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Coluna – Em busca da fama

Está para ser lançado o livro “Maria Chica em busca da fama” do escritor e Jornalista Hesíodo José. Se eu não tivesse ouvido da sua própria boca dificilmente acreditaria na  veracidade do conto. Trata-se de uma espécie de biografia de uma baiana de Itabuna alcunhada por Maria Chica.  Com a licença do autor faço uma breve transcrição desta insólita tragicomédia. Filha mais velha de um comerciante de água de côco e uma costureira, Maria assumiu a responsabilidade dos outros seis irmãos antes de completar nove anos de idade, sem tempo para estudar a menina quando podia folheava revistas de cosméticos com datas vencidas que uma tia lhes deixava para brincar, ela via fotos utópicas de pessoas saudáveis por usar perfumes daquelas marcas, sonhando ser estampada naquelas folhas.  Certo dia quando olhava displicente para uma banca de revistas surpreendeu-se com um homem que dizia ser empresário de novos talentos, prometendo transformá-la em modelo se acaso tivesse pretensão de ser famosa. A menina que pensou estar sendo vitima de um milagre, nem perguntou o que teria de fazer, somente entrou no carro passou nas melhores lojas sob a tutela do homem que dizia ser o seu pai. No final da tarde com novas roupas, sapatos de marcas, cheirando a banho fino e de cabelos cuidados, entrou para uma espécie de estúdio onde teria que fazer foto nua, em nome da fama a menina achou normal, até deixou ser tocada e violentada. A noite se olhou no espelho, seu corpo ardia e sua cabeça a transportava para a humilde casa dos pais, o choro incomodo dos irmãos menores e as obrigações que tinha como dona de casa. Sentia que ainda tinha um tempo para ficar, que se preocupassem um pouco mais, que a procurassem, ela estava indo para o rumo da fama. A porta se abriu, quebrando a sequência de conflitos internos, o homem tinha cheiro de álcool e queria seu corpo novamente, dolorido e medroso seu coração palpitava e sua razão não entendia mais o rumo que a fama tomava. As lágrimas caíram e os gritos de pavor eram sufocados pelas ameaças daquele que a tomara com falsas promessas, não tinha fome, um sono com pesadelos dantescos fizeram daquela noite a pior de todas em sua vida. Mas a sorte bateria pela manhã naquela porta de cativeiro, após denuncias anônimas levarem a policia ao lugar errado de onde praticavam jogos de azar, sorte dela pediu ajuda e contou a história. Tudo estava resolvido por enquanto, já tinha seu álibi montado, havia sido sequestrada, a policia dava ciência. Dias após aquele desfecho Maria voltaria a sonhar com a fama, tinha ainda imagens travestidas naquelas roupas nobres e com os pés sobre sapatos de luxo. Displicente com sorriso na memória anterior não percebeu que uma mulher de cabelos curtos e óculos redondos no rosto se aproximava, em poucas palavras disse que se tratava de uma agenciadora de modelos para comerciais e tinha visto nela uma estrela. Novamente Maria estava perdida nas promessas e em mundo inóspito, desta vez sua viagem era encomendada para algum pais da Ásia onde o tráfico de mulheres enriquecia os aliciadores. Mas um garçom solto há poucos dias por pedofilia, ajudou na sua fuga para um casebre onde morava no subúrbio da cidade, antes que a encontrasse Maria lhe servira de Dona de Casa e esposa na cama, até o dia em que um vizinho ouvindo gritos chamou a policia, já faziam trinta e cinco dias que ela estava longe de casa. Desta triste vez o pai com desconfianças de que a filha estaria se deixando ser presa destas situações, entregou-a para um primo que era caseiro de uma fazenda em São Paulo. Maria estava então com dez anos e uma vontade imensa de se matar, para quem um dia sonhara com a fama se defrontar com o silêncio do mato e as vozes dos pássaros não tinha mais o que querer. Mas a morte ficava cada vez mais distante daqueles pensamentos, já que a senhora que lhe fazia honras de mãe era sonhadora e contava coisas que ainda queria viver. Até o dia em que aquele homem que se responsabilizava por Maria, aproveitou a ausência temporária da mulher e possuiu seu corpo frágil, mas já experiente naquela arte. Pela primeira vez ela não sentiu remorsos nem dores, apenas prazer de uma maneira juvenil como se tomasse um sorvete. Sem que ninguém soubesse Maria mantinha segredos com o Peão Zé Romildo, estes que incluíam além do roubo de um cofre em dos quartos da fazenda também uma fuga para a capital. Naquela noite fizeram amor no meio da estrada, quando pararam o carro e perceberam que não estavam seguidos… Deitada sobre os ombros dele Maria estava nua contemplando a imensidão de estrelas no céu, dentro de si imagens da fama se passavam feito reportagens de televisão, ela sorria sem deformar a estrutura dos lábios, no banco de trás a senhora também estava despida e tranquilamente contava as notas retiradas do cofre calmamente…

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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