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Coluna do Adilson Cardoso – Entre o sonho e a razão

Andaluza não é nome comum. Tampouco sua história se repetirá  com facilidade para ser contada em domínio público. Mas dizia um louco que entre os céus e a terra existem mais ostras que o cabelo pintado das outras, assim caminha a humanidade. Andaluza filha de gente esquisita, um homem cabeludo de bigodes escorregadiços feito oriental zen, uma fala acelerada que nas passagens de cólera os olhos esbugalhavam. Este era o perfil do pai, da mãe pouco se falava, já que da sua ingenuidade introspectiva lhe sobrara quase nada para ser alguém diante da ferocidade do marido. Os irmãos foram todos incentivados a pratica de artes marciais, aprenderam atirar com arma de fogo ainda na adolescência e foram depois para o serviço militar. Andaluza era na rédea curta, olhos a vigiavam diuturnamente, quem se aproximasse com os lábios de fogo era convidado a sopapos para se retirar da área. O pai mentia dizendo ser Espanhol, mas era Argentino com um castelhano sujo de português. Andaluza só estudava e ia à igreja com a mãe, no meio dos fieis estava sempre um irmão ou o próprio pai escondido a vigiar. Mas ela tinha seu fogo oculto, adorava sonhar que estava sendo estuprada por mais de um homem, sentia o sexo lhe invadir em todos os lados e a pele manchar-se com a força de mãos que lhe amordaçava. Guardava este segredo, eram mais de sete chaves nem ao padre confessava tais coisas, aliás, o pai a obrigava se confessar todas as sextas-feiras, mas com seu padre de confiança, um dia ela ouviu por acaso uma conversa dos dois em que o ele exigia com ameaças de morte que tudo que ela dissesse em confessório deveria ser contado. Então ela mentia, pedia perdão a Deus, mas se contasse seus sonhos eróticos tinha a vagina queimada com azeite quente para pagar os pecados, e o tempo passava, sua clausura era sufocante provocando pesadelos sexuais até fora dos sonhos.  Certo dia na sala de aula viu o professor de Química se despir lentamente enquanto escrevia no quadro, depois com a mesma tranquilidade virou-se e balançou o pênis colocando o dedo indicador em sinal de silêncio, como se fosse uma realidade só dela, o restante da turma permanecia de cabeça baixa. Andaluza sentiu um fogo tão abrasador que saiu sem pedir licença para ir ao banheiro, lá se masturbou freneticamente pensando na cena, foram horas naquela peleja alucinada até uma colega chamar seu nome. Em casa pediu à mãe que intercedesse por ela, já tinha dezenove anos e queria namorar, precisava encontrar alguém para viver uma paixão. Mas a mãe algemada na eterna subserviência ao marido tinha que consultá-lo, ou melhor, implorar que deixasse, todavia o homem não se entregava a filha só namoraria depois de formada na faculdade de Medicina, o que lhe assombrava ainda mais o espírito, já que tentara duas vezes o vestibular para Ciência da religião e nem na lista de espera conseguia estar. Na penumbra do quarto ela se deitou nua com um ventilador soprando-lhe as entranhas, os pelos eriçavam com o pensamento pecaminoso lhe consumindo por inteira, não tomou o café nem aceitou o jantar, não comeu nada além da própria saliva que escorria pela garganta transmutado de esperma. Cuspia na palma da mão e lhe esfregava vorazmente, até que o sonho maníaco veio arreganhando as cortinas do desejo, desta vez sonhou com a sala de aula, ela completamente nua deitada sobre a mesa do professor com todos os alunos em volta, era uma espécie de aula de anatomia onde cada um estudava minuciosamente a sua individualidade, alguns tinham o toque macio, outros mãos grosseiras, sentia dedos lhe abrindo as pregas do ânus enquanto outros fuçavam sua vagina, dos seus seios rosados nenhuma parte sobrava sem que fossem apalpados minuciosamente como se fizessem um exame de prevenção nas mamas, línguas lhe escorriam sem fronteiras até que o ruído do despertador arrastou-a para a gaiola do mundo do seu pai. O dia estava começando.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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