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Coluna do Alberto Sena – Grão Mogol, reencontro de lembranças

Não via Reinaldo Nunes de Oliveira, da Emater-Minas, Reinaldinho chamado, desde a década de 70, quando ele, salvo engano, deixou Montes Claros para estudar Agronomia na Universidade Federal de Viçosa (UFV), Zona da Mata mineira onde vivi pouco tempo. Quando nos conhecemos, no século passado, Montes Claros era cidade tranquila. Podia-se sair a qualquer hora do dia ou da noite sem insegurança pública. A violência e a neura dela se limitavam as grandes cidades, mas já apresentavam sinais do que seria num futuro então longínquo, hoje presente nu e cru para todo montesclarino constatar.

Somos da geração Beathes. Vivíamos a Montes Claros vibrante dos melhores tempos, quando o Automóvel Clube foi construído ali na Praça João Alves e deu mais movimento à vida pachorrenta da cidade. E posso até dizer que participei da construção do Automóvel Clube porque adolescente fiz cobrança de sócios proprietários inadimplentes por meio duma empresa chamada Zeta Incorporações, regiamente pago com comissão. Isso garantia a manutenção do jovem a caminho da maioridade.

Reinaldinho, bem mais do que eu, incorporou de fato o espírito dos “besouros” ingleses, e junto a amigos comuns, era baterista de uma banda. Recordo-me, foi naquela época quando surgiu o grupo “Os Brucutus”, com Ricardo Milo, Hélio Guedes (Patão), João Batista Macedo, Haroldo Tourinho e Beto Guedes. Este já mostrava a genialidade das canções que faria, como Sal da Terra, verdadeiro hino ao amor e a vida.

Ele, Reinaldinho, tanto quanto eu, vivemos intensamente os dias e as noites de Montes Claros. Tanto tempo depois, reencontrá-lo, desta feita em Grão Mogol trouxe-me ele uma avalanche de recordações. Naquela época, ninguém imaginava o que seria no futuro “quando crescesse”. Não nos preocupávamos com isso. Aliás, futuro era algo tão impalpável que nos contentávamos com o prazer de viver o presente.

O lado melhor da vida montesclarina se resumia às horas-dançantes nos clubes, época em que os hormônios se encontravam em ebulição. Automóvel Clube, Clube Montes Claros, Max Min, Pentáurea, Lagoa da Barra – não havia maneira melhor de viver senão curtir os ares juvenis com as moiçolas atraentes desta cidade.

Reinaldinho deu-me notícias de vários amigos comuns. Foram boas notícias e notícias não boas de amigos com os quais vivemos naqueles áureos tempos. São os reveses da vida. Quem Deus tenha pena de todos nós.

Em dado momento, Reinaldinho fez a seguinte pergunta: “Por onde andará Rosalina Fonseca, tem notícia dela?” E foi então que debulhamos uma espiga de milho de recordações do quanto ela era de vanguarda. Nunca mais tivemos notícias dela. Recordei-me de tê-la encontrado em Beagá na década de 70. Ele, sim, era amigo dela. Pessoalmente nunca tivemos relação de amizade, mas evidentemente, era mulher cobiçada naquela época em que os montes ainda eram claros e vivíamos os melhores anos de uma cidade pacata.

Mas, afinal, a que veio Reinaldinho a Grão Mogol? Ele, como coordenador técnico da Emater-Minas em Montes Claros estava acompanhado da pedagoga Beatriz Cristina, da Coord. Regional de Bem Estar Social da Emater para tratarem, aqui, do “Programa Brasil Sem Miséria”. A Unidade Regional de Montes Claros cuida de 22 municípios, dentre eles, Grão Mogol.

Segundo Beatriz Cristina, “estamos atendendo 1.744 famílias de agricultores distribuídas em 20 municípios; as famílias cadastradas receberam ou receberão um fomento no valor de R$ 2, 4 mil para investirem em projetos produtivos que foram planejados junto a técnicos da Emater”.

Os dois, Beatriz e Reinaldinho visitaram o Presépio Natural Mãos de Deus. Era noite. As luzes do presépio disputavam brilho com as estrelas. Acompanhei-os pelas rampas dando informações a respeito de como o presépio foi construídos em oito meses e 19 dias e inaugurado em 9 de dezembro de 2011.

Impressionados, os dois se despediram, uma hora depois de chegar, resumindo o presépio como obra de “um predestinado”. Quanto à nossa amizade antiga, Reinaldinho não foi capaz de resumir em uma hora o que se passara me colocar a par dos acontecimentos montesclarinos sucedidos nesse intervalo de meio século da nossa existência.

Em virtude disso, o amigo ficou de retornar a Grão Mogol noutra ocasião, com mais vagar. Isto é, se ele não se perder “lá onde o vento faz a curva”, a fim de colocarmos a nossa conversa em dia.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
Alberto Sena

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