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Coluna de Adilson Cardoso – O dia que não era de Pedro

Pedro saiu cedo para receber o seguro desemprego, sem ter como pagar o ônibus andou a pé até chegar ao banco e se lembrar que estava sem a carteira de identidade. Pedro que nunca havia pedido nada a ninguém até aquela idade que se aproximava dos 50 anos parou olhando as pessoas em volta, algumas iam outras vinham, falavam em celulares outras falavam sozinhas, e tinham aquelas que já traziam a cara do mau humor na estampa do rosto. Pedro buscava uma com cara amiga para pedir-lhe a esmola de dez reais para voltar em casa e retornar ao banco antes que encerrasse o expediente, seria um empréstimo, diria a quem o socorresse que morava longe e precisava comprar mantimentos.  Após longos minutos de ensaio, um senhor magro com uma sacola azul na mão direita e um relógio antigo no braço esquerdo encostava com seu chapéu de palha na cabeça. Bastante acanhado pela subserviência Pedro coçou a cabeça por duas vezes até esbarrar propositalmente no homem, que no susto deixou a sacola azul cair no chão espalhando uma grande quantidade de dinheiro miúdo. No mesmo instante o homem deu-se a gritar por socorro temendo estar sendo assaltado, Pedro também assustado queria ajudar a proteger o dinheiro que voava com o vento catando algumas notas, porém quanto mais fazia, mais ouvia os gritos do homem que depositaria o dinheiro das vacas que vendera. Nisso outras pessoas começaram a pegar o dinheiro e a correr sob mais gritos do homem que já estava sem o chapéu na cabeça, Pedro viu que a policia chegava fortemente armada e o dedo do homem que lhe apontava cruelmente, sem ter outra opção saiu em disparada no meio de outras pessoas que catavam as notas e guardavam para si. Pedro notou que estava com uma quantidade de dinheiro nas mãos, mas não tinha noção de valores, queria se livrar daquilo jogando as notas para cima no ultimo dos desesperos. A policia ordenou que parasse, mas suas pernas não obedeceram, o pavor era tamanho que seus membros adquiriram consciência própria cada um, pernas corriam feito molambo, a boca balbuciava coisas desconexas, os olhos olhavam cada um para direção oposta e o coração saltitava pela boca. O comandante pediu ao soldado que atirasse em Pedro, mas o subordinado errou a mira e acertou outro carro da policia que vinha em sentido contrário prestar apoio, dentro da viatura o sargento achou que o tiro foi dado de propósito e desconfiou que os outros fardados dessem cobertura ao ladrão, ordenando imediatamente o revide. À bala por pouco não arranca a orelha daquele comandante que deduziu que a viatura estivesse apoiando o criminoso e reagiu com mais um tiro, desta vez se esqueceram completamente do meliante e deflagrou a grande guerra, balas zuniam e pessoas desesperadas tentavam se esconder, uma das balas furou um garrafão de água que um entregador de gás levava displicente com um fone de ouvido, mas ele continuou a pedalar sem se dar conta que sua encomenda estava baleada. Pelo radio as duas patrulhas pediam reforços argumentando que combatiam colegas fardados que davam cobertura ao bandido que assaltara um cliente do banco. Pedro abaixou-se entre dezenas de outros tementes e rastejando saiu dali vagarosamente, por medo de ser surpreendido em casa tomou rumo ignorado numa carona conseguida para fora da cidade era um caminhão baú, segundo o motorista com cara de boa gente levava frango congelado para o Espírito Santo, Pedro pensou em contar seu drama, mas contivera-se por receio de ser mal interpretado. Seguia tranqüilo, o coração já batia sem medo e prometia em silêncio que assim que se sentisse em segurança ligaria para a esposa contando o ocorrido. Porém uma barreira policial estava montada poucos a frente e vários homens armados mandaram parar o caminhão, os dois saíram com as mãos para cima e deitaram no chão. Pedro em estado de choque ouviu paralisado quando o Inspetor da Policia federal disse em voz alta: “Estão presos por trafico de drogas”. O caminhão escondia em fundo falso uma tonelada de cocaína pura.

Por Adilson Cardoso

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