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Coluna do Dr. Marcelo Freitas – O machismo, a Mulher e Maria

Na Mitologia Grega, de acordo com os poetas do Olimpo, Pandora foi a primeira mulher criada por ordem de Zeus (deus dos deuses) como parte de um castigo a Prometeu, em razão da revelação do segredo do fogo para a humanidade. Prometeu teria roubado as sementes do deus Hélio (deus do fogo) e repassado aos homens para que estes pudessem cozinhar e fazer suas tarefas domésticas. Enfurecido, Zeus resolveu criar uma mulher que tivesse várias qualidades de diversos deuses.

Pandora recebeu de Afrodite o poder da sedução. Da deusa Atena, os conhecimentos da arte da tecelagem. Prometeu se casou com Pandora. De acordo com a fábula, a humanidade tinha vivido em harmonia até aquele momento. Pandora, porém, não suportando a tentação, resolveu abrir sua ânfora (a expressão “caixa de pandora” foi criada no Renascimento) que continha todos os males da humanidade e liberou todas as desgraças (vícios, doenças, loucura, pobreza, pragas, violência, crimes e até mesmo a morte).

De igual maneira, de acordo com os sacerdotes da Bíblia, outra mulher, chamada Eva, criada diretamente por Deus da costela de Adão, teria comido o fruto proibido da árvore da ciência (do “conhecimento do bem e do mal”), e após o ocorrido, de acordo com o relato bíblico, toda a humanidade ficou privada da perfeição e da perspectiva de vida infindável.

Vê-se, assim, seja na mitologia grega ou no cenário bíblico-cristão, que a figura da mulher foi a “responsável” por levar o mundo a calamidades extremas. Não sem fundamento, destarte, o papel da mulher na sociedade ocidental, especialmente em Grécia e Roma, já havia sido fortemente reduzido frente ao do homem, de forma que o indivíduo do sexo feminino tivera sua esfera de atuação limitada ao campo doméstico e familiar, jamais alcançando pleno exercício de direitos sociais e políticos permitidos ao sexo masculino, que assumia as responsabilidades ligadas ao trabalho e à chefia. Exsurge aqui o machismo ou chauvinismo masculino, conceito que se funda na supervalorização das características físicas e culturais associadas ao sexo masculino, em detrimento daquelas associadas ao sexo feminino, pela crença de que homens são superiores às mulheres. Erramos profundamente! Era preciso corrigir rumos! Coisa que se deu a pouco mais de 1000 anos atrás: a mãe de Jesus, Maria, foi consagrada mãe da humanidade e símbolo de pureza da fé, até mesmo como forma de resgatar o espaço estrangulado da mulher na sociedade da época.

No século XI, enquanto a igreja inventava o purgatório e a confissão obrigatória, surgiram na França 80 igrejas e catedrais em homenagem a Maria, que passou a ser ainda mais sagrada a partir de 1854, ocasião em que o Papa Pio IX revelou que Maria havia sido concebida sem pecado, o que, traduzindo, significava que também era virgem a mãe da Virgem Maria.

Caro leitor, todo o conhecimento histórico a respeito da vida de Maria encontra-se nos Evangelhos escritos pelos apóstolos Mateus, Lucas e João. Como genitora de Jesus, Maria ocupa um papel essencial na teologia e idolatria de grande parte dos 2,2 bilhões de cristãos que existem no mundo, especialmente daqueles que formam a Igreja Católica.

Os historiadores calculam que Maria estava com 16 ou 18 anos quando seu filho nasceu. As circunstâncias precisas de sua morte são desconhecidas e os Evangelhos dão apenas breves reflexos de sua vida: “Ela pertencia à casa de Davi (Lucas 1:26), morava na Baixa Galiléia e ficou noiva de um carpinteiro chamado José (Mateus 1:18).”

Maria foi uma presença silenciosa durante a passagem de seu filho na terra. A última de suas frases foi emitida nas bodas de Canaã, quando disse à Jesus: “Eles não têm mais vinho”, incitando-o a realizar seu primeiro milagre, a transformação da água em vinho (João 2:1). Ela é vista pela última vez chorando aos pés da cruz, quando Jesus morre (João 19:25).

As aparições de Maria a fiéis através dos anos, levou à construção de altares em sua homenagem em todo o mundo, sendo os mais famosos o da Madona Negra de Chestochowa, na Polônia, reverenciado desde o século XIV; o retrato de Nossa Senhora de Guadalupe, comemorando a aparição no México, em 1531; Nossa Senhora de Lourdes (França, 1858); e Nossa Senhora de Fátima (Portugal, 1917).

Maria, mulher, é, na atualidade, a divindade mais adorada e milagrosa de todo o planeta. Se Eva ou Pandora tinha condenado as mulheres ao erro, Maria as redime. Graças a ela, as “pecadoras”, filhas de Eva ou Pandora, têm a oportunidade de se arrepender e construir um mundo novo. É tempo de mais espaço para as mulheres, seja nas famílias, no mercado de trabalho, nos ambientes políticos, enfim, em toda a sociedade. É chegada a hora de se pôr fim ao machismo e suas terríveis consequências. Pelo bem dos homens, em especial. Quanto a Maria, sigo em sua devoção, crente no poder intercessor de sua santidade. Como diria São Luis de Montfort, “em Maria e por Maria é que o Filho de Deus se fez homem para a nossa salvação”. Mediocremente, eu creio!

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

Dr. Marcelo Freitas
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