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Coluna do Dr. Marcelo Freitas – A prisão do Senador, as instituições da Repúblicas e o apático povo Brasileiro

Coluna do Dr. Marcelo Freitas – A prisão do Senador, as instituições da Repúblicas e o apático povo Brasileiro

A Polícia Federal prendeu na manhã da última quarta-feira, 25/11, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado. Conforme as investigações, o senador foi preso por estar atrapalhando apurações da Operação Lava Jato. Também foram presos pela PF, naquela mesma manhã, o banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual e o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira.

Numa conversa de 1 hora e 35 minutos, o então líder do governo revelou seu plano para conseguir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), a fim de tirar o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, da prisão e enviá-lo para fora do País. Em troca, Cerveró não faria acordo de delação premiada em que citaria o senador. Delcídio, assim, fora preso por tentar, concretamente, dificultar a delação premiada de Cerveró sobre uma suposta participação dele em irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

O senador tem uma trajetória de vida que não merecia terminar assim. Técnico, participou da construção e montagem da Usina de Tucuruí, no Pará. Depois de viver dois anos na Europa, trabalhando para a Shell, voltou ao Brasil, ocasião em que foi diretor da Eletrosul, no ano de 1991. No final do governo Itamar Franco foi ministro de Minas e Energia, entre o mês de setembro de 1994 a janeiro de 1995.

Entre 2000 e 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso, foi diretor de Gás e Energia da Petrobrás, quando trabalhou com Cerveró e Paulo Roberto Costa, ambos presos na Operação Lava Jato. Naquele mesmo ano de 2001, ele se aproxima do PT e se torna secretário de infraestrutura do então governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, e na sequência, apoiado por este, elegeu-se senador, no ano de 2002. Dali em diante, abandonou a sua vocação técnica. A política partidária, que mais tarde iria virar-lhes as costas, em carta precipitadamente redigida pelo presidente de seu próprio partido, tornou-se sua maior inspiração. A política seria uma força vital se fosse utilizada em prol do povo, mas, infelizmente, ela promove a elevação concreta de alguns cidadãos que legislam somente em causa própria. Pobre Delcídio. O espírito deve estar carcomido. Tornou-se o primeiro senador, pós constituição de 1988, a ser preso em pleno exercício do mandato. Senadores ouvidos, em quase sua totalidade, registraram perplexidade. Por quê?

Caro leitor, de acordo com a Constituição Federal, desde a expedição do diploma, deputados federais e senadores não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Em casos como o de Delcídio, os autos devem ser remetidos, no prazo de 24 horas, à Casa Legislativa respectiva para que, por voto da maioria dos membros, seja resolvida a questão da prisão. O precedente foi aberto. O risco fora maximizado. Outros poderão ser presos. No caso de Delcídio, coube ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), outro alvo da Operação Lava Jato, assim como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, conduzir a sessão que decidiria o futuro de Delcídio. Naquela noite, o Senado decidiu, em votação aberta, pela manutenção da prisão de Delcídio. O resultado foi 59 votos a favor e 13 contra. Cabalístico?

Por muitos anos Delcídio do Amaral era apenas conhecido como Delcídio Amaral. No ano passado, consultou-se com uma numeróloga e passou a adotar “Delcídio do Amaral”, inclusive na urna eletrônica nas eleições. Por quê? “Sou místico. Sigo muito o que os números indicam. Minha vida foi sempre guiada pelo número 8. Minhas filhas todas têm uma composição de oitos. Se você somar ‘Delcídio do Amaral’ dá 16, que é 8 vezes 2. Que é 8 de fevereiro, dia do meu aniversário. E assim vai”. Parece que a numerologia não deu sorte a Delcídio. Melhor para o povo. E por falar em povo, onde está? Creio que dormindo em berço esplendido.

O século passado foi considerado um dos períodos mais revolucionários da história mundial, marcado por transformações sociais, políticas e econômicas profundas. Os motivos para as revoluções foram diversos: da independência de países à derrubada de ditaduras – ou mesmo ao estabelecimento de novas. E neste século XXI? O que o povo brasileiro tem feito? Acredito, sem pestanejar, que apenas tem contado com a própria sorte e buscado meios de tirar vantagem em tudo. É, assim, gritante a letargia do povo brasileiro quando se cuida de decisões relevantes de nossa república.

Oscar Wilde, dizia que “o descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação”. Em momentos como este, é chegada a hora do povo tomar o congresso e exigir dos parlamentares que cumpram o seu papel. Chega de roubalheira! Ninguém aguenta mais! As instituições estão chegando ao seu limite de atuação. Se apertarem mais, correm o risco de caminharem para os caminhos do arbítrio e da ilegitimidade, o que será péssimo para o futuro de nosso país.

Carlos Drummond de Andrade afirmava que a “democracia é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder”. Não estamos! O povo brasileiro está dormente. Incapaz de formas organizadas de reação. Falta-lhe a educação necessária para encontrar os meios. Como dizia Thomas Browne, “a multidão: esse enorme pedaço de monstruosidade que, considerada a partir dos seus elementos, parece feita de homens e das criaturas sensatas de Deus; mas, considerada como um todo, forma uma enorme besta e uma monstruosidade mais horrível do que Hidra”. Ah, quase me esqueci: multidão tem 8 letras!

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

Dr. Marcelo Freitas
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