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Coluna – O que faz você feliz?

A música composta por Seu Jorge, de onde extraio inspirações para o presente texto, apresenta uma letra que diz mais ou menos assim: “O que faz você feliz?/A lua, a praia/O mar, uma rua/Um doce, uma dança/ Paixão, dormir cedo/Comer chocolate/Passear na cidade/O carro, o aumento/a casa, o trabalho/O que faz você feliz?/Arroz com feijão/Matar a saudade/Goiabada com queijo/Um amor, um desejo/Um beijo na boca,/um dia de sol/viver um romance/jogar futebol/O que faz você feliz?”

Obviamente, a lista do que pode nos fazer feliz é enorme, variando de pessoa para pessoa. Se fossemos acrescentar aqui nossos desejos mais íntimos, a lista seria maior ainda, pois a felicidade é decerto um sentimento particular, inerente a todo ser humano. Encontrá-la sempre foi o desiderato de todas as gerações, passadas ou não.

De anseios simples ao mais complexos, essa busca por momentos de puro êxtase está impregnada em tudo que vivemos, e então nos perguntamos: a felicidade é uma situação meramente transitória? É a mensuração do que passamos? (Se der positivo então somos felizes!?) É poder ter tudo o que se almeja? É subjetiva, objetiva, formal, material? Enfim, o que será essa bendita felicidade?

Em pesquisas noturnas, na eterna busca pelo saber, encontramos conceitos polêmicos. Alguns ingênuos ou utópicos. Mas uma coisa é certa: mesmo tendo um conceito individual, regado por sonhos peculiares, todos, sem exceção, ainda que no menor dos gozos das faculdades mentais, procuramos este estado de espírito.

Desde a Grécia antiga, com as primeiras percepções filosóficas sobre ética, moral, virtudes, o homem já refletia sobre o que poderia ser felicidade. Tales de Mileto já dizia, entre os anos 7 a.C. e 6 a.C, que “ser feliz é ter corpo forte e são, boa sorte e alma formada”. Para Sócrates, entretanto, não havia relação da felicidade com somente satisfação dos desejos e necessidades do corpo. O homem, destarte, não seria apenas corpo, e sim e principalmente, alma. Felicidade seria então o bem da alma, através da conduta justa e virtuosa. Já para Kant, a felicidade não tem relação com ética. Está no âmbito do prazer e do desejo, e logo não seria tema para investigar de maneira filosófica.

A Constituição dos Estados Unidos da América, de 1787, colocava a felicidade como “direito do homem”, erigindo-a, assim, como pensamento político da época. Mas como ser feliz? Como fazer com que outros sejam também felizes? O que faz da vida aquele que se diz feliz? A felicidade alheia pode nos trazer felicidade?

Teorias filosóficas, médicas, receitas caseiras, casos alheios… Tudo contribui para nos deixar ainda mais indecisos, mais temorosos, pois segundo essas conjecturas a maneira como vivemos pode expressar felicidade ou não, dependendo do ponto de vista de cada um dos intérpretes da vida. E é aí, nesse complexo mundo dos conceitos abstratos, que nos deparamos com pessoas de várias idades, instrução, classe social, todas buscando o mesmo sentido em suas vidas: ser feliz!

Trago aqui, desse modo, uma reflexão que nos foi passada há algum tempo. Cuida-se de um pensamento do draumaturgo espanhol Jacinto Benavente, nobel de literatura de 1922, que sempre procurou nas ideias de Sigmund Freud influxos para suas peças: “ninguém aprende a viver pela experiência alheia; a vida seria ainda mais triste se, ao começarmos a viver, já soubéssemos que viveríamos apenas para renovar a dor dos que viveram antes.”

De igual modo, não se pode esquecer das lições de Mário Cortella, que em poucas palavras nos apresenta uma certa “receita” para a felicidade: “Ser feliz é não apequenar a vida…” Destarte, em tudo o que for fazer, por mais simples que possa ser, trate como algo verdadeiramente especial. Jamais menospreze o seu poder de transformar o mundo! Um sorriso, um gesto, um olhar. Basta desejar profundamente que aquele momento seja recheado de felicidades, e ele será!

Em conclusão, não se pode esquecer de duas premissas básicas sobre a felicidade: (1) a primeira é que ela deve sempre ser buscada, almejada por cada um de nós. A vontade deve vir de dentro para fora. Somos nós que provocamos nossos próprios sentimentos. (2) A segunda asserção, semelhante à primeira, é sempre olhar à nossa volta, valorizando tudo o que nos cerca, pois como diria Mario Quintana, “quantas vezes a gente, em busca da ventura, procede tal e qual o avozinho infeliz: Em vão, por toda parte, os óculos procura, tendo-os na ponta do nariz!”

E então, o que faz você feliz?

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

Dr. Marcelo Freitas
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