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Coluna de Antonio Ribeiro – A praça da Sé e Pauliceia de ontem e de hoje

A PRAÇA DA SÉ HOJE

Ba última sexta-feira, houve lamentável ocorrência na Praça da Sé, centro histórico e marco zero da cidade de São Paulo.

Luiz Antônio da Silva, 49, havia sequestrado a balconista Eleniza Mariana de Oliveira Martins, que rezava dentro da catedral.

Feriu-a, provavelmente com uma chave de fenda. Mantinha, em uma das mãos, um revólver.

Um popular de nome Francisco Erasmo Rodrigues Lima, 61, tentou resgatá-la. Subiu as escadarias da catedral pela lateral e, sem ser notado, atacou o sequestrador. Este levou vantagem e baleou Francisco, que tombou morto. Os policiais militares agiram e atiraram em Luiz Antônio da Silva, que entrou em óbito.

Ambos – o marginal e o novo herói popular momentâneo tinham extensa ficha corrida criminal. Os policiais militares que atenderam a ocorrência careciam de experiência neste tipo de ação. Normalmente, tais ocorrências são atendidas pelo Grupo de Ações Táticas que atua em operações antissequestros, com funções específicas como negociadores.

No local havia a equipe do Pânico na Band, que desde a semana passada grava um quadro naquela praça. Vigiados por câmeras de TV, e por centenas de pessoas gravando com seus celulares, os policiais militares agiram com a rapidez necessária, dentro dos parâmetros legais.

Este, o retrato atual daquela histórica praça e da cidade de São Paulo.

A PRAÇA DA SÉ NO PASSADO RECENTE

No período militar aquela praça foi palco de importantes manifestações. O 1º de maio de 1968 foi comemorado naquele logradouro. O governador  Roberto Costa de Abreu Sodré, já falecido, queria capitalizar o movimento, e fazer da comemoração palanque eleitoral. Foi rechaçado pelos trabalhadores, com pedras, ovos podres, etc.

O palanque foi destruído, e o governador se refugiou na catedral. O povo saiu às ruas exigindo a volta da democracia.

Depois, sob o prelado de D. Paulo Evaristo Arns, houve missa em memória da alma de Alexandre Vanucchi Netto, estudante de geologia da USP, morto pelos órgãos de segurança. Mais tarde, já nos estertores do regime, houve o culto ecumênico em memória do jornalista Vladimir Herzog, jornalista que morreu  nas dependências do DOI-CODI.

Poucos anos depois, houve o Comício das Diretas-Já, naquele logradouro. Trezentas mil pessoas se reuniram no marco zero de São Paulo, exigindo eleições diretas para presidente da República, governadores e prefeitos.

O regime minguava e sua substituição era iminente.

Naqueles atos pela democracia e pelos direitos humanos, este articulista estava presente.

Ontem, infelizmente, também.

A PRAÇA DA SÉ EM TEMPOS REMOTOS

Antes, bem antes, a antiga Praça da Sé abrigava o Palacete Santa Helena, que foi demolido em 1971. Talvez o mais fantástico prédio já construído na cidade, sua fachada era repleta de esculturas e ornamentos e seu interior era luxuosíssimo. O prédio abrigava, além de lojas no térreo e escritórios, um cineteatro que rivalizava em requinte com o Teatro Municipal. Possuía duas fachadas: uma que dava para a Praça da Sé e outra nos fundos, de frente para a então Rua XI de Agosto.  Abrigou os ateliers de Francisco Rebolo, autor do hino do glorioso S.C. Corinthians Paulista, do qual foi jogador. Compunha o Grupo Santa Helena, os artistas Clóvis Graziano, Mário Zanini, Alfredo Volpi, Fúlvio Penacchi, Humberto Rosa e Manuel Martins, dentre outros.

Era possível frequentar a antiga Padaria Santa Tereza, Restaurante Jacinto e Bar Gouveia, etc.

O CAOS E A ESCURIDÃO

Hoje, aquela praça histórica está escura, violenta e desfigurada.

Moradores de rua, drogados, pregadores religiosos de quinta categoria e malandros de todas as estirpes substituíram os artistas de antanho.

Além dela, ladrões atacam mulheres para furtar ou roubar celulares em outros pontos da cidade.

O ponto preferido dos facínoras é o Vale do Anhangabaú.

Moças que trabalham em empresas de cobranças sediada no prédio CBI Esplanada, têm sido as vítimas preferenciais dos ladrões. Os rapazes, além de assaltados, são vítimas de agressões à faca. Talvez, quando alguém assaltar algum dignitário que frequente ou trabalhe no instituto de ex-presidente da República, serão tomadas as providências urgentes e necessárias.

A população mais idosa da pauliceia deve sentir saudades da Guarda Civil de São Paulo, que era uma corporação uniformizada sem perfil militar, da Polícia Civil do Estado de São Paulo, criada para realizar policiamento ostensivo das áreas urbanas do estado, velando pela segurança pública e pela incolumidade pessoal e patrimonial dos cidadãos. Eram educados, e sem usar truculência mantinham a ordem pública.

Eis um vídeo da saudosa corporação.

Antônio Ribeiro é advogado e jornalista

Antonio Riberio
Antonio Riberio

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