossava-se da casca e fazia um suco adoçado com flor de esponjeira e tomava com gosto, a esposa era tão incomodada com a disposição de Cido que um dia urinara dentro da garrafada para que ele diminuísse um pouco do fogo, mas o efeito foi contrario e ela partiu de malas e cuias de farinha com rapadura, refugiando-se na casa de uma tia em Tocandira, cidade próxima a Pai Pedro. Durante dias e noites Cido de Sá minininha embrenhara-se na mata pegando carona “no lombo do capeta” como o próprio dissera, até que encontrasse a mulher. A policia fora acionada e de dentro de uma loca de pedras, refugiara-se com uma polveira de dois canos e chumbo neles, só se rendera após uma semana sem tréguas com ele atirando dia e noite sem parar um só segundo. Nesse intervalo, batalhões de todas as cidades vizinhas havia levantado bandeira branca achando ser o próprio “capeta” que estive ali dentro com todas as armas e munições do paiol do inferno. Devotos de vários santos iam de Pai Pedro, Janauba e Porteirinha juntando-se em procissão para rezar pedindo que os policiais derrotassem o “anticristo” aquele que dizia a bíblia ser o novo responsável por acabar o mundo, o numero 667 já que o Papa é o 666. Aquelas pessoas seguiam o Beato Firmino “pingola de bode” sorumbático de barbas longas e cabelos assanhados, sonhara que aquela criatura dentro da loca de pedras não possuía arma alguma, atirava pela boca que também saia fogo quando anoitecia. Infelizmente feito outro resignado sertanejo de nome Saluzinho, Cido de Sá Minininha fora dinamitado covardemente por funcionários de uma pedreira de Montes Claros convocados pela policia, esses infames por pouco não destruíram o monte dois irmãos. Por estas datas Cido se encontra em Manicômio Judiciário prometendo que ao sair não deixará “pedra sobre pedra”. Enquanto isto Psicólogos e Psiquiatras forenses se unem em torno da decodificação desta frase feita, mas ainda não conseguiram decifrar. Meu outro medo era que o pequizeiro fosse plantado na terra de “Betinha” e fosse exportado para a China que segundo informações de “James bom de papo” hoje usam formas radicais de conter a natalidade abundante. Ainda bem que foi apenas um gostoso e divertido suspense.

Por Adilson Cardoso

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