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Após censura à Karina Buhr no Facebook usuários questionam machismo na rede

Tudo começou com a divulgação da capa do novo disco de Karina Bühr, “Selvática”. Uma bela capa, aliás. Mas não para o Facebook. A rede retirou do ar posts com a imagem, não só do perfil da cantora, como de diversos usuários que tentaram postar a imagem. Algumas pessoas tiveram o perfil bloqueado – e até mesmo apagado. Afinal, por que a rede de Mark Zuckerberg tem tanta aversão aos seios femininos?

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Alguns usuários, mulheres e homens, passaram a postar fotos com os peitos à mostra, em demonstração de apoio à censura e também sofreram retaliações. A jornalista Aline Feitosa publicou uma foto de seio aberto, feita por seu marido, o fotógrafo Beto Figueirôa, e teve o perfil retirado do ar. Ele também publicou uma imagem sem camisa, no mesmo local, mas até o momento não sofreu nenhuma “punição”.

O casal realizou um ato na tarde desta quarta em sua residência no Espinheiro, Zona Norte do Recife, onde convidaram mulheres para fazer fotos com os seios expostos.

“Bom, a gente ainda tá na fase de brigar pra tirar a camisa numa capa de disco ou no facebook… então haja agonia ainda pela frente, viu”, escreveu Karina em seu perfil no Facebook. “Mas um dia, o sol vai brilhar e a gente vai poder tirar a camisa na rua, simplesmente porque tá com calor, sem ser presa, nem atacada, sem ser nem olhada com espanto. Isso vai ser simplesmente o que é: natural. Em tempo, meninos que estão analisando meus peitos, o assunto agora não é o tesão de vocês! É sobre nossa liberdade! ‪#‎selvática‬”

Entramos em contato com o Facebook, que divulgou uma nota oficial sobre o assunto através de seu porta-voz no Brasil “O Facebook trabalha incansavelmente para manter em sua comunidade um ambiente ideal e permitir que as pessoas se expressem criativamente, tomando o cuidado de respeitar a sensibilidade de algumas pessoas com culturas e idades diferentes. Para isso, desenvolvemos uma série de padrões da comunidade que determina o que é permitido ou não na plataforma. Nós dependemos de nossa comunidade para denunciar conteúdos que possam ter ferido nossas políticas, para analisar e remover essas denúncias, incluindo casos de nudez, que podem ofender pessoas sensíveis a esse tipo de conteúdo”.

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Facebook se seu antigo problema com seios

A censura do Facebook aos seios femininos é bem antiga. A rede até já sofreu o constrangimento de confundir um cotovelo com um mamilo e excluiu a foto. Ativistas por equiparação de gênero criaram páginas como o Free The Niple, que denuncia o preconceito existente em permitir dorsos nus masculinos, mas proibir seios de mulheres.

Este ano, a bela demonstração de oficiais norte-americanas amamentando seus filhos com uniformes das forças armadas dos EUA foi denunciada e retirada do ar no Facebook. Aqui no Brasil, o projeto Mamilo Livre quer aumentar a discussão sobre igualdade de gênero. Criado pela fotógrafa Julia Rodrigues e da psicóloga Letícia Bahia, autora do blog feminista Reflexões de uma lagarta, o site questiona a proibição do mamilo feminino.

Em um post no site Mic., Brett Scruton critica a arbitrariedade das regras de uso do Facebook, onde posts com violência extrema, como decapitações, seguem no ar e peitos são excluídos.

A rede atualizou sua política em 2014 após diversas críticas e petições e passou a permitir fotos de amamentação e corpos com cirurgias de mastectomia.

Mamilos livres: campanha online pede equalidade. (Divulgação).
Mamilos livres: campanha online pede equalidade. (Divulgação).

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A mensagem que se passa ao proibir seios

O Facebook está dentro de seu direito, como empresa privada, de decidir que tipo de conteúdo deseja mostrar. No entanto, segundo Lee Rowland, advogada da American Civil Liberties Union, a rede passa uma imagem prejudicial às mulheres com essa atitude. Em um post no site The Kernel, Rownland afirma: “Elevar os seios das mulheres a algo que atenta contra a linha de frente da censura pode realmente sair pela culatra contra materiais educativos, e contra os materiais que ajudam as mulheres com dúvidas sobre seus corpos”, disse ela. “Embora o Facebook esteja dentro do seu direito, essas políticas podem acabar ultrapassadas em relação à sexualidade feminina.”

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