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Coluna – Viver não é preciso, recordar também não

Boneca Leone
Boneca Leone

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Saudosismo não faz bem à saúde de ninguém. Inútil alimentar saudade do que já foi vivido. Pode virar doença de banzo. Mata. Ademais é viver de passado. Gostoso é recordar. Mas sem o sentimento de saudade porque se era feliz e sabia. Saudade dói, além do mais. Nada a reclamar da vida.

Quem conjuga e procura praticar o verbo “ser” é diferente de quem “é importante” porque conjuga o verbo “ter” em primeiro lugar e pessoa. Quando alguém diz “fulano está bem de vida”, é de se perguntar: “Ele está bem de vida por que goza de integridade espiritual, psíquica e física?”

Raciocine comigo: de que vale a pessoa se matar para enricar, alguns com dinheiro público, e depois ter de gastar tudo para tratar da saúde comprometida pela ganância material, consumista? Passará a vida gastando o dinheiro que amealhou com médico, laboratório, hospital e farmácia. E ainda corre o risco de tornar-se rabugento, insatisfeito consigo mesmo. O importante é ter o suficiente para viver dignamente. Com boa qualidade.

Só quem não tem história para contar guarda silêncio consigo mesmo. Quem possui história de vida sente necessidade de externá-la porque é como passar a vida em revista permanente. E pode ser que as histórias contadas façam bem a alguém. O mais importante é dar de si ao próximo nem tanto das posses.

Qual criança nascida na última década teve o privilégio de incluir em sua caixa mágica infantil, personagens tão marcantes como os das gerações das últimas cinco décadas? Aonde as crianças de hoje verão o que era visto naqueles anos, em Montes Claros de então, personagens míticos como a “boneca de Leonel?” (Foto).

As crianças daquela bendita época exercitavam a mente desde cedo porque só havia o incipiente rádio para estimular a imaginação delas. Atualmente, as nossas crianças recebem tudo pronto. Não precisam criar imagens que povoavam a mente da infância de então ao escutar uma novela pelo rádio. Ouviam-se as cenas e as imagens ficavam por conta dos ouvintes.

Veja que a boneca não era pequena. Dela e doutras coisas dependia o ganha-pão de Leonel Beirão de Jesus e companheiros. Ver essa boneca que ele utilizava como meio de fazer propaganda de lojas em Montes Claros era um privilégio. Claro que dentro dela havia alguém, que o professor Marcelo Valmor Ferreira afirma que “era Chico Preto, marido de Dona Maria Canela”.

Se para o espanto de todos acontecesse de Leonel Beirão de Jesus ressurgir dos mortos e aparecer para a meninada de hoje com a sua magnífica boneca, qual seria a reação delas? Poderia ser a mesma das crianças daquela época porque a personagem é arquetípica. Só que naquela época as crianças saíam atrás da boneca. Ela parava em determinados pontos quando se curvava e dava uma volta de 360 graus sobre a meninada. Era uma gritaria só.

Para a escritora Carmen Netto, que viveu bem as incursões de Leonel Beirão de Jesus e a sua boneca, ele era “é figura memorável com a inesquecível boneca (…) alegrando as ruas e nos momentos de sofrimento administrando à funerária, não deixando nenhum indigente sem o enterro digno”.

Foi contado noutra ocasião que Leonel tinha relacionamento estreito com a Polícia Civil de Montes Claros. Um dos filhos dele, rapaz fazendo o Tiro de Guerra foi morto com um tiro no peito pela polícia. Na época, a necropsia dos mortos assassinados era nas dependências do necrotério de Leonel, que viu o filho estirado numa maca com uma pequena perfuração do lado esquerdo do peito.

A foto da boneca, como informa Marcelo Valmor é do acervo de dona Maria das Dores Guimarães Gomes, e está registrada sob o número 800. “Belíssima, autêntica e rara foto da boneca de Leonel, tendo à frente Leoni Filho (Leléu) segurando o Rodrigo (filho de Iran e Leila Rego) no colo”.

Este seria um parágrafo desnecessário, mas a vontade de fechar esse texto com o que se lerá adiante foi maior: particularmente, você gostaria de ter nascido nos dias de hoje, se fosse possível fazer essa opção? Há dúvidas e controvérsias quanto a isso. Mas que antes as crianças eram muito mais livres presas em quintais, em contato com fadas, gnomos e outros elementais da Mãe Natureza, disto ninguém há de duvidar.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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