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Coluna do Adilson Cardoso – O Menino e a arma

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As ultimas páginas do livro eu fechei, antes de depositá-lo onde se encontram outros da minha preferência, parei  olhando para o teto e recordando “jargões” e o porco que era trucidado a cada abrir daquele portão. Estou falando do Menino e a arma do Escritor Edilson Marques da Silva, um cara de aspecto introspectivo, falas pensadas e um olhar além de muitos horizontes. O conheci por acaso numa das apresentações do Psiu-poético tivemos a chance de prosear com uma cerveja e uma farofa no mercado, como não poderia ser diferente divagamos entre as proezas da literatura dos confortos e desconfortos de se escrever nos rincões das gerais sem ter um “pai” que alimente o sonho da publicação. Assim fui presenteado com o livro e deixei que ele ficasse de molho enquanto finalizava Thomas Hardy (Judas o Obscuro). Juro que jamais passaria pela minha cabeça a dimensão do conflito social intalado ali dentro daquelas cento e trinta paginas. O escritor Dario Cotrim antecipa no prefácio tecendo conceitos e analogias do autor com o baiano Jorge Amado e a nossa amada Amelina Chaves numa fusão romancista que com o perdão da ousadia percebi muito pouco de um universo sereno ou de coisas de pouca mobilidade. No decorrer daqueles textos que se entrecortam como em um filme de Stanley Kubrick eu vi Rubem Fonseca na sua mais crua performance. Um diálogo tenso e naturalmente previsível quando a luta pela sobrevivência dentro dos Guetos, exige atitudes drásticas, tirar-se o sangue para não perder o seu, atirar sem pena para continuar vivo. Edilson ao longo da trajetória se veste de algoz e anda meticulosamente com os cordões de marionete prostituindo suas personagens, aquelas sabidamente entregue aos prazeres a qualquer custo e aqueles ora vitima ora réus, também é fácil notar que o escritor muda a face e vai ser o anjo da guarda como mediador de conflitos, onde a boca fedendo da cleusa encontra uma justificativa e Cureba se torna um “produto do meio” tem que morrer é o que todos dizem, mas ele ainda sonha nos últimos momentos em fugir para a Capital Mineira com o dinheiro roubado do ônibus. Dona Dete talvez seja a maior de todas as vitimas inclusive do próprio escritor que não lhe da mais sangue para pulsar nas veias e acabar com o reinado dos netos infiéis, assim como fizera com o filho “ladrão”. Em feliz Ano novo de Rubem Fonseca a linguagem violenta e direta chega a assustar o leitor que chega desavisado sem saber onde pisa, as vísceras de uma sociedade que emerge a custa das aparências são expostas sem o menor pudor . Da mesma maneira, Edilson Marques não pede licença para usar a linguagem de rua, os termos sem rebocos são atirados sem pudor para não dar chance do leitor se desculpar e  olhar no dicionário. O menino e a arma, um tapa no rosto, ou melhor um soco no estomago da falta de políticas publicas para investir no cidadão que sem opções para mudar de “canal” assiste sempre as mesmas coisas e delas retira o que tem de pior. Cureba, Cacim, Eldes, Cleusa e a menina que sente um tesão carnal pelo tiro, pela bala que sai daquele cano com apenas um objetivo; MATAR! Eles estão soltos por ai carregando outros codinomes, mas com sinas parecidas.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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