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Coluna do Alberto Sena – Montes Claros de quando os câes andavam devagar

Recordo-me, com frequência, da constatação do meu filho Rahvi, nascido em Belo Horizonte, quando ele tinha uns três anos de idade e o levei de trem de ferro a Montes Claros. De mão dada com ele íamos pela Rua Dr. Veloso rumo ao Centro da cidade. Na confluência com a Rua General Carneiro, próximo ao Asilo São Vicente de Paulo, vinha um cachorro vira-lata e Rahvi chamou-me atenção: “Pai, aqui, até os cachorros andam devagar, não é?” Corria a década de 80.

Confesso que nunca havia reparado isso. Até o ano de 1972, quando de mala e cuia deixei Montes Claros para viver 43 anos em Belo Horizonte, nunca havia reparado que na minha cidade “até cachorro” andava devagar, de tão pachorrenta era a vida na época. Claro que quando deixei Montes Claros, Rahvi ainda não existia, pois veio à luz na década de 80. Mas a observação dele foi importante porque de lá para cá pudemos usá-la como termo de comparação para avaliarmos o quanto a cidade cresceu e também o quanto a velocidade desse crescimento aumentou o corre-corre da vida diária.

Morando em Belo Horizonte, evidentemente voltei a Montes Claros diversas vezes, mas a maior parte foram visitas, como diria mãe Elvira, “pra buscar fogo”. Com o passar do tempo, a cidade sofreu transformações e muitos nem se deram conta disso. As referências e os amigos se foram, cada um cumprindo o seu destino, de modo que não tinha mesmo como notar esse crescimento assustador, que fez de Montes Claros uma capital crescente tanto horizontal como verticalmente.

Constatação ao contrário da que fez Rahvi na década de 80, eu pude fazer noutro dia, já morando em Grão Mogol, ao procurar o endereço de uma agência de publicidade “atrás do Parque Municipal” de Montes Claros. Qual não foi o meu espanto ao constatar que a cidade havia ultrapassado longe os limites do parque?

Na década de 70, entre a cidade e o Parque Municipal havia só mato e a Rodoviária que o prefeito Toninho Rebello mandara construir. Não sei se em muito ou pouco tempo, considerando a relatividade temporal, a cidade simplesmente inchou. E se antes “até cachorro anda devagar”, nas últimas décadas os montesclarinos e os cães se deram conta de que era necessário imprimir velocidade senão ficariam pra trás ou seriam atropelados.

Os lances de Montes Claros de hoje que vemos na televisão não nos dão a impressão de ser a mesma cidade. Parece mesmo com uma capital com os seus edifícios mirando as nuvens. O calor quase insuportável de antes está devera insuportável hoje porque a cidade virou uma bolha de calor. O calor do Sol é refletido pelo asfalto e pelo concreto armado dos prédios, assim como acontece atualmente com Belo Horizonte.

Rahvi é adulto hoje. Casou-se e é pai de uma linda menina de um ano. Ele certamente nem irá se recordar mais da expressão marcante pronunciada quando menino. É possível que, quando a minha neta estiver com três aninhos, e se em vez de mim Rahvi a levar pela mão na mesma confluência de Montes Claros – ruas Dr. Veloso e General Carneiro – e se acontecer de um cão vira-latas surgir de repente, ela, a minha neta, dirá justamente o contrário: “Pai, aqui, até cachorro anda em alta velocidade, não é?”

O que as administrações anteriores da cidade deviam ter feito há muito tempo, é um Plano Diretor para pôr ordem na casa, o que só agora vem sendo anunciado pelo prefeito Ruy Muniz. Se bem que o melhor prefeito de Montes Claros, Toninho Rebello tentou fazer um Plano Diretor, mas por motivos que desconheço foi impedido de executar.

Pelo que noticia a jornalista Márcia Yellow, da assessoria de comunicação do prefeito, reuniões neste sentido têm sido feitas discutindo, inclusive, como preservar córregos e nascentes. Após essa fase de reuniões técnicas serão realizadas reuniões com a participação popular. Resta saber se, de fato há tempo de resgatar córregos e nascentes neste torrão árido que os ditos entendidos estão augurando um futuro que, particularmente, não gosto nem de pensar.

E por falar nisso, aonde foram parar os rios da nossa adolescência, como Melo, Lajinha, Carrapato, Pai João, entre outros? O Vieira, que nos tempos de infância passava ao fundo do nosso quintal, e era limpo bem podia ser tratado com carinho, virou cloaca a céu aberto.

Por Alberto Sena

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