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Coluna do Antonio Ribeiro – O mau uso de preposição causou erro de comunicação

Alvamar Affonseca da Cunha Monteiro, filha de família quatrocentona paulista, residia em um bairro nobre de São Paulo.  Ao invés de optar pela vida passiva como todas as mulheres de sua estirpe e geração, preferiu prestar concurso para a cátedra de famosa universidade pública.  A par de exames de pós-doutorado, livre docência, etc., bacharelou-se em Direito na antiquíssima Academia do Largo de São Francisco.

Ao se aposentar, viúva precoce com os filhos criados e encaminhados na vida, optou por abrir banca advocatícia em bairro longínquo da periferia paulistana. Não era movida pelos ganhos, e sim pela busca de justiça aos menos favorecidos.

Dentre seus clientes se destacava o senhor Jeová, técnico em eletrônica formado pelo Instituto Monitor, que movia ação contra poderosa empresa que não cumpriu com as obrigações de garantia de material fornecido. Como de praxe, era necessária a oitiva de testemunhas.

Na manhã de um sábado, a doutora Alvamar recebia testemunhas que seriam orientadas sobre como proceder nas audiências. A mais aguardada era exatamente a do senhor Jeová.

De repente, apresentou-se à advogada um casal, que falou de chofre:

– Somos testemunhas do Senhor Jeová.

A advogada os adentrou a sala de reuniões. Depois, começou a explanar sobre como deveriam prestar os depoimentos, sem fugir à verdade. Prolixa e rápida não permitia interrupções em sua preleção.

As tentativas de aparte do casal não surtiram efeito. A advogada deixou claro que somente lhes daria a palavra ao final de sua explanação. Detalhista, demorou quase uma hora para terminar sua peroração.

Então, o rapaz falou:

– Nós somos testemunha do Sr. Jeová, e esta revista fala sobre ele.

– Meu Deus!  Não sabia que o caso dele estava na imprensa.

 O jovem entregou a Alvamar exemplares recentes das revistas Sentinela e Despertai!

Estupefata, a advogada perguntou:

– Então vocês são testemunhas de Jeová?

– Sim senhora. Somos testemunhas do Jeová, o único Deus verdadeiro.

– Jovens vocês confundem a preposições de com a preposição do.

Destarte, como espero a testemunha do senhor Jeová, meu cliente, jamais saberia que vocês são pregadores religiosos. O correto é o dizer testemunhas de Jeová.

Desfeita a confusão, Alvamar deu um óbolo aos pregadores, informou ser católica praticante há muito tempo, despediu-os, desejando-lhes boa sorte.

Houvesse os pregadores se expressado corretamente, a confusão seria evitada, poupando o precioso tempo da advogada.

*Antônio Ribeiro é advogado, jornalista e escritor, autor, dentre outros, do livro “O menor aprendiz”

Vocabulário:

De chofre (Substantivo masculino) – repentino súbito

Estupefata (Adjetivo) – Atônita Pasmada.

Óbolo (Substantivo masculino) – donativo, esmola.

Praxe – (Substantivo feminino) prática habitual, rotineira

Preleção (Substantivo feminino) – Discurso didático, lição.

Prolixa (Adjetivo) – loquaz palavrosa.

Por Antônio Ribeiro

Antonio Riberio
Antonio Riberio

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