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Coluna – O tempo e os relacionamentos

A noção comum de tempo é inerente a cada ser humano. Todos somos, em princípio, capazes de reconhecer e ordenar a ocorrência dos eventos percebidos pelos nossos sentidos. Ao lado do tempo existe o momento, em regra indeterminado e breve.

Como o tempo tem fluido de forma rápida (não poderia ser diferente), os momentos são eternizados pela memória das pessoas de bem. A vida e o tempo são os nossos dois maiores professores. A vida nos ensina (pelo menos deveria) a fazer bom uso do tempo enquanto o tempo nos ensina o valor da vida.

Nos últimos anos, tenho observado, de forma atônita, o quanto os relacionamentos têm sido desfeitos de maneira tão mesquinha. As pessoas não exercitam o mínimo de tolerância. Famílias inteira são destruídas pela absoluta ausência de compreensão e paciência entre os parceiros, gerando eternas disputas insanas por questões banais. O que poderia ser uma saudável união tornou-se motivo para a perpetuação de ódio e rancor. O que fazer? Como evitar o mal da ruptura sentimental? Realmente, era amor? Era feliz e não sabia?

Dentre tantas questões, aprendemos que para ser feliz com uma outra pessoa, precisamos, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebemos, também, que aquele alguém que você acredita amar e que nada quer com você, definitivamente, não é o “alguém” da sua vida. Aprendemos a nos valorizar, a nos cuidarmos e, principalmente, a gostar de quem também gosta da gente. Como diria o poeta, “o segredo é não correr atrás das borboletas… é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!”

Para realçar a intenção do texto, é importante trazer aqui a história de um casal que estava casado havia mais de meio século. Poucas foram as vezes em que haviam brigado naqueles dez lustros. Os dias que passaram juntos foram recheados de felicidade e contentamento. Dividiam tudo e não tinham segredos entre si, à exceção de um. A mulher tinha uma pequena caixa que guardava no alto do guarda-roupas do casal. Ela sempre dizia ao marido que ele não deveria olhar dentro da caixa enquanto durasse o relacionamento. Assim foi feito por muito tempo…

À medida que os anos se passaram, chegou um momento em que o marido pegou a caixa e perguntou se poderia finalmente saber o que ela continha. A mulher concordou, e ele a abriu, descobrindo duas toalhinhas de crochê e mais de 25.000 reais. Quando ele perguntou o que significava aquilo, ela respondeu: “Quando nos casamos, minha mãe me disse que sempre que ficasse brava com você ou sempre que você dissesse algo de que eu não gostasse, eu deveria tricotar uma toalhinha de crochê e depois conversar com você sobre o assunto”.

O marido ficou extremamente comovido. Lágrimas rolaram pelo seu rosto com aquela doce história de vida. Ele ficou admirado pelo fato de que nos 50 anos de casamento teria incomodado a esposa apenas o suficiente para que ela tricotasse duas toalhinhas de crochê. Sentindo-se extremamente bem a respeito de si mesmo, pegou a mão da mulher e disse: “Isso explica as toalhinhas, mas e quanto aos 25.000 reais?”

A esposa sorriu gentilmente e disse: “Esse é o dinheiro que ganhei vendendo todas as toalhinhas que tricotei ao longo dos anos”.

Que o tempo nos ensine a ser um pouco mais tolerante com os outros, especialmente com nossas parceiras de caminhada. Relacionar-se é, antes, reconhecer que somos falíveis e também erramos, tal qual uma imagem refletida num espelho. Busquemos no próximo o que há de bom e belo. Que os defeitos sirvam para aprimorar o diálogo. Que ao final, a família seja preservada de todo o mal. O mundo precisa de um pouco mais de amor e compreensão.

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

Dr. Marcelo Eduardo Freitas
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