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Coluna – Um dos mais belos postais de Outrora

foto antiga da Praça Governador Raul Soares, mais conhecida por Praça da Estação Ferroviária
foto antiga da Praça Governador Raul Soares, mais conhecida por Praça da Estação Ferroviária

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Esta foto antiga da Praça Governador Raul Soares, mais conhecida por Praça da Estação Ferroviária, é verdadeiramente um marco para Montes Claros e o Brasil de hoje. A praça era realmente “um dos mais belos postais de outrora”. No tempo em que o meio de transporte predominante era o trem da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB) ligando Montes Claros a Belo Horizonte.

Dessa importante fotografia vista com senso mais arguto é possível fazer várias leituras se nos ativermos aos detalhes que nos deixam espavoridos se compararmos a realidade atual de Montes Claros e do Brasil com a daquela época, década de 40. Quem poderia prever o que aconteceria depois do ano 2000?

Mas, vamos com a interpretação da foto. Em primeiro plano o que vemos é a estátua de Francisco Sá, personalidade marcante da nossa história. Ele trouxe a Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB) para Montes Claros. A maioria das pessoas passa pela Avenida Francisco Sá, nem de leve imagina quem seja aquele homem de bronze em pé sobre pedestal e com a mão direita estendida. Menos ainda sabe o nome original da praça.

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Francisco Sá nasceu no município de Grão Mogol, em Brejo de Santo André, hoje pertencente ao município de Francisco Sá, antigo Brejo das Almas, no dia 14 de setembro de 1862. Ele era engenheiro, jornalista e político. Foi deputado provincial, ministro de Viação e Obras Públicas dos governos Nilo Peçanha e Artur Bernardes, e da Agricultura, Indústria e Comércio de Nilo Peçanha. Foi deputado geral, deputado federal e senador de 1906 a 1927.

Em síntese, eis o homem. Atrás da estátua dele, estacionados, estão os primeiros carros de Montes Claros. Quantos de nós andamos nessas “furrecas?” Eram os “fordinhos”. E dentro da leitura da foto, o que se vê claramente é o incipiente trânsito de carros, como que nada queria acabou caindo nas graças de Juscelino Kubitschek (JK) quando presidente.

Ele comprou o “lobby” da indústria automobilística norte-americana e, de lá pra cá, o Brasil sofre hoje as mazelas do excessivo número de carros nas ruas das grandes cidades, sem infraestrutura para suportar volume descomunal de veículos.

Isto sem falar da quantidade de vidas abatidas em acidentes automobilísticos ocorridos diariamente. Sem falar da poluição atmosférica causada pelo monóxido de carbono, carbono que, juntamente ao metano, deverá varrer a humanidade da face da Terra, segundo renomados cientistas, até 2040.

Em toda parte do mundo desenvolvido, as ferrovias têm o seu lugar. Aqui, não, é relegada. Países muito menores que o Brasil, como Japão e Israel, são cortados por ferrovias. Aqui, sucatearam as ferrovias e certos políticos detentores dos meios automobilísticos e rodoviários sempre legislaram em causa própria em detrimento da ferrovia.

Imagina se de Norte ao Sul, de Leste a Oeste o Brasil fosse cortado por estradas de ferro. Não seria para prescindir das rodovias, mas para equilibrar o volume de tráfego. Basta percorrer as rodovias brasileiras para constatar o quão perigosas são e não têm a devida manutenção.

E como se tudo isso não bastasse, a foto antiga nos mostra o quanto era bela a Estação Ferroviária da Central do Brasil. Imagina, se essa estação estivesse em pé nos dias de hoje seria um imóvel digno de ser bem utilizado. Tanto pela beleza arquitetônica quanto pela necessidade de preservação da memória coletiva. No lugar dela foi construído imóvel horroroso. Mas, pelo menos, o antigo galpão da Estrada de Ferro Central do Brasil foi conservado e será transformado em “espaço cultural”.

Montes Claros possui histórias e bem podia ganhar dinheiro com elas como os europeus fazem. Bremen, na Alemanha, tem por base econômica os personagens do texto dos Irmãos Grimm intitulado “Os Músicos de Bremen”. Um burro, um cão, um gato e um galo são os personagens da história que eles criaram. E por todo canto se veem réplicas dos personagens. E Bremen vive praticamente disso.

E olhe, Montes Claros tem personagens marcantes que bem podiam post-mortem ser valorizados e exaltados dentro de um projeto cultural/ turístico para atrair gente de todos os cantos do mundo, a fim de que possa fazer jus ao epíteto de “Cidade da Cultura”.

P.S.: Só para citar alguns personagens da nossa história: Dona Tiburtina, Deba, Cyro dos Anjos, Cândido Canela, Darcy Ribeiro, Dona Yvonne Silveira e mesmo Tuia, que era grãomogolense, mas povoou o imaginário de gerações de montesclarinos.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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