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Governo atende a montadoras e Levy sofre novo desgaste

Pressionado pelo setor automotivo, o governo reabriu o prazo para que empresas apresentem ao BNDES pedidos de financiamento com recursos do Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

Joaquim Levy sofre pressão para sair do Ministério da Fazenda
Joaquim Levy sofre pressão para sair do Ministério da Fazenda

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A medida deixa claro que a presidente Dilma Rousseff está cada vez mais preocupada em atenuar os efeitos da recessão. Embora continue a fazer a defesa pública do ajuste fiscal, Dilma aos poucos se afasta do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que resiste em adotar ações que possam afetar o reequilíbrio das contas públicas. Ele participou das negociações, segundo a Anfavea (associação de montadoras), mas foi voto vencido, em mais um desgaste do ministro no governo.

Em 23 de outubro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou redução de R$ 30,5 bilhões nos limites para empréstimos do programa. O montante para o PSI, que se encerra no dia 31 de dezembro, baixou de R$ 50 bilhões para R$ 19,5 bilhões. O CMN também fixou prazo que não existia: as empresas tinham até 30 de outubro para pedir os empréstimos.
Isso deu ao setor produtivo apenas uma semana para que os pedidos fossem protocolados. O setor automotivo, que é um dos principais favorecidos pelas linhas subsidiadas do PSI, procurou o governo para pedir prorrogação. Levy resistiu. Ele alegou que a ideia foi reduzir os custos do Tesouro com a diferença de juros do programa em relação ao custo de captação no mercado. A reabertura do prazo poderia gerar mais despesas este ano.
A redução do limite ainda deixava recursos para novos empréstimos. Até outubro, o total financiado foi de R$ 7 bilhões. Havia sobra de R$ 12,5 bilhões. Com o prazo de 30 de outubro, eram baixas as chances de que o valor subisse, pois não haveria tempo suficiente para as empresas.
A pressão das indústrias funcionou. E mesmo com a oposição de Levy, Dilma decidiu ceder aos apelos dos empresários. Interlocutores do Planalto afirmam que o ministro tem ficado isolado, o que o torna enfraquecido e cada vez mais alvejado por seus desafetos dentro e fora do governo. Levy tem participado cada vez menos das reuniões de coordenação política.
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Ao mesmo tempo, o ex-presidente Lula tem se movimentado para tentar convencer Dilma a tirar Levy. O nome preferido é do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Petistas que têm conversado com o candidato de Lula afirmam que Meirelles tem dito que é preciso retomar o crescimento e que não se pode apenas pensar em corte de despesas. Ele também estaria indicando que aceitaria um convite para voltar ao governo. Nos últimos dias, Meirelles chegou a promover uma ofensiva e ligar para senadores para fazer uma avaliação do quadro econômico atual. Segundo interlocutores, Lula disse na semana passada, após encontro com a presidente, que não acredita na permanência de Levy na Fazenda após janeiro.
MENÇÃO A MEIRELLES – Ontem, o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), cometeu o que chamou de “ato falho” ao ver um cenário econômico melhor com Meirelles. Delcídio foi um dos que teriam se reunido com Meirelles na última semana e pertence à ala do governo e do PT que cobra de Levy plano de recuperação que não seja só o aumento de impostos. Ao comentar a dificuldade de aprovar na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que fixa teto do endividamento público, Delcídio disse que o projeto só seria viável se houver equilíbrio econômico.
— O governo nesse momento não tem meta, não tem orçamento, como vai fazer teto de endividamento? Se o Meirelles vier e estabilizar a economia, aí fica mais fácil — brincou Delcídio, dizendo depois que o comentário foi “um ato falho”.
Governadores que lançaram ontem o Consórcio Brasil Central, para desenvolver projetos de PPPs, cobraram aprovação do ajuste fiscal, mas são contra a CPMF.
— O ministro Levy tem sido correto conosco e não acho que vá sair. Mas ele precisa de apoio — disse o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
A Anfavea confirmou que seu presidente, Luiz Moan, pediu autorização ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, para anunciar a reabertura do PSI. Segundo um executivo, a Anfavea negociou a medida com o governo durante a semana passada. Levy foi um dos interlocutores, além do Nelson Barbosa, do Planejamento, e de Wagner. Até a presidente Dilma Rousseff teria participado. Segundo ele, Levy foi contra a reabertura do programa.
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